O aeroclube que virou viaduto

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Foi inaugurada na semana passada no Recife uma colossal obra viária denominada “Via Mangue”, ligando o Centro à Zona Sul da capital de Pernambuco. Só que o nome poderia ser “Via Aeroclube”, já que parte dos viadutos foram construídos sobre o espaço que antes era ocupado pelas instalações do Aeroclube de Pernambuco. Assim, pelo menos haveria um ressarcimento moral pelo despejo da instituição que ali funcionava desde 1940. Porque o ressarcimento econômico não aconteceu – e, ao que parece, está complicado para acontecer, como mostra este post do Blog do Jamildo. Mais uma mostra da importância que o poder público dá para a formação de tripulantes no Brasil.

 

 

8 comments

  1. Fred Mesquita
    1 ano ago

    Algo que eu desejaria informar sobre esta notícia. O Aeroclube de Pernambuco e os Diretores é que deixaram a situação descambar até nisso. Fui uma testemunha viva de que oportunidades não faltou para uma nova mudança de localização dessa antiga escola. A primeira oferecida pelo antigo DAC. Com projeto muito bem elaborado, maquete e tudo mais, as novas instalações seriam bem próximo à cidade do Recife e com pista maior e melhor adequação e espaço para a aviação local. O que fizeram? Deixaram de lado. Depois veio a ANAC, com uma nova proposta, maquete e tudo o que se tem direito de uma escola moderna. Preciso nem dizer que essa segunda chance foi negada. E deu no que deu. Em uma cidade em que há um campo de voo num dos locais mais caros da cidade, o m2 cotado a preço de ouro, seria certo a mudança para outra localização, mas…. toda e qualquer possibilidade de reposicionamento do ACPE fora negada pela Diretoria local.

    É como sempre se fala: onde tem peixe graúdo, peixe pequeno não bate as nadadeiras… Ficamos sem aeroclube e sem pista de aviação local para futuros empregos. Só temos a agradecer ao nosso antigo e falecido Governador do Estado de Pernambuco, o Sr. Eduardo Campos, que foi um dos que mais colaboraram para que tudo viesse ao chão.

    Um adento Raul Marinho. A inauguração que houve recentemente foi a segunda fase de uma via que já funciona ha quase 02 anos (ou mais).

    Hoje o Aeroclube de Pernambuco só existe o nome e uma pequena sala de 2×2 metros nos fundos do hangar da PM, localizado no Aeroporto Internacional dos Guararapes, e mesmo assim, só de enfeite.

  2. Eduardo
    1 ano ago

    Tendo em vista as movimentacoes profissionais que tive, passei por varios aeroclubes e posso afirmar que existem aeroclubes arcaicos e outros que nao deixam a desejar nem as melhores escolas do Pais. Como tambem presenciei Presidente de aeroclube que fez da tripa coracao, tirando ate mesmo do proprio bolso, para nao deixar o aeroclube acabar, aguardando a mais de um ano a revalidacao dos cursos da entidade por parte da Anac, vendo IAM, seguro e outros custos vencerem sem poder sair do chao, tem muito picareta na aviacao, e parece que nesse meio tem ate mais que o normal, mas vi gente muito boa, profissional tentando manter acesa a chama, mas com combustivel nas alturas, dolar extremamente alto e entraves governamentais, das prefeituras e da propria Anac realmente fica dificil, quase impossivel. Mas acredito que esse modelo realmente vai acabar, vao ficar as escolas regidas como empresas voltadas a instrucao e acredito que surgira um modelo de aeroclube em que donos de aeronaves e entusiastas se reunirao em instalacao propria ou alugada e focarao apenas no aerodesporto tal como um clube, sem foco em formar.

  3. Se a área era CONCESSÃO administrativa, o aeroclube podia bater o pé, acionar o Ministério Público, a imprensa etc. e SÓ CEDER mediante indenização PRÉVIA, JUSTA e EM DINHEIRO, diz a lei. Cobrar judicialmente essa indenização (o que pode levar 20 a 30 anos) não será tão ruim quanto uma ação embargando a obra IMEDIATAMENTE (via liminar) até o recebimento da indenização, porque o Ministério Público obrigatoriamente estaria a favor do aeroclube. Se a área era PERMISSÃO administrativa, não importa se funciona desde 1940 ou mais, pois não teria nenhuma segurança jurídica (perderia quando o Governo do PE bem entendesse). E o PBZPA, tem? Me parece – já me desculpem se estiver equivocado – que a inércia jurídica desde o início das intenções facilitou essa aberração por parte do poder público, em desfavor do aeroclube. (OAB/MT 9057).

    • Mario
      1 ano ago

      Desculpe minha ignorância mas o aeroclubes tem dono? A resposta, até onde eu sei é não. São entidades criadas numa época muito distante onde não existia mtos recursos nem meios pra fomentar a avião nacional. Foi um plano de incentivo (um “PAC” da aviação se fosse na era do PT) onde quase tudo era subsidiado (Avgas, aviões, hangares, pistas…). Não vivi naquela época mas acredito que foi um sistema que serviu bem pois hj a grande maioria dos cmtes que voam em grandes jatos comerciais no país se formou desse jeito. Hj a história é diferente. Aeroclube já era. Estruturas arcaicas, instrutores mal formados e mesmo assim “aptos” a formar outros (rs). Não conheço todos os aeroclubes do país mas os q eu tive contato são todos no mesmo esquema: uma chapa que se perpetua na administração da instituição ou até q a bomba exploda. Essa bomba pode ser um avião q cai ou o dinheiro q acaba devido aos luxos e exclusividades de seus administradores (existe um aeroclube no interior de SP que a ala de festas serve somente ao diretor de matérial e ninguém mais…). AeroBoero? Paulistinha? Pra que serve voar armas como essas? Pé e mão? Vai lá fazer coordenação de primeiro tipo no Airbus da firma, vai. Sei q aeroclube envolve uma questão de saudosismo, sonho…mas os tempos são outros e aeroclube hj, pela experiência q eu tive só serve pra arrancar seu dinheiro e abusar da sua ingenuidade. Pra mim já tinham q ter acabado todos!
      Ah! E se os aeroclubes não tem donos, pra quem iria essa indenização?

      • Mário, obrigado por comentar. Juridicamente, a União é a dona do território nacional e pode vender, alugar ou conceder a utilização de determinado espaço público. Aeroclubes subvencionados pelo Governo têm DIRETORES sujeitos às obrigações legais contraídas por contrato de direito público, mas nada impede um particular de criar seu aeroclube, desde que observadas as normas municipais, aeronáuticas etc.. Ao meu sentir, o melhor que poderiam ter feito era uma liminar embargando a obra, até que houvesse a indenização (o que muitas vezes nem “compensa” monetariamente aquilo que se está perdendo, mas lá no início, quando houve um contrato, o aeroclube já sabia dessa hipótese, embora remota). O Estado, enquanto parte contratual, não pode “tudo”, e por isso a indenização (pelo rompimento do contrato de concessão sem indenizar) é para a PESSOA JURÍDICA do aeroclube, não este ou aquele diretor. Logo, um processo desse pode demorar 30 anos, os diretores morrem, mas a pessoa jurídica não. Espero ter esclarecido a contento, e um abraço!

      • Raul Marinho
        1 ano ago

        Mário, eu posso até concordar com seu ponto de vista sobre o modelo de negócios dos aeroclubes não ser o mais adequado, etc. Mas não é essa casa-da-mãe-joana que vc pinta, também. Aeroclube é como clube de futebol: os “donos” são os associados. Imagine se a Prefeitura de S.Paulo resolve desapropriar o estádio do Palmeiras, quem deveria ser indenizado? A própria S.E.P., é claro! Mesma coisa com o ACP.

      • Marco Véio
        1 ano ago

        Mário, muito bom seu comentário. Sem hipocrisia. Só li verduras.

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