A preocupante notícia sobre o cancelamento de contratos de operação de helicópteros no Pré-Sal pela Petrobras

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A revista Aeromagazine publicou ontem (07/12) em seu portal uma matéria que não poderia ser pior para a empregabilidade de pilotos de helicóptero: “Petrobras cancela contratos para operação da maioria dos helicópteros usados no pré-sal – Medida afeta todos os táxis-aéreos envolvidos no transporte de passageiros e cargas para as plataformas de petróleo; estatal não confirma a informação“. Como diz o próprio subtítulo, não há confirmação do fato por parte da Petrobras, mas tampouco a empresa nega – e, de acordo com a reportagem, “interlocutores do setor informam que a maior parte dos táxis-aéreos já emitiu notas internas informando a situação atual”. Como se diz na minha terra: “se o povo diz que a égua é malhada, pelo menos uma pinta ela tem”… Ou seja: deve haver mesmo um grande volume de cancelamento de contratos de operação de helicópteros pela Petrobras no início de 2016 com consequências muito negativas para o mercado de trabalho, só não dá para afirmar o que significa exatamente essa “maioria dos helicópteros” que a reportagem cita. Assim que conseguir mais detalhes, volto a escrever sobre este assunto.

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Atualização (08/12): A reportagem diz que “a empresa não vai renovar os contratos de operação de maior parte dos helicópteros de grande porte utilizados no transporte de passageiros e carga para suas plataformas de petróleo e campos de prospecção no pré-sal”. Como os principais TIPOs de helicópteros de grande porte utilizados no Brasil são o SK92 (Sikorsky-92A) e o Ec25 (Eurocopter-225LP) – respectivamente com 26 e 16 unidades matriculadas no país como TPX, de acordo com o RAB -, teríamos 42 unidades sendo desativadas com o cancelamento da renovação destes contratos. Com uma média setorial de 5 pilotos por aeronave, isso significa que 210 pilotos poderiam ser afetados, mais aproximadamente a metade deste número em termos de comissários de voo (os modelos de grande porte requerem um comissário e dois pilotos por aeronave). Existe a possibilidade de que modelos de médio porte, como o Sikorsky-76A e C e Agusta-139, venham a ser agregados para substituir os equipamentos de grande porte que estariam deixando de operar, o que poderia reduzir a quantidade líquida de pilotos demitidos com este cancelamento de contratos. Isto significa que o número final da redução de pilotos deverá ser inferior aos 210 citados – mas, de qualquer forma, a perspectiva é negativa para o mercado de trabalho de pilotos de helicóptero do Brasil, que precisa urgentemente da abertura de mais vagas de trabalho para se reequilibrar, e qualquer volume de demissões é sempre péssimo na atual conjuntura.

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Atualização (09/12): A revista Aeromagazine editou a matéria acima referida, e agora apresenta um sub-título em que afirma que “a Estatal [Petrobras] não pretende renovar contratos de operação de pelo menos 30% das aeronaves envolvidas no transporte de passageiros e cargas para exploração e prospecção de petróleo”. Não é mais “a maioria” dos contratos, como a publicação afirmou inicialmente, mas ainda assim é uma parcela significativa da frota, sem dúvida. A notícia permanece sendo péssima para o mercado de trabalho de pilotos de helicóptero, mas pelo menos deixou de ser cataclísmica…

 

12 comments

  1. Estou me formando PCH agora, e fazendo o teórico do INVH. Mas já desisti de fazer o prático do INVH, e na verdade vou voltar à Engenharia, que está com algumas oportunidades interessantes.

    Não vejo recuperação das asas rotativas no horizonte, e o pouco que ocorrer nos próximos 1 ou 2 anos não deverá absorver o excedente de mão de obra. Tem MUITO piloto/instrutor desempregado, e muito instrutor com mais de 1000 horas esperando uma vaga na executiva.

    Tenho a impressão de que o setor vai passar por um longo e doloroso ajuste. Mesmo com a recuperação da economia (há uma leve reação no setor de tecnologia, e o agronegócio segue forte), jamais vai voltar aos níveis de 2011/12.

    Vou seguir voando por conta, pra não perder a proficiência e as licenças, mas acho que vou manter a aviação como um hobby ocasional, do tipo, 1 hora por mês e estamos conversados.

    Ganhar para voar? Seria muito show, mas não vejo isso acontecendo… :(

    Abraço a todos!

    Ps: estou tentando enviar de novo, desculpem se ficou duplicado!

    • Lage
      2 anos ago

      CMTE Maldonado, estou exatamente no mesmo barco que o seu. Já voltei a minha cabeça para TI uma vez que não vejo nada no horizonte. Você usou a palavra Hobby, quem dera eu pudesse mesmo fazer da aviação um Hobby, a minha ultima carteira do ICAO estará vencendo em 2016 e não tenho $$$ para seguir investindo.

  2. Fábio Junior
    2 anos ago

    Raul, como todos sabemos a economia do país está fraca, é consequentemente a aviação também não está em seus melhores dias. Se considerarmos a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff o que aconteceria com a aviação? Quero dizer, se ela cair e o Michel Temer assumir, como a Aviação Civil reagiria? Para nós da Aviação(obs: sou apenas estudante ainda rsrs… ) seria interessante a troca de governo?

    (Detalhe: não quero criar uma discussão partidária, apenas entender como o nosso mercado funciona em crises).

    • Marco Véio
      2 anos ago

      Fabão! desculpa, não lhe conheço! Não sei nada sobre sua vida e situação financeira da sua família. Mas aqui vai um conselho: Faz medicina, ajude muitas pessoas e compre um avião.
      Abraços.

      Sobre o assunto: Demitiram um velho amigo que operava em um S-76A. Semana passada. O cara era só um Comandante com mais de 20.000 Horas.

      • Batistaca
        2 anos ago

        Opa Marco Véio tudo bom? Meu amigo negocio ta tão ruim, que eu tenho dois amigos medicos FORMADOS e com especialização que estão se mudando do brasil pq aqui ta ruim, um deles já foi demitido da clinica por falta de verbas, tenho amigo dentista que tem um consultório proprio so paga o aluguel da sala, esta tendo que fechar as portas pois não ta tendo pacientes. Quero dizer com isso que todas as profissões estao em crise, eu nunca vi isso em 29 anos de vida, eu acabei de me formar em PCH/IFRH e estou no mesmo barco que voces e pior não tem previsão pra melhorar.

        • Marco Véio
          2 anos ago

          Sim, nos grandes centros está saturado de médicos, engenheiros e advogados. Tá ruim mesmo, salários em baixa. Mas no interior do Brasil a coisa muda, principalmente para profissionais da saúde. Agora para os pobres pilotos, não tem lugar que não esteja ruim ou péssimo. E não me refiro somente a vagas, mas também a qualidade dos empregos. Sindicato só enche o saco das CIAs.

          • Raul Marinho
            2 anos ago

            O que vc acha que o SNA deveria fazer para resolver esse problema de quantidade e qualidade das vagas na aviação geral?

            • Marco Véio
              2 anos ago

              Oi Raul, quanto a quantidade não vejo o que sindicado algum resolver. Isso é ditado pelo mercado. Mas qualidade é olhar mais para aviação geral. Principalmente instrução. E quanto ao trabalho juntos aos trabalhadores da CIAs, não deixar o salários achatarem tanto. Lembro que um cmte de ponte a uns 15 anos ganhava entre 25 e 30k. Hoje é metade disso. Quanto ao famoso “não podemos pagar mais que isso” Deem a sugestão das empresas pararem com essa política de concorrer com Busão.
              Outra sugestão, queria ver o SNA chegar mais junto, ser parceiro do Projeto Aviador.
              Por enquanto é isso!

              • Raul Marinho
                2 anos ago

                Então, Marcos, mas o que vc entende por “olhar mais para aviação geral”? Que ações vc sugere que o SNA faça?
                Há um enorme entrave para que o Sindicato possa atuar melhor na aviação geral, que é a informalidade trabalhista neste segmento. Sem contrato de trabalho (CTPS), não há como aplicar a CCT, que é o instrumento jurídico básico que o SNA tem para agir. Fora isso, é tentar negociar diretamente com os empregadores ou, nos casos mais graves, denunciar ao MTE e/ou MPT. Temos cerca de 30 casos desses em andamento neste momento na aviação geral, tanto de operadores da aviação executiva, quanto de aeroclubes/escolas.
                Lembra da ação de fiscalização do MTE na Pampulha? Então, isso é o tipo de ação que visa combater a informalidade, mas que depende da boa vontade do MTE.
                Lembra do decreto da Prefeitura de BH restringindo a instrução? Pois é, foi o SNA que entrou com ação contra.
                E as novas emendas ao RBAC-61 e 91? Estamos trabalhando muito nisso também.
                Neste ano, estivemos em mais de 20 cidades no SNA Itinerante, fazendo atendimento aos aeronautas, tirando dúvidas, dando palestras…
                Enfim, tem muita coisa sendo feita, sim.
                E qto ao projeto Aviador, está sob minha responsabilidade. Só não andou mais porque eu estou precisando dar prioridade às reformas dos regulamentos.
                Abs,
                Raul

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      Putz… Aí eu teria que ter um blog inteiro só para tratar deste asssunto!

  3. Lage
    2 anos ago

    Essa notícia confirma o que já havia recebido via “What’s up” de um piloto influente no setor, ou seja, a Líder já havia demitido 17 esse mês e para Janeiro mais 30. Infelizmente, me formei numa época ruim sem precedentes na asa rotativa, alguém discorda ?

  4. Batistaca
    2 anos ago

    Eu avisei tanto pra peãozada não votar no 13, mas não quiseram me ouvir, agora NòS PILOTOS que temos que pagar a conta. E esses mesmo peões continuam apoiando o atual governo.

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