ABEAR julga que salários de R$35mil para pilotos são “apropriados para o exercício da função”. Excelente! Pergunto: quantos pilotos ganham esse valor no Brasil? Será que a maioria está recebendo remuneração “inapropriada”?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A Folha de São Paulo, como usualmente faz aos sábados, propôs um debate sobre um tema polêmico, sempre por meio de uma pergunta proposta a duas pessoas com visões antagônicas sobre a questão – e, desta vez ela foi “Projeto de lei dos aeronautas vai beneficiar a aviação no Brasil?“. Respondeu “Não – Proposta compromete o setor” o presidente da ABEAR-Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Eduardo Sanovicz; e “Sim – A Segurança de voo não pode esperar“, Tiago Rosa Da Silva, comandante de linha aérea e diretor do SNA-Sindicato Nacional dos Aeronautas. Se você for assinante do jornal ou do UOL, pode acessar os respectivos artigos aqui (e se não, consegue lê-los em portais de clipping como este).

A discussão é interessante e oportuna, uma vez que foi nesta semana que o CENIPA divulgou o Relatório Final sobre o acidente que vitimou o então candidato a presidente Eduardo Campos, e um dos fatores contribuintes apontados foi justamente a fadiga (em minha opinião, agravada pelos fatores gerenciais da operação – vide aqui). Mas o que gostaria de debater neste espaço é um pouco diferente da questão da fadiga em si – que foi a proposta do jornal -, e sim as declarações feitas pelo presidente da ABEAR.

Em primeiro lugar, este trecho:

“Convidamos a sociedade brasileira a refletir sobre isto: no ano que passou as empresas fundadoras da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) tiveram um deficit de caixa superior a R$ 7 bilhões, quantia que pode chegar a R$ 12 bilhões neste ano se o dólar ultrapassar a barreira dos R$ 4,40”.

Isso é grave, sim! Porém, o que o acima exposto tem a ver com um Projeto de Lei? Ora, se a Lei não está em vigor, como é que ela influenciaria nos resultados negativos apontados no ano passado? Poderíamos debater se o combate à fadiga poderia impactar o caixa das empresas no futuro, mas o caso é que para 2015 esse impacto foi zero, certo?

Mas isso é o de menos, o absurdo maior vem a seguir:

“Defendemos e praticamos políticas salariais que remuneram pilotos em até R$ 35 mil por mês. Julgamos que esses valores são apropriados para o exercício da função”.

Para começo de conversa: o que tem a ver um piloto ganhar R$35mil com a fadiga a que ele está exposto? Se ele ganha bem, então que aguente, será isso? Altos salários inibem fadiga, por acaso? É claro que esta informação não passa de manobra diversionista, num momento em que a categoria dos aeronautas se encontra em estado de greve, mas já que o presidente da ABEAR entrou no mérito, a pergunta é: Se a ABEAR julga que salários de R$35mil para pilotos são “apropriados para o exercício da função”, e sabemos que uma parcela ínfima dos aeronautas recebem tais salários, pergunto: quantos pilotos ganham esse valor no Brasil? Será que a maioria está recebendo remuneração “inapropriada”?

2 comments

  1. Marco Véio
    12 meses ago

    35k? E ele acha um baita salário!? Dá um pouco mais de US8000,00. Uma b@st@ de remuneração. Vejam as exigências, equipamentos que muitas vezes custam centenas de milhões de dólares. Cada pérola!

  2. Quem será o paquiderme que soltou essa “argumentação” (soa mais como insulto à inteligência da maioria)??? Fica difícil dialogar com quem já chega chutando o balde e desviando o foco. É quase como tentar dialogar com o pessoal do PT & Agregados…

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