A reforma do centro de treinamento da ANAC em Jacarepaguá (Rio de Janeiro) – Uma obra para cubano ver?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O Portal G1 publicou hoje uma excelente reportagem sobre a reforma do centro de treinamento da ANAC em Jacarepaguá (Rio de Janeiro). O desperdício de recursos públicos é evidente e a falta de planejamento idem, mas o que achei interessante mesmo na matéria foi outra coisa: no fim das contas, tudo não teria passado de uma maquiagem para conquistar a certificação “Trainair Plus” da ICAO.

Poxa, bobinha essa ICAO, hein? Eles vêm aqui, concedem uma certificação para nossa agência de aviação nas novas instalações de seu centro de treinamento, e tão logo a ANAC conquista os respectivos privilégios, o centro é fechado!? Mas a coisa fica interessante mesmo quando se lê o seguinte parágrafo desta nota publicada à época pela ANAC (grifos meus):

O anúncio da elevação à nova categoria ocorreu nesta quinta-feira (01/10/2015), como resultado da validação do primeiro treinamento Trainair Plus ministrado pela ANAC, realizado de 21 a 25 de setembro de 2015, no Rio de Janeiro. Intitulado Gestión de Riesgo en la Aviación Civil, em espanhol, o curso foi validado pelo representante da OACI Armando Jordi Viera, de Cuba, em um processo que envolveu a análise de aulas expositivas, provas e demais atividades educacionais.

Ahhhnnnn… Quer dizer, então, que o representante da ICAO que deu a tal certificação era de Cuba? Que coisa, não? Nada é por acaso nesse mundo, não é mesmo?

14 comments

  1. Beto Arcaro
    1 ano ago

    Claro!
    Exatamente!
    O que esperar de um País que tem o Ministro da SAC e os Diretores da ANAC, indicados Políticos, frutos de um “troca-troca partidário” para que o Governo se mantenha no poder?
    O que se esperar dessas supostas “Cabeças Pensantes” governamentais, quando deliberam sobre uma área tão técnica?
    Não sou nem um pouco “Ufanista” em pensar, por exemplo, que a Autoridade Aeronáutica Egípcia seja mais competente que a nossa (em termos técnicos) nos dias de hoje.
    Você levantou um ponto importante.
    Talvez essa lógica realmente exista!

  2. Kako
    1 ano ago

    Raul, como leitor do seu blog, me dou ao direito de expressar meu pesar pelo seu infeliz comentário. Menosprezar um membro da ICAO por sua nacionalidade (inclusive inferindo questões político-partidárias) só demonstrou que devo usar melhor meu tempo em outras fontes de leitura. Grande abraço.

    • Raul Marinho
      1 ano ago

      Crítica anotada. Mas que fique claro que a questão que interessa não é a nacionalidade do sujeito em si, e sim o fato de ele ser o representante do governo de Cuba – um país com regime autoritário e assassino, de triste lembrança em esquemas com nosso país, como o do “Mais médicos”.

      • Beto Arcaro
        1 ano ago

        Exato Raul!
        Cuba tem muito à oferecer em termos de Aviação ou Segurança de voo, né ?
        Aliás, isso me dá uma dica da origem das idéias “pra ICAO ver” que a ANAC tem.
        Ops….
        MAV detected!

      • A.M.Filho
        1 ano ago

        Muito boa a lembrança Raul, além do que você citou tem o porto de Mariel e o paradoxo de termos tantas pessoas com uma visão tão romântica sobre Cuba. Fiquei com uma dúvida, será que para obter a certificação, o governo brasileiro precisou pagar alguma coisa ao regime de Fidel?
        Por mais que seja membro da OACI, o país possui uma vastíssima experiência em aviação civil a ponto de validar um curso de gestão de risco na aviação civil no Brasil, que é o terceiro maior mercado do mundo?
        Quais os resultados concretos apresentados pelo tal Trainair Plus da ANAC até agora? No site da agência sequer apresentam uma programação de cursos para 2016 e olha que já passamos da metade de fevereiro.

      • Marco Véio
        1 ano ago

        Raul, a sua crítica em relação à nacionalidade e ao regime cubano, me deixa muito orgulhoso. E fico ainda mais fã deste site. Obrigado!

      • DSousa
        1 ano ago

        Só por curiosidade, se a nacionalidade do sujeito fosse chinesa, saudita ou egípcia, também haveria um post dedicado a criticá-la e desdenhar de sua credibilidade?

        Não vejo muito sentido na crítica (no que tange a nacionalidade do representante), até porque, se há suspeita sobre o tal sujeito, há suspeita sobre a própria OACI, que lhe atribuiu essa função sem o devido cuidado. Espero que não seja o caso.

        Imagine você se um país membro qualquer fosse passar por qualquer inspeção da Organização e tivesse que fazer uma lista negra de nacionalidades que ele se recusa a receber, ou uma lista branca das aceitáveis.

        A OACI parece ter orgulho da quantidade de membros que possui, incluindo aí dezenas de países com governos autoritários e assassinos, pelo bem da aviação civil internacional. A alternativa, isolar esses estados, certamente não contribuiria para os objetivos da OACI.

        • Raul Marinho
          1 ano ago

          Bem, meu caro, nós não temos um convênio com o governo da China, da Arábia Saudita ou do Egito, parecido com o do “Mais Médicos”, possuímos? Daí a minha estranheza…

          Quanto à ICAO… Bem, aguarde que logo você terá mais motivos para reclamar de mim.

          • DSousa
            1 ano ago

            No entanto temos parcerias com a China em vários âmbitos, de grandes acordos comerciais à construção e lançamento de satélites. Eles são muito mais importantes para o Brasil do que Cuba, sob qualquer ótica. E realmente não consigo ver como isso por si só atingiria a credibilidade de um representante da ICAO de nacionalidade chinesa.

            Quanto à sua sugestão de que eu terei motivos para reclamar por possíveis críticas a OACI, engana-se. Se estiver bem fundamentado e explicado, estou curioso para ler as críticas à OACI, à FAA, à ANAC, etc. etc, etc, como aquela do outro post em que você trata da suspensão dos cursos desta agência ou às indicações políticas para sua diretoria e dezenas de outras que já publicou. O que não consigo concordar é com uma crítica à nacionalidade de um representante.

            Se esse post fosse sobre alguma falha no processo de seleção dos representantes pela OACI e não sobre a nacionalidades destes, eu provavelmente estaria batendo palmas e não “reclamando”.

          • Beto Arcaro
            1 ano ago

            Na minha opinião, ter um representante Cubano da ICAO trabalhando para a ANAC, “ainda” é como se tivéssemos um representante da ICAO “Norte Coreano” aqui com a gente.
            “Ainda” é!
            E quer saber?
            Egípcios, Chineses, ou quaisquer outros representantes de Ditaduras, também seriam vistos com estranheza, pois pouco teriam à acrescentar à uma Aviação tão dinâmica, como deveria ser a do Brasil.
            Aqui é assim!
            A gente se espelha no “pior”, sempre que Politicamente for conveniente.

            • DSousa
              1 ano ago

              Olá Beto.

              Mas se seguirmos essa lógica, qualquer brasileiro que for executar qualquer atividade no exterior será julgado apenas pela sua nacionalidade e associado às práticas dos seus governos.

              Nós seríamos julgados como corruptos e ineficientes por sermos brasileiros. Isso claramente não é correto nem justo. Não é diferente do tratamento recebido por alguns imigrantes sírios na Europa.

  3. Beto Arcaro
    1 ano ago

    Raul….
    Dá pra comentar alguma coisa sobre isso, que não caia na mesmice?
    Que não se encaixe no que temos falado aqui nos últimos 5 ou 6 anos?
    Tudo isso que “aparece” agora, só confirma tudo que, no fundo, no fundo, a gente já sabia.

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