EUA: Mercado de trabalho de pilotos caminhando para o colapso. Só a diversão salva?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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De acordo com essa matéria do WCPO Insider (um portal de informações vinculado a um canal de TV americano), o mercado de trabalho de pilotos está caminhando para o colapso nos EUA, com muitos comandantes se aposentando ao mesmo tempo em que pouquíssimos novos aviadores estão se capacitando para ingressar na carreira. O salário médio muito baixo no início de carreira – a aviação regional americana paga cerca de US$25mil/ano (equivalente a mais ou menos R$8mil/mês no câmbio atual), que é muito pouco para os padrões americanos – aliado a um investimento inicial elevado em formação (cerca de US$50mil, equivalente a R$200mil) seriam os principais fatores que estão contribuindo para esse impasse no mercado. E mesmo que a perspectiva de longo prazo seja favorável, com uma média salarial de US$123.955 anuais para comandantes de grandes companhias (R$41.318/mês, ao câmbio atual), ainda assim os jovens americanos não estão se empolgando com a carreira. A mudança no regulamento que recentemente passou a exigir um mínimo de 1.500h para ingressar como copiloto numa companhia aérea também teve grande influência nesse desequilíbrio.

De qualquer maneira, o que achei realmente interessante é a estratégia que os profissionais da aviação estão usando para tentar reverter esse quadro. “We’re professional… but we try to make it enjoyable and fun”, foram as palavras do diretor da Flamingo Air, uma escola e centro de treinamento de Cincinnati. Pois é…

20 comments

  1. Voante
    11 meses ago

    Aqui na Banânia não teremos esse problema, pois a nossa comandantA irá fazer de tudo para dobrar a meta.
    Aqui na Banânia o tripulante sempre contará com a presença de um cachorro oculto.

  2. A.M.Filho
    11 meses ago

    A questão da substituição de seres humanos na cabine de um moderno avião da linha aérea por máquinas ou alguém em solo é bastante complexa e geradora de discussões acaloradas. Sabemos que a tecnologia é incessante, evolui a uma velocidade que, muitas vezes, nossa imaginação não consegue acompanhar. Há alguns anos atrás não imaginávamos que nossas vidas caberiam em um smartphone e são poucos anos mesmo. Celular era pra fazer chamadas e só, no máximo tinha um jogo da cobrinha ou uma agenda mais elaborada. Hoje, vemos senhores (as) de idade, pessoas das camadas mais baixas da sociedade, trabalhadores rurais nos rincões do país que não desgrudam dos seus aparelhos. E estou falando de grupos que não são os mais ligados em tecnologia…Santo Steve Jobs…
    Mas e com relação aos aviões? Os fãs da engenharia afirmam que já existe a tecnologia necessária para o voo autômato. Que o mundo de drones e vants é um caminho sem volta e que as principais forças militares do mundo cogitam que as próximas gerações de caças voariam sem a necessidade de humanos embarcados.
    Eu acho que para voos que envolvem transporte de pessoas e uma relação comercial implicada nisso, a complexidade é bem maior.
    Primeiro, a tecnologia precisa evoluir muito mais e se tornar confiável. Lembremos o célebre caso do AF447 que era operado por um moderno Airbus 330 (um dos ícones da automação moderna a bordo de aeronaves). Ao se deparar com um problema aparentemente simples (Congelamento dos pitots e consequente unreliable speed) tratou de desacoplar o AP e jogar a batata quente para os pilotos, que ao não terem mais habilidades de voo manual, não souberam interpretar e lidar com a pane.
    Um segundo aspecto está relacionado à ordem econômica, ao pay back dos produtos. Dois aviões super modernos, pertencente aos dois fabricantes mais poderosos do planeta, acabaram de entrar em operação (Se bem que nem todas as versões começaram a voar ainda). O Boeing 787 e o Airbus 350 podem ser considerados estado da arte da engenharia aeronáutica. Bilhões e bilhões de Dólares foram investidos nestas duas aeronaves revolucionárias e…eles são homologados para dois pilotos. Uma aeronave é projetada para um ciclo de 25 a 30 anos, menos do que isso, torna o projeto inviável. No caso de famílias completamente novas como os supracitados, pode-se esperar versões de aprimoramento (Que não mudam muito na forma de operar para não ter que gastar muito com novas homologações), caso do novo Boeing 777X que será para dois pilotos também. Airbus 320 Neo acabou de entrar em operação e Boeing 737 Max fez seu primeiro voo inaugural recentemente. Embraer 190 E2 também voará em breve. Todas estas máquinas são homologadas para dois pilotos e devem ser comercializados pelos próximos 20 anos (E os últimos a serem fabricados ainda voarão por mais uns 20, vide os 727s). Talvez possamos ter alguma novidade nos substitutos de A350, 787s, 777xs e demais, antes disso, acho difícil. Sem contar que a indústria tende a ser conservadora e não fugir muito de paradigmas que deram certo.
    Mas há um terceiro fator que passa despercebido nas discussões e que é tão ou mais importante do que a tecnologia em si: A legislação. E esta tende a ser extremamente conservadora quando se fala em aviação.
    Tomemos como exemplo os carros autônomos que Volvo, Mercedes, Bmw, google, desenvolveram. Especialistas dizem que os carros, quando em boas estradas e farta sinalização, dão conta do recado muito bem (No Brasil demoraria mais), o problema é que os fabricantes não podem liberar completamente o uso desse automatismo por causa da legislação. Se ocorrer um acidente, a culpa será do motorista? Da sinalização da cidade? Do fabricante? Dos engenheiros? Julgando pelo tanto que os legisladores estão batendo cabeça em terras mais modernas, tão cedo não teremos uma solução.
    E o que dizer da aviação que é muito mais complexa? Como serão divididas as responsabilidades?
    Um exemplo aparentemente bobo é o fato de termos muitos aviões single pilot atualmente, inclusive jatos, mas quando operados na 135 ou 121, a legislação exige 2 pilotos. Na própria 91, onde não é necessário, muitos operadores não se arriscam a voar um jato com 1 piloto apenas, principalmente porque muitos fatores externos fora de controle, podem aumentar a complexidade de um voo.
    Enfim, a discussão é boa e mostra que para as companhias se livrarem dos pilotos, ainda terão que achar respostas para muitos questionamentos, isso que eu nem falei do fato de muitos passageiros entrarem em um avião porque confiam em dois seres humanos que estão lá na frente.
    O caso específico dos EUA e a possível shortage de pilotos por lá, se realmente a formação não aumentar, os níveis salariais terão que subir para estimular a entrada de novos pilotos. Como a formação não ocorre de um dia pra noite, talvez eles terão que rever alguns preconceitos (especialmente pós 11/09) e abrir momentaneamente o mercado para estrangeiros já que os voos automatizados ainda demorarão um pouco mais.

  3. Matheus
    11 meses ago

    E a Ásia pagando 25 mil dólares por mês para comandantes bem qualificados do mundo afora (Brasil está incluso).

    • Marcos Véio
      11 meses ago

      O salário é bom, porque não há oferta de mão de obra domestica.

      • Leitor
        11 meses ago

        O salário é bom, pq a vida lá é uma m….

  4. Moacir BAIA Lacerda
    11 meses ago

    Hoje, com as cabines fechadas, nem sabemos quem está lá. Penso que a coisa virá de forma gradual, primeiro tirando o co-pila, depois sairá o comandante e ninguém perceberá. Talvez não seja na nossa geração.

  5. Leitor
    11 meses ago

    Vcs que concordam e acham graça de avião sem piloto, precisam beber menos ou trocar a marca do whyski.

  6. Henrique P. Fernandes
    11 meses ago

    Nunca deixaram de ter pilotos em aviões, ou pelo menos alguém que tome controle da situação em caso de problemas. Hoje nenhuma máquina consegue ser o verdadeiro “decision maker”, ou seja, quem realmente consegue tomar uma decisão e fazer algo. É um dos conceitos mais difundidos de CRM aqui nos EUA.

  7. Cleverson Fukuoka
    11 meses ago

    É, não vai demorar muito e teremos os aviões levando gente de lá pra cá, de lá pra lá apenas pelo computador, resolvendo esta “questão” dos pilotos em linha aérea.. vai ser criado um emprego chamado Controlador de Aeronaves em que cada empresa aérea terá um controlador por aeronave…. Como diria alguém… quem viver, verá!

    • Leitor
      11 meses ago

      Vc tem coragem de entrar em um avião sem pilotos?
      Não existe tecnologia infalível e os pax sabem bem disso…
      Podem até querer fazer uma economia porca e tentar tirar os copilotos da cabine. E quero saber como vão formar Comandantes sem que antes tenham sido copilotos…

      • Cleverson Fukuoka
        11 meses ago

        Ter coragem é uma coisa, mas quando a coisa vem goela abaixo, não terá outra saída… sabemos que não tem tecnologia infalível, mas isso é o de menos, vai ter 3 ou 4 CPUs de backup para rodar os sistemas… Se acha que isso está muito distante, veja o Google fazendo carros movidos por computador sem motorista

        • Marcos Véio
          11 meses ago

          Com todo respeito, Cleverson. Mas tu tá mais por fora que cotovelo de caminhoneiro. Só o B787 tem uma centena dessa tal de CPU. Eu até acredito no aumento da automação. Mas transformar uma aeronave de passageiros em um VANT já é outros 500. E se você perceber, os salários de tripulantes lá, aqui é em outros lugares, é irrisório perto dos custos altíssimos de operação de uma aeronave.

          Sobre o assunto, é uma verdade. Não tem exagero ou papinho de apagão como teve aqui. Já está começando a ser um problema, justamente porque a profissão é desinteressante para a geração leitinho com pera e seus smartphones.

          • Cleverson Fukuoka
            11 meses ago

            Marcos, sei que pode parecer um pouco distante, mas só para você ter uma idéia, um controlador da força aérea me contou que ele foi selecionado para participar dos debates/estudos das regras de vôo da OACI para aeronaves de linha áerea sem comandantes. O mesmo ainda citou que isso levará algum tempo, e que no Brasil, talvez, eu disse talvez, os nossos netos verão isso, mas lá fora existe um forte investimento nas empresas aéreas para que isso ocorra.

            • Marcos Véio
              11 meses ago

              Cleverson, isso não representa muita coisa. Pois já ocorreu algo semelhante com os voo supersônicos e o uso de balões que viajariam junto com as Jetstreams. Nada se concretizou e o Concorde nasceu e morreu como uma acft experimental. O conceito que é operacional hoje é o mais seguro, testado e aprovado. Estudos e pesquisas sempre ocorrerão, para o bem e avanço da humanidade.

    • Bruno
      11 meses ago

      Cleverson, vc está corretíssimo. O voo totalmente autônomo não é uma questão de se, mas de quando. Todos os grandes fabricantes estão trabalhando pesado nesse aspecto. Talvez o voo sem pilotos ainda demore, porém a figura do copiloto deve desaparecer muito antes, sendo inclusive citada como sendo uma das profissões com maior chances de desaparecer, num ranking de carreiras pesquisadas. Com o advento dos VANTS e Drones, isso é uma estrada sem volta, queiram ou não aceitar. A figura do copila é quase como a do cobrador do ônibus….ou seja, sem futuro.

      • Leitor
        11 meses ago

        Acho que pra ser Comandante, seja necessário ser “cobrador”.
        Talvez em 3010 não teremos uma dupla de humanos na cabine…
        Há tempos atrás, li uma reportagem dizendo que o FAA já estava pensando em proibir voo “solo” em aviões single-pilot. Devido a um acidente com um Phenom 100 que estolou por não ter auto-throttle.
        Mas é isso mesmo, vc tem razão! kkkkk Um copila e um cobrador de onibus tem funções bem parecidas…

        • Bruno
          11 meses ago

          Infelizmente vc sofre de problemas de interpretação de texto. Eu disse que a figura é a mesma de um cobrador, em momento nenhum falei de função iguais, ao menos parecida, simplesmente pq o copila hj tem mais função administrativa do que operacional em si, assim como o cobrador, que fica sentado vendo todos os passageiros passando cartão na leitora. Quanto ao voo single pilot proibido, isso certamente não vai acontecer, já que um numero cada x maior de aeronaves são certificadas assim, e isso seria voltar atrás no tempo. Quer dizer então que o avião caiu pq não tinha um computador pra acelerar para o piloto? Ponto pro computador então!

          • Leitor
            11 meses ago

            http://airfactsjournal.com/2014/12/phenom-jet-v-house-everyone-loses-terrible-tragedy/

            Vc prefere voar em um avião mono-motor ou bi-motor?
            Vc prefere voar em um avião com um piloto ou dois pilotos?

            Qual situação é mais segura e qual é mais barata?

          • A.M.Filho
            11 meses ago

            Desculpa, mas como é? Copiloto possui função mais administrativa do que operacional atualmente? Pesquise uma postagem feita pelo Raul, algumas semanas atrás, de um ótimo texto escrito pelo Enderson Rafael que é copiloto na Linha Aérea. O texto traz um dia a dia das operações na aviação comercial. Você verá que o trabalho é bastante puxado para ambos os aviadores na cabine.

    • arthurcremonesi
      11 meses ago

      Em uma discussão de bar, um amigo meu, engenheiro mecatrónico disse que uma empresa nova, a Space X já tinha tecnologia pra ir ao espaço fazer o “docking” com a estação espacial internacional, e voltar para a Terra. Isso tudo sem um piloto, portanto, não iria demorar para existirem aviões de linha aérea sem pilotos. Poucos dias depois aconteceu isso: https://www.youtube.com/watch?v=4cvGGxTsQx0

      Se vão existir ou não aeronaves de linha aérea sem pilotos num futuro distante eu sinceramente não sei, mas em um futuro próximo distante eu acho difícil.

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