“Tenho 36 anos, estou pensando em ser piloto, e…” – Ou: a dúvida que não cala! Afinal, idade é um problema na aviação?

“Tenho 36 anos, estou pensando em ser piloto, e…” – Ou: a dúvida que não cala! Afinal, idade é um problema na aviação?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Incrível como, desde que comecei a escrever sobre formação aeronáutica, uma das dúvidas mais frequentes tem a ver com o problema da idade: pessoas “velhas” (e não é raro que jovens de vinte e poucos anos se incluam no grupo!) querendo saber se, pela “idade avançada” estariam ou não aptas a seguir carreira na aviação. Já respondi essa pergunta centenas de vezes, já escrevi posts (vide o “Tô velho para a aviação?“, que acaba de completar 3 anos), mas não adianta, sempre aparece alguém querendo uma opinião mais, digamos, “customizada”. E, por acaso, ontem um amigo de longa data e um leitor (num comentário a este post), ambos com 36 anos, me escreveram com a mesma dúvida de sempre. Então, vamos, mais uma vez, tratar do assunto da idade na aviação.

Idade pode ser um problema para um piloto ser contratado? Sim, em ambos os sentidos. A TAM, por exemplo, impõe restrições crescentes a partir dos 35 anos. Por outro lado, pilotos muito jovens podem ser preteridos para cargos na aviação executiva. Mas, na verdade, muito mais importante do que a idade é como se comporta o mercado de aviação: se a demanda for muito maior que a oferta, os empregadores tenderão a dar pouca ou nenhuma importância à idade; enquanto que numa situação inversa, nem com a idade “certa” consegue-se emprego. E termina aí a resposta a esta questão, não há mais nada de relevante a comentar sobre isso do ponto de vista dos empregadores e do mercado. Mas há alguns aspectos a acrescentar do ponto de vista dos próprios candidatos a piloto, que acho que vale a pena falar. Então, respondendo ao que não foi perguntado, vamos lá:

1) O problema da redução do salário no início da carreira de piloto

Um piloto recém-formado ganha muito pouco. Tem aeroclube que paga R$15/h e ferve de gente se candidatando – isso dá, no fim do mês, algo entre 1 e 2 salários mínimos. E é aí que a coisa complica para os mais velhos, que estão num momento da carreira em que geralmente ganham bem mais do que isso. Então, mais importante do que saber se “eu estou velho para aviação”, é preciso se perguntar até que ponto se está disposto a viver um tempo (que pode durar vários anos) com um salário bem menor do que se ganhava na sua carreira antiga.

Ir para o escritório todo dia é um martírio, a paixão por voar bate forte no peito, o aerococus já está no sangue, mas… E para pagar as contas no fim do mês? Depois de investir R$80mil ou mais, o sujeito ainda vai ter como viver mais uns 3, 4,…, X anos ganhando menos do que gasta? Para um rapaz de 20 e poucos anos que nunca trabalhou (ou trabalhou em empregos mal remunerados) é relativamente fácil encarar a dureza do começo da carreira de piloto. Mas e o sujeito que mora sozinho, que tem carro, cachorro, papagaio – ou pior, que é casado, tem filhos, etc? Isso sim complica para os mais velhos! Então, pense bem nisso, que é muito mais importante do que saber se a TAM impõe restrições aos maiores de 35.

2) O Apetite por riscos, 1ª parte – Chega uma hora em que não dá mais para por uma mochila nas costas e sair por aí (e, mais uma vez, a questão do estilo de vida)

Suponhamos que a questão da redução do salário esteja superada. O cara tem uma mega-poupança que cobrirá o rombo no orçamento, ou está disposto a uma vida estoica por prazo indeterminado. Agora vejamos outra coisa que pega para quem já não é tão novo assim: a, digamos, mobilidade. Suponhamos que, como recém-formado, aparece para um paulista uma oportunidade de pilotar um Cessna 210 para um fazendeiro no Pará, e será preciso mudar-se para Marabá.

Para um rapaz de vinte e poucos anos, solteiro, que mora com os pais, essa não é uma decisão muito arriscada. O cara vai, e se não der certo, ou aparecer outra oportunidade melhor, ele volta, ou vai para outro lugar: a mochila é a casa dele! Mas para um sujeito mais velho, isso não é tão fácil: o cidadão tem um apartamento montado, negócios, namorada… Não é tão fácil assim colocar três cuecas, duas camisetas, e uma escova de dentes numa mochila e sair por aí. E se for casado (e se a mulher tiver uma carreira própria, então, mais complicado ainda) e tiver filhos, aí sim que eu quero ver… Fora isso, há a questão do estilo de vida de um piloto, discutido neste post – “Sobre ‘paixão por voar’ e ser piloto profissional” -, que tem que ser levada em conta. Então, se você já não é tão novo, essas questões de mobilidade e do estilo de vida precisam ser muito bem pensadas.

3) O apetite por riscos, 2ª parte – Alguém aí se lembra do ímã do “Papai não corra”, que ficava no painel dos carros?

ímã papai não corra

Se você dirigiu algum carro com um ímã desses no painel, então este post é para você!

Segurança na aviação é, em si, um valor absoluto, e independe de idade, cultura, etc. Mas a percepção de risco, essa sim, varia enormemente, e uma das causas dessa variância é a idade do piloto: quanto mais velho, maior a tendência de que, na média, as pessoas sejam mais “medrosas”. Todavia, nada influencia mais nessa citada percepção do que os filhos (que, normalmente, aparecem quando a pessoa atinge uma certa idade), e não foi por outra razão que os ímãs de painel (na época em que os painéis dos carros eram metálicos) que faziam sucesso nos anos 1960/70 tinham a fotografia dos filhos (que ficavam no lugar do São Jorge, no exemplo acima), junto da inscrição “Papai não corra”.

Onde eu quero chegar é no seguinte ponto. No começo da carreira de piloto, muitas vezes as oportunidades que surgem apresentam um nível de segurança bastante precário, mas que para um sujeito jovem, com uma percepção de risco mais “elástica”, pode até ser aceita. Todavia, para alguém mais velho, especialmente com filhos, essa percepção de risco é mais rígida, o que resulta numa diminuição das possibilidades profissionais no fim das contas. (Vejam bem, eu não estou incentivando ou justificando as operações mais arriscadas, somente descrevendo algo que se vê na prática, no dia a dia da aviação).

Então, para quem é mais velho, acho que cabe uma reflexão sobre o apetite de riscos que se tem versus o tipo de aviação que existe onde se pretende trabalhar. Há determinados locais, notadamente no Norte do país, onde a segurança de voo é encarada de uma maneira muito peculiar – coisa que, para um rapazote pode ser até desafiador. Mas para um quarentão, pai de família, pode ser que esse tipo de ambiente não tenha tanta graça assim (não sei se estou me fazendo entender…).

Concluindo

Com uma boa reflexão quanto a estes três pontos acima, acho que a pessoa fará mais por si do que ficar pesquisando os limites de idade nos processos seletivos das companhias X ou Y. Porque eu acho que essa história de idade na aviação tem mais a ver com autoconhecimento do que conhecimento sobre o mercado, no fim das contas…

 

54 comments

  1. Henrique Oliveira
    5 meses ago

    Olá, tenho 43 anos,mas só agora, tenho à liberdade financeira para realizar meu sonho de ser piloto profissional, então,não dou ouvidos a comentários x ou y,e sim,olhar para frente e ter foco,afinal,nada é impossível quando se coloca Deus em primeiro lugar na sua vida ,pois em Salmos 37:5 Ele diz…Entrega os teus caminhos ao Senhor, confia nEle e o mais Ele fará.

    • Lucas
      5 meses ago

      Muito bom. Tenho 23 anos e to achando que to ficando pra trás por estar construindo minha vida ainda rs!

  2. Antonio Coutinho
    6 meses ago

    Li aqui um pouco de desestímulo para os mais velhos que querem ser aviador.Sonho é sonho e não acho que a distância ou uma mochila com três cuecas sejam difíceis de se vencer.

    • Raul Marinho
      6 meses ago

      Quem realmente quer ser aviador não precisa de “motivação” nem sofre com “desestímulo”. Mas há um mundo real em que se tem que pagar as contas, em que há pressões familiares, etc. – que, por vezes, transformam o sonho em pesadelo. É sobre isso que trata o post.

      • Neiva Santana
        5 meses ago

        Com certeza!
        Me identifiquei muito com o post. Tenho 31 anos, sou casada e tenho dois filhos. Ser piloto sempre foi um sonho, mas chegou um momento em minha vida que começou a se tornar um pesadelo, principalmente pelas pressões familiares e financeiras. Um momento em que tive que decidir qual era a prioridade, continuar minhas horas de voo ou dar entrada no financiamento da nossa casa e sair do aluguel, claro que o financiamento venceu. Não abri mão de ser piloto, pois voar está na veia, apenas tenho outras prioridades no momento. Acredito que não chegarei a ser piloto comercial, mas pra quem ama voar, o importante é estar nos ares.
        Muito bom o post.
        Um abraço!

  3. Leandro
    9 meses ago

    Olá Raul, ví vários amigos comentando que estão com tudo pronto para ser contratado por uma companhia aérea mas não ví ninguém comentar de como está o inglês. Você acha que um inglês muito bom seria um diferencial para quem está com 38 anos como eu investir para piloto. Fui comissário de voo por 15 anos e tenho um certo know-how da área mas não conseguí alguém me explicasse mais claro sobre isso, se o inglês seria um a mais… Obrigado se puder responder. Abcs!

    • Raul Marinho
      9 meses ago

      Um inglês excelente pode ser um diferencial para a aviação executiva, sim. Mas na linha aérea, o candidato com ICAO-4 vai estar em igualdade de condições com um super-mega-expert num processo seletivo.

  4. Luiz Alexandre
    1 ano ago

    Excelente texto. Obrigado, Raul Marinho.

  5. Lucas Almeida
    1 ano ago

    Olá, vejo que este post tem dois anos, mas espero que ainda recebam Feed do mesmo, pois desejo que me vejam rs!

    Voar sempre foi sonho de criança pra mim, e este sonho nunca morreu. Tenho 22 anos, sou Cabo Fuzileiro Naval, mas sempre estudei aviação por conta própria, tenho uma noiva, um apartamento que estou pagando, um carro mediano mas moro com meus pais ainda, irei casar final do ano que vem (2017). Pretendo começar o PP nesse mesmo período, ja estarei com 23 para 24 anos, com uma renda líquida de mais ou menos 3,5k pretendo administrar bem, mas o X da questão é, ainda assim, com base na breve descrição, valerá a pena?

    • Raul Marinho
      1 ano ago

      Meu caro… Quem pode responder se vale ou não a pena é vc mesmo. O máximo que eu posso fazer é te dar ferramentas para vc avaliar racionalmente as questões econômicas da sua formação. Leia o e-book “Como tirar brevê e quanto isso vai custar”.

  6. osorio
    1 ano ago

    fiz meu pp com 48 anos sem problema o céu tem espaço para todos, idade não é o problema

    • Lucas Almeida
      1 ano ago

      Excelente

    • Dedino
      1 ano ago

      Fazer PP, PC vc pode fazer com qualque idade, omproblema È conseguir emprego…

    • Patricia
      7 meses ago

      Muito bom ler isso…

  7. Rilton Vanzo
    1 ano ago

    Muito bom esses comentários Eduardo
    Eu tenho 44 anos e sempre gostei de helicópteros e piloto helimodelos
    E agora com 20 anos de profissão na área pública surje a oportunidade de me profissionalizar como PC para helicóptero na área ambiental de meu município
    Um projeto inovador por aqui, mas que vou desenvolver e também tenho essa dúvida da idade
    Será que com 44 anos vou me dar bem como piloto de helicóptero ?
    Obrigado e sucesso a todos

  8. lucas
    2 anos ago

    Quem já tiver o seu bom emprego fora da aviação
    Deve investir apenas como hobby, será muito mais prazeroso é muito mais seguro.

    O resto é pura vaidade que com o tempo tende a acabar, mas para quem ainda não é piloto profissional esse sentimento leva a achar que a única forma de ser feliz é voando.

  9. Ary Espindola
    2 anos ago

    Então….era uma vez um jovem filho de pais humildes, que muitas das vezes não tinha o que comer…esse jovem, com muita luta, se formou…e por falta de recursos na juventude colocou na cabeça que seria bem sucedido e até recorreu a sua fé! Isso aos 29 anos já tinha seu escritório e tudo ia bem (visivelmente) bem remunerado aos 12k e um suposta alegria….

    Hoje esse rapaz de 34 anos, com aparência de 26…está abrindo mão de tudo…pela paixão de pilotar um avião…de decolar e aterrissar, de se envolver nesse horizonte lindo.

    Hoje sou contador e atuo com consultoria, viajo (de carro) para varias cidades, e trabalho com diversos tipos de controles (papeis e sistemas), porém, confesso! Estou infeliz!

    Alguns meses (maio/2015) vi uma gravação no youtube de um piloto detalhando seu voo SBRJxSBGR, e simplesmente tive uma visão e fosse como se eu estivesse tendo amor a primeira vista.

    Comecei a estudar por conta própria, procurando entender o que é ILS, VOR, cartas de voo, manuseio do sistema de navegação e instrumentos de toda a aeronave. Estudos teóricos e cada dia mais me apaixono pela viação, saio na janela e quando vejo um avião sei qual a rota ele usa (parece coisa de doido)..rsrsrsrs…

    com 34 anos (2015) fui a alguns cursos e venho recebendo a triste noticia que para o mercado atual estão priorizando até 35 anos de idade para PCA e é aí que surge meu receio….tenho esposa, dois filhos, amo minha familia, e até conversei com minha esposa sobre trabalhar viajando…ela está me apoiando “em parte” (acha que é incerto)….e para alguém que desistiu de “ser” contador e de ficar retido ao estresse do dia a dia…para fazer algo que DESCOBRI SER MINHA VIDA…

    Vi uma palestra no qual o palestrante disse: “SÓ UM IDIOTA PARA FAZER O QUE NÃO GOSTA, FAZER O QUE NÃO AMA”!

    Então vamos aos fatos…tenho um carro importado que vale uns 48 mil (não penso…eu vou vendê-lo)

    Vou atuar com consultoria nesse meio tempo, onde tiro em média uns 6 mil por mês.
    Vou continuar com alguns clientes de contabilidade no qual me rendem uns 3 mil por mês…viraram amigos esses clientes….mas o restante vou e já estou dando uma bicuda para o alto e quer ter tempo livre “PARA VIVER” fazer o que me dá prazer….(aviação)….

    Hoje tenho um sistema de simulador de voo do FLIGHT SIMULATOR X….piloto alguns CESNAS…mas sou acostumado com os 737-800.

    Meu medo está em não conseguir um mercado para atuar daqui uns 2 anos no máximo…pois…estou certo que não quero mais fazer o que faço!

    CONTABILIDADE, PÓS em Tributário, Previdência, Gestão de Pessoas….e etc…nada disso me traz prazer….

    Eu só me vejo e sonho todas as noites pilotando uma aeronave….QUEIRA DEUS!

    E quero saber se mesmo com uma remuneração de baixa a idade vai me atrapalhar para pilotar comercialmente…Meu cronograma de formação:

    TEORICA – 5 meses
    PRÁTICA – por mês investir em média 5 horas de voo o que totaliza em media 2.500,00 em 10 meses concluo.

    depois vem a TEORICA PCA – 5 meses
    PRÁTICA – por mês investir em média 2 horas de voo o que totaliza em media 1000,00 em 10 meses concluo….espero em breve trazer mais e boas novidades….DEUS nos abençoe…e que tenhamos força e coragem para seguir em frente (sempre em frente – Legião Urbana).

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      Essa questão de idade é muito relativa. Em 2010, eu vi um sujeito de 52 ser contratado como copila na Gol e um de 49 pela Azul. Hoje, independente da idade, está difícil qualquer coisa na aviação (ou fora dela). A TAM tem a tradição de não contratar os com 35+ anos, mas se o mercado bombar, duvido que eles não contratariam. Já na aviação executiva, a pouca idade é que pode ser um problema. E para quem tem um bom QI, muita ou pouca idade são absolutamente irrelevantes…

    • Alessandro
      2 anos ago

      Você escreveu exatamente o que eu estou pensando nesta última semana. Tenho 29 anos, a mesma motivação que voce e um “problema” a mais: ta todo mundo contra a minha ideia.
      Pretendo ingressar no curso teórico semestre q vem.
      Boa sorte e sucesso a todos nós!!

    • Bruno
      1 ano ago

      Amigo, siga meu conselho.
      Tenha fé em Deus e pense pelo menos 1 ano para tomar tal decisão, nesse período frequente aeroclubes, converse com pessoas, conheça piloto e viva a realidade do mercado.
      Se existisse estatística para tal eu apostaria em 98% de chance de fracasso.
      Faça como eu, hoje com 29, continuarei no meu trabalho normal, mas estudo para PP, vôo quando posso, em breve farei a teórica…Para facilitar vou sugerir um passo a passo.
      1 – Tire seu certificado médico aeronáutico (vai que por qualquer motivo esse sonho já acaba aqui).
      2 – Faça o curso teórico de PP (nesse tempo conhecerá pessoas da área mais de perto e saberá distinguir quais opiniões são boas para você)
      3 – Passou? Parabéns, comece suas aulas práticas na medida que se encaixar no seu tempo/bolso. E nunca, por favor, largue seu trabalho. Pelo menos, não ainda. Pense nos seus filhos.
      4 – Tornou-se PP? De novo parabéns. Agora comece as aulas de PC e repita o que fez durante o curso de PP até conseguir sua habilitação. Nesse tempo, ocorrerão coisas que farão você embasado na razão decidir qual caminho tomar.

    • Patricia
      5 meses ago

      E aí? Como está hoje? Nos atualize! =)

      • Raul Marinho
        5 meses ago

        Basta acompanhar o blog…

  10. Mauricio
    2 anos ago

    Tenho 34 anos,, comecei a me preparar para aviação aos 31, vendi um terreno por 35 mil, gastei uns 28 pra chegar onde estou com PP´/PC multi, hoje ganho 15 mil mais benefícios em uma respeitada empresa de transporte de remédios. 99% das pessoas e familiares foram contra minha decisão de me tornar piloto. Ainda bem que não liguei pra idade nem pra pessoas negativas e somente segui meu sonho.

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      Parabéns, Maurício! Por favor, descreva como vc fez para realizar toda sua formação com menos de 1/3 dos recursos qua maioria gasta, e ganhar mais que o triplo de um copiloto de companhia aérea! Isso merece um post exclusivo!

    • Lucas Almeida
      1 ano ago

      Amigo, excelente visão. A frase que resumiu o seu post foi a ultima! ”…somente segui meu sonho.” Parabéns!

    • Thiago
      8 meses ago

      Que perspectiva positiva! Estava precisando.

  11. Serge Elie Barbier
    3 anos ago

    Obrigado Raul!!

  12. Fernando
    3 anos ago

    oi pessoal boa tarde,tenho 33 anos,após ter lido vários comentários do pessoal venho a falar sobre o meu sonho pela aviação e o que estou fazendo para tornar isso possível.
    Atualmente tenho uma pequena lan house de onde tiro alguns trocados para voar o meu PP é o que estou voando agora, mas só isso não basta para voar então faço free lance de garçom aos finais de semana para poder custear as horas de voo.
    Fiz o enem em 2012 e ganhei uma bolsa de estudos de ciências aeronáuticas na PUC RS,onde estou cursando atualmente o curso tem duração de 3 anos,estou praticamente no 3° semestre por que não faço todas as cadeiras o horário de estudo é integral aulas manhas,tarde e noites,revezo com a lan house e voos nos finais de semana além do meu free lance,é como o pessoal comenta espero ser piloto estou lutando para isso,pois não tenho certeza se conquistarei meu espaço no céu,mas vou tentar admiro a todos que de alguma forma contribuem com sua experiência na aviação. Se alguem quiser me dizer alguma coisa,ficarei grato um grande abraço.

  13. Samuel
    3 anos ago

    Olá a todos !

    Estava precisando encontrar um post como esse…Muito bom mesmo ! Gostaria de expor um pouco minha história e ao mesmo tempo buscar opiniões maduras sobre a fase atual que me encontro…

    Tenho 43 anos, casado, sem filhos. Sempre gostei de aviação desde criança e como grande parte dos que aqui se encontram só pude realizar meu sonho de voar há alguns anos após ter o capital necessário. Chequei o PP em 2009 e por razões de trabalho (viagens e mais viagens) acabei nunca mais voando…(nem nos fins de semana).

    Fui demitido há 20 meses atrás e não consegui retornar ao mercado até então na área que tenho muita experiência (e que honestamente já estava um pouco cansado de atuar). Tenho conseguido sobreviver graças a uma reserva e pelo fato de minha esposa trabalhar (porém sai mais dinheiro do que entra, mesmo com todas as economias possíveis). E se alguém aqui já passou longos períodos sem trabalhar, sabe do que estou falando.

    E por não conseguir nenhuma oportunidade, decidimos juntos na metade de 2014 que seria a hora de repensar seriamente na aviação como carreira. Voltei a voar para re-checar meu PP e me inscrevi numa turma teórica de PC. Fui aprovado recentemente e estou apto para fazer as provas da ANAC. Nessa reserva que comentei já inclui-se o PC/IFR/Multi.

    Confesso que por ser casado, estar desempregado, ter 43 anos, etc., tenho muito “medo” (ou precaução) de investir 70% dessa reserva numa nova carreira na qual ainda ficarei um bom tempo até ter alguma oportunidade (baseado no comentário da maioria dos colegas). Tenho alguns amigos pilotos que me incentivam e faço meu network…

    E nessa semana minha cabeça entrou em parafuso chato: Estava pesquisando onde checar meu PC quando recebi uma proposta tentadora de uma oportunidade de emprego ! A chance de poder voltar a pagar as contas, planejar o sonhado filho, poder ter uma viagem de férias, dormir melhor…Ainda não dei resposta se aceito ou não, pois ao mesmo tempo estou confuso se mantenho o foco na aviação haja o que houver ou se retorno ao mercado pelo bom salário e benefícios…

    Agora não tenho mais sono pois não consigo resolver a equação…

    Abraços, um Feliz Natal e ótimo 2015 !!

    • raulmarinho
      3 anos ago

      Caro Samuel,

      Na qualidade de um profissional de quase 47 anos que começou a pilotar com 40, eu te aconselho (já que o que vc quer é um aconselhamento) firmemente a aceitar a proposta e voltar a ganhar dinheiro. Depois que vc começar a trabalhar, vc até pode retomar o seu PC, e ir fazendo umas horinhas de voo aos finais de semana, nas férias, etc. Mas recusar a oferta para investir suas economias num curso de PC contando com uma futura renda como piloto seria a pior escolha que vc poderia fazer na sua vida.

      Abs,

      Raul

      • Thiago
        8 meses ago

        Também acho, o ideal seria conciliar o seu trabalho, que é a renda, voltar a dormimr e investir no seu PC…

  14. Manoel Bastos
    3 anos ago

    Olá amigo!
    Eu li sobre a idade permitida para poder entrar na aeronáutica e não entendi, eu tenho 26 anos estou preste a fazer 27 anos. O que faço? quero entrar na aeronáutica de qualquer forma e não sei o que fazer será que se eu fazer um curso de piloto particular pode me ajudar?

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Sobre a idade: verifique no edital. Sobre ser piloto civil ajudar: não, não ajuda.

  15. Ricardo
    3 anos ago

    Raul,

    Parabéns!

    No PCH o cenário e o mesmo? No exterior e muito complicado de se colocar no mercado?

    Abraços

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Tks! Sim, mais ou menos a mesma coisa…
      Para se colocar no exterior (nos países que concedem vistos de trabalho sem maiores problemas, basicamente África, Ásia e Oriente Médio) é muito importante ter experiência prévia, e é aí que a coisa engasga…

  16. andre
    3 anos ago

    ola. sou iniciante em pp. Gostei das dicas.
    preciso de horas de voo para fazer a prática. sebe -se de alguem que troca as horas por um prisma 07/08 completo

    andrelccb@hotmail.com

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Acho uma péssima idéia vc querer trocar um carro por horas de voo, pois seu risco com o aeroclube/escola aumentaria muito. Venda o Prisma e pague suas horas de voo em dinheiro, que vc vai fazer muito melhor negócio.

  17. amgarten
    3 anos ago

    Excelente o texto, Raul! Igualmente excelentes os comentários, os testemunhos dos colegas.
    A aviação, especialmente o mundo dos aeronautas, é um mundo à parte, diferente do dia a dia e da realidade das pessoas “comuns”. Isso, além do que já foi comentado, dificulta ainda mais na conquista do sonho, tendo em vista que o apoio de familiares e próximos é fundamental, e se as pessoas não entendem este “mundo à parte”, a coisa complica.
    Em adição a tudo o que os colegas disseram (muito bem) aqui, eu diria para os sonhadores expandirem seus horizontes. Se você já é bem sucedido, tem família e tudo, e não quer largar tudo por uma aparente loucura, pense em voar planadores, por exemplo. Planador é sensacional, é voar como os pássaros, como dizem, e não é caro (nem tão burocrático) para se obter a licença quando comparado ao PP avião.
    Se estiver com boa reserva financeira, pense em helicóptero. Para voar estas máquinas, o preconceito de idade não pesa tanto quanto para a asa fixa.
    Sobre a questão da idade X linha aérea, curioso que até há algum tempo atrás os gestores das linhas aéreas alegavam que a idade dificultava porque a empresa precisava investir muito dinheiro e tempo no treinamento dos tripulantes e então ficaria mais difícil diluir estes custos para um profissional que iria “render” uns vinte e poucos anos até a aposentadoria. Em anos recentes temos assistido empresas contratando, gastando com treinamento, etc., para logo em seguida promoverem grandes cortes deste mesmo pessoal recém contratado… Oras, tem alguma coisa errada aqui! Mas enfim, este é o mercado.
    Boa sorte a todos!

  18. O medo costuma nos impedir de colocar nossa vida em risco. Isso é particularmente saudável quando se traduz em maior zelo pela segurança aérea. Porém o mesmo medo, na medida errada, nos impede de fazer coisas que, por outro lado, seriam muito boas para nós. É o que observamos desde no passageiro mais temeroso, que perde até oportunidades de negócio por medo de voar, até em nós mesmos, que podemos desistir de um objetivo de vida por puro medo.

    Riscos de fato existem, mas o que temos a perder? Steve Jobs costumava dizer que a certeza da morte o libertava do medo de tentar planos mais audaciosos. E como o próprio mercado financeiro ensina, ganhos maiores estão SEMPRE associados a riscos maiores. Não é questão de lançar-se inconsequentemente de peito aberto aos perigos. Estou começando na aviação aos 37 anos, quando finalmente tive a oportunidade. Sei que posso ter poucas chances nesse mercado, até porque planejo dar meus passos de acordo com o tamanho da perna. Mas prefiro me arrepender de haver tentado, do que me arrepender por NÃO ter tentado. Na “pior” das hipóteses, terei me tornado piloto, que é o meu sonho acima de tudo.

    Deixar de tentar a sorte em troca de “estabilidade”, de “garantias”? Desistir de algo que pode me fazer mais realizado, ainda que não se traduza em uma nova carreira? Respeito quem decida por isso, mas ao menos para mim, não é uma opção em pauta.

    • Tarcísio Neto
      3 anos ago

      Muito bom Luiz Claudio, Faço de suas palavras a minha !!! Siga em frente pois o futuro a Deus pertence. Não devemos nos preocupar com isso pois quem se encarrega disso é Deus, temos apenas que fazer nossa Parte.

  19. Luciano
    3 anos ago

    Raul,

    Bem como todos os posts, esse tem um valor imenso por trartar a coisa com uma realidade cristalina. Eu hoje sou executivo de empresa multinacional, com a “estabilidade” tal comentada aqui e sou um infeliz profissional.
    Imagino que todas as carreiras tem os pros e contras, mas as que te saltam aos olhos e como disse o Raul, aquelas que voce ja foi mordido pelo bichinho, trazem o prazer como acessorio.

    Valeu raul.

    Abraco,

    Luciano

  20. Thiago
    3 anos ago

    Me vejo nessa situação também. iniciei com 30 anos, tenho hoje 32 e PP apenas. Sempre pensei em linha aérea, uma paixão mesmo…..Por outro lado, como disse um colega acima, “paixão”, “vocação”, não pagam as contas. Vem o casamento, filhos e ai as coisas tendem a ficar mais difíceis (o risco falado acima pelo Raul).
    Uma das coisas que mais têm me feito pensar é em relação à falta de estabilidade e segurança quando chegar aos “sessenta”. O que mais tenho visto são pessoas que tiveram bons empregos quando mais jovens e hoje dependem praticamente do INSS. Logo, têm essas pessoas que trabalhar um pouco mais pra complementar renda…..
    Digo isso pois sou empregado público e tenho, além de um salário razoável, estabilidade. Tenho pensado hoje, quando chegar nessa idade….Enfim, o melhor será manter e ir aos poucos e, quem sabe, lá pelos “sessenta” consiga voar (com o meu avião ou o de alguém)…..Acho que esta é a posição mais coerente…..
    Pra quem está na mesma situação, calma, paciência e bom senso não fazem mal a ninguém.
    Abraços a todos!!

  21. Henrique
    3 anos ago

    Chamaram-me de louco, mas não podem falar isso antes do final dessa história. E o que tenho para contar até o momento, é somente a primeira metade – ou menos da metade.

    04 anos: morando em uma cidade próxima à Goiânia, via todos os dias, várias vezes ao dia, aviões passando por sobre minha casa. Ao escutar o barulho dos motores, saia correndo para o quintal, olhando para o céu e gritando “joguem um presente para mim”.
    13 anos: meu primo entra para a aeronáutica e eu vejo que estar “próximo” a um avião talvez não seja muito difícil.
    14 anos: fico sabendo do concurso da EPCAR. Estudo como posso, da forma que consigo, mas infelizmente a escola pública não dava a base necessária. E obviamente não fui aprovado.
    17 anos: tento me alistar na aeronáutica onde haja quartel, mas por uma “recomendação” dos meus pais, sou impedido. Fiz o alistamento em uma cidade do interior e consequentemente fui dispensado. Ainda com 17 anos investigo, sem apoio nenhum e de nenhuma forma, como ser piloto, e descubro que no Brasil inteiro existem somente 3 faculdades de Ciências Aeronáuticas. Faço vestibular em uma das mais conceituadas, passo e… espero a realização de um milagre – conseguir me sustentar na cidade grande e ainda pagar o curso e as horas. Tempo esgotado, perco o prazo e ainda escuto: isso é curso para gente rica. Vá tentar estudar outra coisa, quem sabe algo que dê mais dinheiro.

    Dali em diante fiquei de mal da aviação. Se não era para ser ali, não seria nunca mais.

    Até que…

    27 anos: na mais profunda tristeza e frustração, sou incentivado por uma amiga a correr atrás do que sempre quis. Refaço o rumo da minha vida. Troco um carro zero, recém adquirido, por um com mais de 20 anos. Pego o que restou de dinheiro e mais um pouco emprestado e checo o PP, ao mesmo tempo em que trabalho na área de minha “formação”.
    29 anos: chego a um cargo com salário líquido de 13K, mas vejo que ou eu acabava com aquilo, ou aquilo acabaria comigo. Decidi me dedicar de vez à aviação, e somente à aviação. Saí do emprego, vendi tudo – inclusive o carro com mais de 20 anos – mandei a namorada/esposa para a casa dos pais e estou indo voar o PC, morar em aeroclube até checar.

    Essa é a primeira parte. A segunda só com o tempo para eu contá-la e ver se quem me chamou de louco realmente tinha razão. Tomara que não. Eu acredito que não.

    • Erick
      3 anos ago

      Você sou eu? Exatamente tudo que aconteceu comigo, desde os “conselhos” dos pais, o vestibular, etc. Hoje sou advogado e a cada dia mais decepcionado com a profissão, tenho 32 anos e me falta coragem para tomar a decisão que você tomou.

  22. Lucas M.
    3 anos ago

    Minha quase experiência neste mundinho de ilusões chamado “aviação comercial”:

    Quando terminei meu PP, tinha 32, meu filho nasceu. Fiquei um ano trabalhando só juntando grana e cuidando do meu filho. Acabei o PC quando ele completou 1 anos. Fiz INVA, Jet e etc… Mas não arrumei nada desde que terminei tudo à exatos 1,5 anos. Hoje estamos esperando o 2º filho. E até agora, nenhuma oportunidade que valha a pena, largar minha atividade comercial, nem pensar. É o que eu tenho, é meu negócio e ninguém tira.

    Meu sonho era ser piloto de avião, este eu realizei. Tenho bastante vontade de trabalhar no ramo, mas sonho não paga conta, e se tudo der certo, em 10 anos ou menos, compro meu avião. Voarei como quiser, com quem eu quiser e para onde eu quiser. Comandar aviões hoje, é mais indicado para a gurizada mesmo.

    A formação é um investimento bastante arriscado. Tenho vários conhecidos, que se desfizeram de terrenos e casas, uma loucura. E hoje, um deles, vende traquitanas do paraguaí para comprar o almoço e a janta.

    Gasta-se 80K por exemplo, e em 12 meses, tuas habilitações já não servem para nada. O custo de oportunidade de capital não tem perdão.

    Portanto, se você já tem 36… pense e repense.

  23. Ernesto Lippmann
    3 anos ago

    Muito bo o seu post, parabens!

    Que tal um novo ” tenho 50 anos, quero voar, mas não ser aviador, como fazer?”É o que estou fazendo, um curso de ultra leve em Rio Claro, e já prometo que quando fizer o solo, faço questão de fazer um post para voce. narrando a minha experiencia, que é um outro lado, alguem que gosta da aviaçao e de voar, mas não está pensando em largar o seu emprego, e tampouco sou rico o suficiente para comprar um cirrus.

  24. Fico feliz em ler este post e os comentários! Pelo menos sei que não estou ficando louco, ou pelo menos não estou ficando louco sozinho. Minha primeira filha deve nascer até a próxima segunda feira, e estou batalhando pra fazer horas pra tirar carteira de PC! Mas faço minhas as palavras do comentário do Enderson: quem pode criticar um sonho? Deixo como sugestão o link para a palestra de Larry Smith, se é que já não assistiram: http://www.ted.com/talks/larry_smith_why_you_will_fail_to_have_a_great_career

  25. Fernando
    3 anos ago

    Raul,

    Obrigado por escrever novamente sobre isso e pela maneira sincera com que compartilha suas ideias no blog, é de grande valia a todos.

    Sucesso.

  26. Eduardo Ruscalleda
    3 anos ago

    Raul,

    Você realmente tem uma visão bem ampla da situação e da carreira na aviação. Exatamente tudo o que você escreveu é mais do que pertinente, é fundamental. Digo isso porque tirei as minhas carteiras à 1 mês e estou em fase de adequação financeira para iniciar a carreira, levando em conta exatamente o que você colocou neste post. Tenho 38 anos, minha esposa tem uma bela carreira na Medicina, temos um filho de 8 meses e um pouco de folego para suportar um período curto de vacas magras… Mas situações como morar em uma fazenda longe da família ou voar em condições inseguras… Pesam e muito na decisão de aceitar ou não uma oportunidade, quando essa surgir, é claro, pois no momento o mercado está bem complicado. Faço parte de um grupo de uns 15 amigos com carteiras e desempregados, tentando buscar nosso lugar ao sol. Alguns deles estão na luta a mais de 1 ano.
    A aviação como ocupação profissional está mais ligada a viver uma paixão do que obter um bom emprego! Os mais resilientes sobrevivem e tem sucesso, e muitos ficam pelo caminho!

    Sem querer der desanimador, pretendi apenas expor a realidade atual. Pode ser que tudo mude em breve, como ocorreu no passado, mas o momento atual é apenas de esperança!

    Um grande abraço e sucesso!

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Pois é Eduardo, eu não escrevi esse artigo por inspiração divina. Eu vivi e vivo isso tudo na pele também (aliás, minha mulher tbém é médica), eu sei como é que é.
      E parabéns pelo cheque de PC! Sucesso!

  27. Enderson Rafael
    3 anos ago

    cada dia acho a questão mais parecida com o que é, para as mulheres, postergarem a gestação do primeiro filho: quando o momento parece o melhor em termos pessoais, em termos físicos já não o é. Invejo quem teve a oportunidade de começar cedo. Eu precisei de quase uma década trabalhando como comissário pra poder me formar piloto. Mas paciência, foi o que deu pra fazer com os recursos dos quais eu dispunha. Com sorte ainda tenho uns 30 anos de carreira pela frente. E mesmo se tudo der errado, eu tive algumas centenas de horas pilotando, das quais jamais me arrependerei.

    E vc foi extremamente preciso, Raul, na juventude nossa sensação de invulnerabilidade é muito maior, e conforme ficamos mais velhos vemos como erámos tolos e como tivemos sorte de ainda estarmos vivos – e por isso e por outros laços, passamos a dar mais valor à segurança de voo, o que naturalmente já nos tira quase todas as opções numa aviação como a nossa. Sobra bem pouca coisa além da linha aérea, na qual é difícil entrar com poucas horas. Enfim… quem pode criticar um sonho? Uma pena que ter um avião seja algo tão inviável no Brasil. Muita gente que conheço estaria satisfeita com essa opção.

    E quando me vi com 32 anos resolvendo investir boa parte das minhas reservas nisso, o que me convenceu a continuar foi o fato de que seu não fizesse nessa vida, faria em qual? Conheci trabalhando na aviação alguns arrependidos de terem se tornado pilotos. Mas encontrei muito mais arrependidos de não terem. Pensei em mim daqui a dez ou vinte anos e não tive dúvida. Está, a tropeços de falsas esperanças, decepções sistemáticas, e uma obstinação sólida, indo. Nosso meio é cheio de apostas (em especial na linha aérea, onde praticamente só se cresce na carreira quando a companhia cresce também), e fiz as minhas. Vamos que vamos. Até poderia ter sido fácil. Mas não foi. Porque o que depende da gente a gente faz, o que não depende, só nos resta lamentar e nos reinventar toda semana para continuar com a chama acesa num mundo repleto de extintores de incêndio.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Muito boa essa analogia da mulher grávida! Agora, imagine a piloto que, além de ter que administrar as questões do salário, da mobilidade e da segurança de voo, também tenha que coordenar o momento de engravidar com a carreira na aviação! Talvez seja por isso que haja tão poucas pilotos, né?

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