Porque a proposta das companhias aéreas de aumento escalonado é tão ruim para os aeronautas – Ou: quando 2+2 é menor que 4

By: Author Raul MarinhoPosted on
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As negociações entre companhias aéreas e aeronautas, que vêm ocorrendo desde outubro/2015, chegaram a um impasse que pode acarretar uma paralisação da categoria na próxima quarta-feira (03/02), conforme deliberação da assembleia ocorrida na última sexta-feira (29/01). O motivo, de acordo com a nota do SNA sobre o fato, está explícito neste trecho:

A categoria reivindica unicamente reajuste salarial que contemple a  reposição da inflação no período de 1º de dezembro de 2014 a 1º de dezembro de 2015, ou seja, 11% de reajuste retroativo à data-base de 1º de dezembro de 2015.

A última proposta das empresas aéreas, negada pela assembleia, oferecia reajustes parcelados (3% em fevereiro de 2016, 2% em junho e 6% em novembro). Ou seja, os reajustes não seriam retroativos e só seriam finalizados já às vésperas do vencimento de mais uma data-base, deixando a categoria sem reposição da inflação.

Parece bobagem, né? Afinal, os 11% reivindicados são iguais aos 11% oferecidos, já que 3%+2%+6%=11%. Só que não! Vejamos por que:

Vamos construir um exemplo bem simplificado, similar ao que está sendo negociado (mas não exatamente igual), para que seja possível compreender com facilidade porque 11%≠11% (ou, no caso, 12%≠12%).

No nosso exemplo, vamos assumir que o quilo do tomate é um parâmetro perfeito de medida da inflação, e que este sobe $0,01 ao mês (aproximadamente 1%) todo mês, perfazendo 12% ao ano – partindo do preço inicial de $1,00/quilo. Se assim fosse, o sujeito que ganha $100/mês poderia comprar no primeiro mês 100kg. de tomates, e se a inflação fosse zero, isso ocorreria todos os meses, o que significa que ele iria poder adquirir 1.200kg. de tomates ao longo do ano. Mas, infelizmente não é isso o que acontece, e como o tomate passa a custar $1,01/kg. no mês seguinte, $1,02/kg no outro mês, e assim por diante, ele irá adquirir nos meses subsequentes 99kg, 98kg., até o 12° mês, quando esse trabalhador teria condições de comprar somente 90kg. de tomates, aproximadamente (não é 88kg. devido a arredondamentos): ao longo do ano, ele teve uma perda de cerca de 61kg. de tomates devido à inflação. Isso significa que, somente pelo fato de a inflação demorar um ano para ser “reposta” no salário, o trabalhador teria perdido cerca de 5% de sua renda anual (61 tomates em 1.200). Porém, no 13° mês, se o valor de compra de seu salário fosse reposto, e ele passasse a ganhar $112/mês), ele voltaria a poder adquirir 100kg. de tomates ao mês – e aí, começa todo o processo de novo… É isso – e somente isso! – que os aeronautas estão reivindicando.

Agora, vejamos o que as companhias aéreas estão oferecendo. Ao invés de 11% retroativos a dezembro de 2015, elas propõem distribuir este aumento nos meses futuros de 2016: 3% em fevereiro, 2% em junho e 6% em novembro. Vejamos, então, numa tabela simples, em que se compara o salário mês a mês no primeiro e segundo anos – sendo que o aumento do primeiro ano é efetivado no decorrer do segundo ano, e ocorre escalonado: 3% em fevereiro, 2% em junho e 7% em novembro (lembrando que nosso exemplo é de 12% de aumento, e não 11%) – com o preço do quilo do tomate sempre subindo $0,01/1% (aproximadamente) ao mês:

evosalimg

Perceberam a diferença? No fim das contas, quantidade de tomates adquiridos a menor no segundo ao ano vai de 61kg. para 137kg. – ou seja: a perda com a inflação passada mais do que dobra, indo de 5% para 11,4%! É por isso que a proposta das companhias aéreas de aumento escalonado é tão ruim para os aeronautas. É este o motivo da greve dos aeronautas.

20 comments

  1. johny
    2 anos ago

    Texto perfeito! Parabéns pela publicação.
    O que nao podemos esquecer é que somos os mecanismos que fazem funcionar este meio de transporte essencial. Da mesma maneira que hoje as empresas sinalizam que terão que reduzir a força de trabalho, nao muito depois estarão contratando a rodo quando da menor sinalização de retorno da economia. Nao se voa sem pilotos, se as empresas precisam obter lucros nos seus negócios, nao podem desvalorizar e esquecer quem é que faz e muito por estes lucros.

  2. Raphael Martello
    2 anos ago

    Raul,

    Tudo bom? Gostaria de fazer uma pergunta do ponto de vista de um economista apaixonado por aviação, mas como economista mesmo…srsrsrsr. Acompanho o blog já a algum tempo (até fiz um post quando você criou o índice de empregabilidade) e gosto muito das discussões propostas aqui. Independente se concordo ou não, acho que o debate em si é bem enriquecedor. Fiz o curso de Piloto Privado e tenho alguma idéia deste mundo de formação e empregabilidade e tal. Mas minha base mesmo é economia.

    Vou fazer uma pergunta bem ingênua, sem juízo de valor nenhum e depois vou explicar minha linha de raciocínio: Faz sentido negociar aumentos salariais em meio à redução do setor? Não estaríamos acelerando o processo de redução do mercado ao exigir esta demanda?

    Como você tem falado a bastante tempo e mostrado com dados no período recente, o setor aéreo brasileiro está sentindo os efeitos da retração da economia. Ou seja, está encolhendo a olhos vistos.. assim como outros setores. Além disso, existem as características naturais do transporte aéreo comercial de grande porte. Barreiras naturais de entrada do setor aéreo em qualquer lugar do mundo: elevado custo fixo, indexação cambial de custos (pra países que não operam com dólar como moeda corrente ou outra moeda forte), riscos operacionais elevados, etc.. Tudo isso impede um ambiente mais concorrencial e é conhecido de todos nós em qualquer lugar do globo. E existem também os fatores estruturantes no Brasil que dificultam tanto o desenvolvimento da aviação geral quanto complicam a operação de grandes empresas: Infra estrutura (aeroportuária e de navegação e trafego aéreo) aquém da desejada, malha aérea concentrada em poucos pólos de alta densidade (São Paulo, Rio, Minas, Brasilia, talvez Fortaleza, Porto Alegre e Recife… mas bem talvez). Estes pontos somados aos primeiros torna a operação no Brasil ainda mais custosa e restritiva, gerando oligopólios na exploração da aviação comercial.

    Ou seja, como reflexo da má distribuição de renda geograficamente falando (sem entrar no mérito, apenas constatando um fato) existe uma má distribuição da infra estrutura e da demanda pelo transporte aéreo. No meio de uma crise, as rotas lucrativas diminuem tanto em quantidade como em capacidade de geração de receita para as empresas em comparação com tempos mais promissores. O que pode ser visto nos resultados financeiros das empresas que acumulam prejuízos e mais prejuízos.

    Do ponto de vista de um CEO de uma empresa aérea é muito compreensível que diante dos resultados atuais e vendo a perspectiva para os próximos 3 a 5 anos exista a necessidade de redimensionar a operação para que se adeque a atual realidade e gere capacidade de crescimento no futuro. Não dá pra ficar sangrando grana por 3 ou 4 anos até que lá na frente o mercado volte a crescer de maneira a tornar uma dada malha aérea viável economicamente.

    O problema central não está o redimensionamento do mercado aéreo brasileiro? O transporte aéreo ainda é um bem não tão essencial do ponto de vista de viagens de lazer e para o trabalho existe uma competição tecnológica que fica ainda mais evidente e acirrada em tempos de crise que são as vídeo conferências ou mesmo a redução da frequência das viagens.

    Embora tenha mostrado uma resiliência grande diante das variações da economia nos últimos anos, em um momento recessão (talvez depressão) o setor não deveria sofrer um redimensionamento mesmo? Com consequência de demissões e baixos ganhos salariais uma vez que existem mais pilotos dispostos a entrar na companhia do que vagas para absorver.

    Claro que o sindicato tem um papel de evitar o completo canibalismo entre os competidores do mercado de trabalho, pra não levar o salário a zero. Diante de um oligopsônio (poucos contratantes) o poder de barganha frente aos contratados tende a ser desigual e a organização dos contratados pode reequilibrar os poderes de negociação. Contudo diante do quadro atual, não faria sentido aceitar a proposta de reajuste zero com manutenção de empregos?

    Porque pra mim parece que na atual pauta o que vai acontecer é que do total de aeroviários e aeronautas empregados vai diminuir. Exemplo: Imagine que o gasto com funcionários de uma empresa aérea é de R$ 200 milhões/ano (tudo incluso, salários, benefícios, horas extras… tudo). Em um momento de crise, com o redimensionamento da malha e da operação como um todo, o orçamento para pessoal vai cair. Suponhamos que haja uma redução de 20% para 2016 deste orçamento. Então se o salário (total) médio é de 5 mil reais por funcionário, esta empresa que tem 40 mil funcionários e teria que reduzir para uma folha de R$ 160 milhões ano e um total de funcionários de 32.000funcionários. Ou seja, 8000 seriam demitidos por conta do redução das operações. Se o salário médio cresce 11% em 1 ano, vai de 5000 para 5550. O orçamento para pessoal da empresa não vai mudar porque ele é dado pela projeção de demanda (receita) pelo transporte aéreo e por um conjunto de reduções implementadas. Agora os R$ 160 milhões de orçamento só comportam 28,8 mil funcionários aproximadamente. Demissão de 11,2 mil funcionários.

    A proposta do sindicato serve para os que ficaram empregados (naturalmente os sindicatos de qualquer setor tendem a defender os interesses dos trabalhadores empregados, não há sindicato dos desempregados, certo?) que vão ganhar individualmente mais do que antes. Contudo o mercado de trabalho ficou menor do que ficaria antes. Do ponto de vista geral da aviação a situação me parece pior. Mais gente desempregada, menos postos de trabalho, maior competição pelos postos existentes. Assim menos as empresas precisam pagar para novos entrantes na companhia.

    O que é melhor?: mais gente empregada com salário corrompido pela inflação ou menos gente empregada e mantendo o poder de compra do salário? Não acho uma escolha fácil, existem bons argumentos para os dois lados, mas eu tendo a achar que mais postos de trabalho são melhores pois mais gente tem condição de auferir renda para manter suas famílias ainda que com um poder de compra menor.

    Na minha opnião, a pauta sindical deveria ser de concessão de regras prioritárias de bônus e ações preferenciais das companhias para os funcionários. Cada companhia criaria uma regra de remuneração em ações para os funcionários e de bônus também. Assim não pressiona os custos de folha no momento de crise e coloca os funcionários na frente dos executivos e acionistas (proprietários) nos momentos de lucro. Sempre fui muito favorável ao modelo de partnership nas organizações empresariais. Parece-me um modelo que alinha os incentivos dos funcionários com o da companhia (existe um conflito de interesse não trivial de ser solucionado entre lucro x gestão de riscos operacionais, mas é possível desenhar um conjunto que minimize este conflito) e não pressiona custos.

    Queria saber um pouco de você sobre o que você acha de tudo isso, se falta alguma parte da análise que eu fiz. Qualquer crítica, sugestão ou opinião será muito bem vinda.

    Grande abraço!

    Raphael Martello

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      Raphael, pelo que entendi do seu comentário, o centro da questão é essa pergunta, certo?: diante do quadro atual, não faria sentido aceitar a proposta de reajuste zero com manutenção de empregos?

      Então, vamos lá: não, não faria sentido.

      Porque aceitá-la não irá preservar empregos, uma vez que os principais custos são os três Cs: Câmbio, Combustível e o Câncer do governo cobrando impostos e taxas. Não tenho os números aqui (vc poderia pesquisá-los!, daria um ótimo post), mas um aumento de poucos centavos no dólar ou no preço do querosene tem efeito muito mais devastador para as companhias do que a postergação do reajuste nos salários.

      Fora isso, há questão de confiança envolvida. Porque as cias estão jogando o aumento lá para a frente (metade seria concedida só em novembro)? Ora, porque elas sabem que, até lá, pode ter ocorrido demissões em massa (e aí não se paga o aumento para os demitidos), a inflação pode ter disparado (e aí a vantagem da postergação aumenta ainda mais), ou, principalmente, elas podem alegar agravamento da crise para não cumprir o combinado.

      E garantia de emprego, amigo, é balela… Veja o caso da Webjet, cujos funcionários tinham garantia legal de emprego, e mesmo assim foram demitidos (tanto era ilegal, que agora estão sendo reincorporados por decisão judicial).

    • Raphael Martello
      2 anos ago

      Raul,

      Obrigado pela resposta! Concordo com o ponto de que custo de mão de obra não é o que mais faz as cias sangrarem. Câmbio, combustível e governo são os impactos relevantes de fato. Só que todos são influenciados (ou são os próprios causadores ) por questões além da aviação. São condições macroeconômicas que afetam o país todo e estão além do controle das cias aéreas. Diversos outros setores também estão sofrendo com essa conjuntura e tendo que se adaptar. Mesmo que as empresas/setores em si não tenham nada a ver diretamente com os problemas da economia brasileira.

      Na verdade todas são consequências do mesmo problema. O Câmbio é só um reflexo dos problemas econômicos e fiscais gerados ou agravados pelas políticas públicas implementadas pelo governo. O combustível tem tudo isso de antes (por ser cotado em dólares) e mais o fato que no Brasil é quase que um monopólio da BR Aviation no fornecimento. Como braço de uma empresa que está ultra endividada em um ramo de “luxo” (como veem a maioria das pessoas) ela usa todo o seu poder de mercado para inflar ainda mais o preço e ajudar a cobrir o rombo. No fundo, consequência da má gestão do governo em duas frentes: uma por permitir e incentivar a formação de um oligopólio neste mercado e segundo, o governo deixa esse quase monopólio nas mãos de uma Estatal então a má gestão da empresa em si também é de responsabilidade dele.
      Ou seja, nenhum dos itens citados como os principais fatores de pressão de custos das cias aéreas está sob controle direto das empresas.
      Tenho certeza que se elas pudessem escolher entre mandar um monte de gente embora e reduzir o câmbio pela metade elas escolheriam a segunda. Não porque são boazinhas não… simplesmente porque gera mais impacto nos custos mesmo.
      Agora se fosse gestor de uma empresa aérea eu não posso ficar chorando contra as coisas que não tenho controle, mas afetam o meu negócio. Tenho que aceitar que elas são assim hoje, avaliar as perspectivas de como vão evoluir estes fatores num dado horizonte, fazer pressão para que elas mudem a meu favor (congresso, parlamentares, membros do executivo, etc) e mexer no que eu tenho em mãos para tentar fechar a conta.
      Demissões são a única fonte de controle da empresa? Não. Deixar processos mais eficientes, ter uma frota que exija menos manutenção (e não fazer menos manutenção do que deveria.. que além de um crime é uma “economia” burra) e consuma menos combustível, reduzir gastos administrativos e financeiro são outras fontes de mudança também. Como o setor já vive problemas de rentabilidade a algum tempo imagino que muitas destas alternativas tenham sido implementadas nos últimos anos. Mudança de frota já é um capítulo diferente porque envolve altos investimentos em aquisição e treinamento que antes de virarem economia de fato para a empresa são gastos no curto prazo. Pra uma empresa que já está com dificuldades de caixa, aumentar investimento (e despesa no curto prazo) pode não ser uma alternativa disponível. Principalmente se o custo do dinheiro for alto (ou em elevação) como é o caso do Brasil.

      Concordo que a segurança jurídica e de confiança sobre um comprometimento de manutenção de empregos é fraca, como você bem lembrou o caso Webjet é emblemático.

      Contudo é importante deixar claro as consequências das propostas feitas pelo sindicado. Sejam elas boas ou ruins. Do lado bom, como você mostrou, é importante que o reajuste seja feito desde agora para evitar distorções e reajustes inócuos para os funcionários. Do lado ruim, independente do agravamento da crise no setor ou não, o aumento de salários gera uma pressão adicional para o aumento das demissões. Ter mais volume de salários pra pagar num orçamento restrito e com risco de ser ainda mais cortado leva a menos gente com emprego. Se todos entendem este risco e estão de acordo então tudo certo. O que não faz sentido é ocorrer greve de aeronautas e aeroviários daqui a 6 meses porque X mil pessoas foram demitidas depois da implementação do reajuste de 11% retroativos desde dezembro. É esperado que isso aconteça. Ou como diziam os antigos, O combinado não sai caro.

      Gostei do desafio dos números! Vou atrás das informações sobre os principais impactos de custos nos últimos anos pra fazer um texto legal… ai se você achar uma boa pode postar aqui no blog. Não prometo pra esta semana porque ta corrido aqui no trabalho, mas vou fazer sim!

      Grande Abraço!

  3. Mateus Ghisleni
    2 anos ago

    Parabéns Raul pela explicação, muita esclarecedora. Em relação à greve cabem algumas considerações: algum colega comentou se algum dia pararemos como os alemães ou mesmos nossos vizinhos argentinos. Não sei como são as leis nesses países mas aqui temos a Lei da Greve, esta por sua vez dita as regras do que é ou não permitido. O transporte aéreo é considerado serviço essencial e temos que manter 80% em funcionamento mesmo durante a greve. E se isso não acontecer? Haverá processo de responsabilização contra a entidade que representa os aeronautas e por conseguinte à diretoria em suas pessoas físicas, O SNA tem caixa para pagar as multas e indenizações ? Não sei. Independente disso, quem faz o sindicato somos nós aeronautas e não a diretoria. As decisões são tomadas por nós em assembleias, eles apenas conduzem as nossas decisões. Importante a participação de todos, e também a associação de todos na entidade. Queremos sempre cobrar melhorias mas temos que estar associados, pagar a mensalidade síndica, e não somente o imposto sindical que é obrigatório por lei pois assim faremos um caixa para quem sabe um dia podermos fazer greves homéricas, com dinheiro para as indenizações e principalmente com o grupo de voo unido.
    Em relação a outro que os antigões podem fazer greve com a cabeça tranquila. Já fui novo na empresa em que trabalho e nunca houve movimentação como essa exceto a do ano passado. Muitas coisas perdemos na aviação por falta de ações como essa que ocorrerá amanhã. Pararei amanhã como pararia a 10 anos atrás. Vejo vários colegas falando que saudade da empresa X onde éramos bem tratados. Que nossos salários era X melhor que aqui, mas perdemos. Se você quer uma profissão melhor lute por ela. Por muitos não terem lutado por medo ou por falta de liderança é que estamos nessa situação hoje. Não se vai a guerra com medo da morte. Queria eu ter a remuneração que havia a 20, 30 anos atrás e ser tratado como aqueles pilotos eram, e é por isso que pararei para que os próximos não recebam e sejam tratados da mesma forma que somos hoje, quero que tenham melhores salários, me,horas condições de trabalho e principalmente, que sejam tratados como TODOS comandantes e copilotos devem ser tratados, com respeito e reconhecimento.

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      Obrigado, Mateus!

      Se vc me permite, gostaria de acrescentar a questão de imagem perante a opinião pública, que também é muito importante.
      Qdo se faz uma greve total, que impede as pessoas de visitar seus parentes, fazer negócios, etc., a tendência é que a sociedade fique contra a categoria. Já uma paralisação de 2h, embora cause transtornos, não inviabiliza o deslocamento das pessoas, e o reflexo junto à população é muito menor. E, conforme vimos no ano passado, a paralisação parcial já surte os efeitos desejados em termos de pressão junto às companhias. Então, não vejo necessidade de ampliar o movimento grevista para uma paralisação total.

  4. Marco Véio
    2 anos ago

    Será que um dia veremos uma GREVE estilo Lufthansa no Huehue BR?
    Frota no chão, braços cruzados?
    Daqui a pouco minha empregada doméstica está ganhando mais que um PLA.
    Não tem mais o que achatar.

    • saco cheio
      2 anos ago

      Concordo Marco Veio
      Greve é greve. Para ou não para.
      A paralização parcial ajuda as empresas a identificar quem parou e expõe o tripulante à retaliação, velada ou não. E, em caso de retaliação, ninguém vai fazer nada para defender…por isso, para ou não para. Não tem meia foda…meio grávida…

  5. Paulo
    2 anos ago

    Será que as empresas estão “jogando”?? Estariam levando os tripulantes à greve e depois concederão aumento desejado, porém, com redução dos empregos? Não é a desculpa que a empresa quer (aumento de custo com salários) para reduzir seu quadro?

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      É possível… Mas, e aí? O que fazer? Deixamos as empresas achatarem salários livremente por causa disso?

    • Fabio Laporta
      2 anos ago

      Com certeza haverá demissões. Mas não será por conta da greve. As empresas dirão que sim, pois o sindicato não aceitou a proposta de manutenção de emprego e irão culpar o sindicato.
      Tudo manobra das empresas pra tentar sujar a imagem do sindicato.
      Mas temos que continuar na briga. Pous não é só salário que esta em jogo, e sim a nossa aviação comercial.

    • Fabio Laporta
      2 anos ago

      Senhores não é só a reposição salarial que estamos querendo. Estamos também olhando pelo futuro de nossa aviação comercial brasileira. Estão fazendo de tudo pra acabar com ela. Inclusive existem lobistas em Brasília todos os dias. Tentando a qualquer custo a transferência de nossos voos para empresas internacionais. Seria realmente o nosso fim.
      Entendo o posicionamento de todos, mas temos que apoiar o movimento e garantir a nossa aviação. Se não, não teremos nem mais o monomotor do aeroclube pra voar. Pois sem dinheiro e sem formação de mão de obra, as escolas fecharão pra sempre.

  6. saco cheio
    2 anos ago

    Seu raciocínio está perfeito e é óbvio que não serve.
    Apenas não concordo com o modelo de paralização.
    Acho que deveríamos parar já, só retornando com alguma proposta digna.

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      O modelo foi o mesmo utilizado no ano passado com êxito (bastou uma paralisação para as empresas cederem), e deliberado pela assembleia.
      A razão de paralisar somente duas horas é minimizar o impacto ao público ao mesmo tempo em que impõe altos custos às empresas.

      • Eduardo
        2 anos ago

        O problema eh que no passado as coisas nao estavam exatamente como estao…pode ser que a greve tenha um impacto nas empresas que por sua vez terao o motivo para enxugar seus quadros…os comandantes e copilas das turmas mais antigas dormem com a cabeca tranquila pois ateh o corte chegar neles…muita gente vai pra rua antes..agora os das ultimas turmas nao devem nem estar dormindo..

        • Raul Marinho
          2 anos ago

          Pois então, Eduardo, é a mesma questão comentada anteriormente… E aí, o que vc acha que se deve fazer? Aceitar a proposta para não dar argumento para as empresas? Vc acha que isso dá alguma garantia?

        • A.M.Filho
          2 anos ago

          O fato é que os novos de empresa não estão tão preocupados com reposição salarial e sim com a manutenção de seus empregos, o que é perfeitamente compreensível. As discussões estão acaloradas nos grupos de zap zap…monitoram cada novo dado financeiro das empresas, cada nova decisão, cada nova fala dos presidentes e especulam até que número de senioridade o facão pode chegar. Alguns já passaram pelo “trauma” em 2012 e 2013 e ao retornarem aos seus empregos não querem perder novamente o que foi conquistado com tanta dificuldade. Alguns antigos não entendem o temor destes colegas e os hostilizam, talvez por não terem passado perto disso, afinal quem foi contratado há alguns anos atrás, nos tempos de commodities em alta, franca expansão da Economia, crescimento acelerado do setor, não passou nem perto de uma demissão em massa. Ambos os lados possuem razão e é preciso um mínimos de consenso para que o setor consiga atravessar a crise, que mais do que ameaçar ganho real de salário, quantidade de empregos, ameaça a própria sustentabilidade de todo o setor.

          • Raul Marinho
            2 anos ago

            Pois é, meu caro, o problema é que os cortes irão ocorrer (ou não) independente dos aeronautas aceitarem a proposta das empresas (ou não). Ou vc acha que aceitar o aumento escalonado garante alguma coisa?

            • A.M.Filho
              2 anos ago

              Os cortes irão ocorrer dependendo da parcela de custo que conseguirão repassar para as tarifas, que é atrelada a demanda e que ditará quantos aviões sairão do Brasil.
              Não tenho a menor ideia de quanto a folha de pgto representa no custo total das empresas. Pessoalmente, concordo que as empresas já devem ter um “esboço” de como ficará os quadros de funcionários este ano, quadros que só não foram reduzidos ainda porque nenhuma delas querem ceder espaço para o concorrente. Neste aspecto, estão reagindo a crise e se esta piorar e vai piorar, medidas mais extremas serão necessárias.
              O jogo é pesado e cada um joga com informações que favorecem o seu lado. Recentemente, uma das nossas empresas encaminhou email aos tripulantes dizendo que haviam feito uma proposta inicial de manutenção de empregos e que o SNA não aceitou. Ou seja, se tiver demissões (Independente de reajuste ou não), já se sabe com quem as empresas poderão dividir a culpa (Na visão das empresas). Espero que o SNA esteja preparado para este momento, já que não se pode cobrar racionalidade de quem acabou de ser demitido e que tenham o mesmo empenho que estão tendo na campanha salarial para prestar apoio aos que, eventualmente, passarem por uma demissão em massa. Tenho uma pessoa muito próxima a mim que passou pelo facão de 2012 e o que o SNA fez naquela época foi ridículo, inclusive, fechando os olhos para algumas irregularidades (Importante salientar que era outra gestão e que a atual já fez importantes avanços para a categoria).
              No mais, torço que o movimento seja forte, que não seja esses questionamentos (talvez não tão importante) a atrapalhar e que possam conseguir algum reajuste e que consigam preservar os empregos.

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