A questão das horas de voo do “copiloto” de aeronave ‘single pilot’ TPP

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A dúvida é recorrente, então acho que vale a pena tratar dela num post. A questão é a seguinte: como anotar horas de voo na CIV para quem voa como “copiloto” em uma aeronave ‘single pilot’ TPP? Há alguma alternativa? Indo direto ao ponto: pelas regras atuais (RBAC-61 EMD005), não. Na proposta de reformulação do regulamento (EMD006) que foi enviada para Audiência Pública poderá haver esta possibilidade, e se o texto divulgado entrar realmente em vigor, quem atuar como SIC neste contexto poderá anotar 50% das horas de voo (ou 100%, se a ANAC concordar com a proposta enviada pelo SNA-APPA-ABAG). Mas, por enquanto, não.

Para quem está nesta situação, uma alternativa popular é o registro de tais voos como “duplo-comando de instrução”, possível quando o comandante de fato da aeronave possuir a habilitação de INVA. Porém, neste caso o voo deveria ser, formalmente ao menos, de instrução (como o nome diz), e aí seria vedada a possibilidade de haver passageiros ou carga – o que, na prática, não é o que acontece na maior parte dos casos. Fora isso, só se a aeronave fosse recertificada para ser operada por dois pilotos; ou se ela fosse reclassificada como TPX e, numa operação de táxi aéreo sob regras de voo por instrumentos, haver a necessidade do SIC. Nem é preciso dizer que ambos os casos são inviáveis.

Como derradeira alternativa para não “perder” as horas voadas como “copiloto” de aeronave ‘single pilot’, o tripulante pode abrir uma “CIV paralela” para registrar tais voos e colher as assinaturas do piloto em comando e do operador, atestando que ele efetivamente participou da operação como segundo em comando. Este documento não teria serventia alguma para qualquer finalidade junto à ANAC, como a obtenção de uma licença em grau superior (ex. PLA para quem já é PC). Mas poderia ser exibido para fins de comprovação de experiência profissional em um processo seletivo de pilotos, ficando a critério do recrutador aceitá-lo ou não.

37 comments

  1. Leonardo
    5 meses ago

    Raul, tenho uma grande duvida e ficaria imensamente grato se me ajudasse a soluciona-la. Logo depois que chequei meu PC/MULT/IFR comecei a voar, como co-piloto,um Baron 58 TPP. Apos vários meses peguei confiança do dono do avião e passei para o Comando desta aeronave, onde comecei meu primeiro emprego. A pergunta que tenho: Posso lançar as horas que voei como co-piloto ? Procurei no RBAC 61 e tambem na RESOLUÇÃO Nº 378 e por mais que eu leia, ainda fico em duvida, pois na verdade eu JA lancei essas horas como co-piloto. E fico com medo de ter feito algo errado na minha CIV.

  2. Fabricio Torres
    7 meses ago

    Ola, Para voar uma aeronave single pilot (tpp) que antes era tipo (pilatus pc-12) tenho que fazer algum tipo de adaptação? como é comprovada essa adaptação?
    Outra pergunta, como não é mais tipo, posso lançar as horas dessa aeronave na civ? quem assina, no caso se ela for de uma empresa?

    Grato!

    • Raul Marinho
      7 meses ago

      O PC12 já era MNTE antes da EMD007, ou seja: não é preciso endosso ou algo do gênero, só a habilitação de CLASSE MNTE, igual à requerida para pilotar um Tupi ou C172.

      • Fabricio Torres
        7 meses ago

        Obrigado, e quanto a questão de quem assina? sendo que é de uma empresa cnpj, um piloto PLA pode assinar a folha de conferencia da minha civ?

        • Raul Marinho
          7 meses ago

          Quem assina é o representante legal do operador.

          • fabricio torres
            7 meses ago

            Esse piloto é o que voa o aviao…porem é tpp…

            • Raul Marinho
              7 meses ago

              ???

  3. RENAN PROCOPIO DOS SANTOS
    1 ano ago

    Raul, Boa Tarde.
    Eu sou copiloto de um C90, cujo o comandante reveza comigo as operações. Geralmente faço um plano no Canac dele, e o próximo no meu. Certo disso, só posso lançar as horas na Civ Eletrônica as horas em que os planos estiverem em meu nome e também no diário.
    A minha pergunta seria:
    Nós operamos muito em Congonhas, onde de acordo com o AIP-Brasil, se deve operar com segundo piloto em comando em SBSP.
    Tanto é que quando faço plano na AIS Congonhas eles me perguntam o SIC (fiz um a 5 dias). Ainda complementando, nesse mesmo voo, tive uma Fiscalização da Anac, vulgo Rampa, no aeroporto de Congonhas, as 19h da noite, e o Inspetor da Anac, me perguntou quem seria o piloto em comando e o segundo piloto em comando.
    Isso seria uma grande contradição. Então se eles exigem um segundo comando a bordo, deixa de ser single, ou ao menos os dois deveriam anotar as horas. O que me diz sobre isso?
    Muito obrigado. Abraços

    • Raul Marinho
      1 ano ago

      Excelente pergunta!
      Vamos pensar num Seneca TPX com FPL IFR:
      -O avião é single?
      R: Sim!
      -Precisa de SIC?
      R: Sim!
      -“Uai, mas como precisa de SIC se o avião é single???
      R: Pois é… Porque a 135 exige!
      O caso que vc relata é análogo. Se precisa de SIC em SBSP, não faz diferença o avião ser 1P ou 2P. O problema é que não havia como registrar essas horas. Mas, agora, há: http://paraserpiloto.appa.org.br/2016/07/29/atencao-anac-regulamenta-o-registro-das-horas-de-voo-como-sic-copiloto-de-aeronaves-single-pilot/
      E vou te falar mais: dá para registrar retroativas.
      E quer outra? Se vc as realizou profissionalmente, 100% regulares tanto em termos de ANAC quanto de CLT, dá para emitir um documento oficial reconhecendo essas horas como experiência profissional (que é um “plus a mais” em termos de CV).
      Não é nada, não é nada, já é alguma coisinha, né?

      • Adalberto
        7 meses ago

        Seguindo essa ideia da necessidade de dois pilotos para operar em SBSP tenho uma duvida de interpretação sendo a aeronave um TIPO single pilot:

        O AIP diz:

        “a operação de aeronaves de asas fixas só será permitida com dois pilotos, exceto as aeronaves de categoria TPP, desde que operada por piloto de linha aérea (PLA)”

        Então para operar sendo PC é necessário um segundo piloto,obviamente o PIC deve ser abilitado no TIPO,mas e o outro “piloto”?Precisa também ser abilitado ou levando a risca o que desceve o AIP ser apenas PP ou PC para termos então “dois pilotos”?

        Saudações!

        • Raul Marinho
          7 meses ago

          Precisa. Não existe SIC não habilitado ao equipamento.

  4. Alexandre
    2 anos ago

    É um problema sério essa mentalidade brasileira.

    A ANAC (e demais entes da administracao publica) dificulta ao maximo para as pessoas que querem fazer o correto (visto que obviamente o “copiloto” esta ganhando experiencia a cada voo)

    E por outro lado o piloto acha absolutamente normal tentar achar brechas na lei para se beneficiar mesmo sabendo que o proposito nao é aquele…

  5. cardone
    2 anos ago

    Bom dia…Uma dúvida.Operador de equipamentos especiais que também é piloto, se voar com inva como posso lançar as horas na minha civ.Obrigado.

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      A questão é que não existe essa história de “voar com INVA”: um voo em “duplo-comando de instrução” é… De instrução! E, como tal, não pode ter propósitos comerciais, como transporte de pax/carga ou ser uma operação que utilize equipamentos especiais (com finalidades comerciais). Desta maneira, se vc está compondo a tripulação como operador de equipamentos especiais, o voo não poderia ser de instrução para um piloto, correto? Muito menos se este piloto fosse o próprio operador do equipamento.

  6. Fred Mesquita
    2 anos ago

    Se colocar qualquer leigo dentro de um avião monomotor TPP ele facilmente irá entender que trata-se de um avião que pode ser operado por 2 pilotos, bastando apenas ver manches e pedais no lugar do possível co-piloto. Então, se esse avião necessita ser “single”, porque então há um segundo manche?

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      Treinamento.

  7. Leitor
    2 anos ago

    Se já existe BIC na CIV normal, fico imaginando como seria o bom senso nessa.

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      Na verdade, não há como haver BIC numa CIV paralela… BIC é a fraude documental, e neste caso estamos falando de uma declaração do candidato: o recrutador acredita se achar que ele merece crédito. Se mentir, é como qualquer mentira em currículo.

  8. Leitor
    2 anos ago

    Dúvida:
    -para que o SIC possa lançar DC, nesse caso, ele teria que ter o GS da aeronave?
    -PLA, óbviamente habilitado no tipo, pode assinar a instrução no 91??

    Abs

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      -para que o SIC possa lançar DC, nesse caso, ele teria que ter o GS da aeronave?
      =>Não existe mais GS: hoje em dia, ou o piloto ou faz treinamento em CTAC (se houver CTAC certificado), ou um PC/PLA dá a instrução teórica e prática. Mas mesmo que o sujeito seja habilitado como PIC no TIPO, ainda assim ele não poderia lançar horas na CIV se voasse como SIC numa aeronave single TPP.

      -PLA, óbviamente habilitado no tipo, pode assinar a instrução no 91??
      =>Não, só INVA.

      • Leitor
        2 anos ago

        Obrigado.
        Apenas para complementar…ainda existe uma ou outra escola que oferecem o GS.
        Essa norma do PLA não poder assinar a instrução é difícil de entender…meu inva venceu em 1998…
        Agora vou fazer uma readaptação num AeroBoero, rechecar o INVA e dar instrução num jato….bem lógico…bem Anac…

        • Raul Marinho
          2 anos ago

          Então vamos esclarecer a questão do GS de acordo com o regulamento em vigor:
          -Se for para treinamento teórico de tipo de avião, de helicóptero bimotor, de dirigível, ou de aeronave de sustentação por potência, só pode ser em CTAC (RBAC-142), se houver curso certificado; ou por PC/PLA habilitado no tipo, caso não (é o que respondi anteriormente).
          -Se for para treinamento teórico de tipo de helicóptero monomotor, pode ser também em escola de aviação ou aeroclube (RBHA-141).
          Logo, se “ainda existe uma ou outra escola que oferecem o GS”, as alternativas são:
          a)Que se trata, na verdade, de um CTAC, e o GS é parte do treinamento certificado pela ANAC para o tipo; ou
          b)Que é um treinamento não certificado (e, portanto, não obrigatório); ou
          c)Que é um treinamento para helicóptero mono.

          Quanto aos seus questionamentos sobre instrutor PLA ou INVA, na verdade há uma lógica por trás: o INVA tem (ou deveria ter) habilidades pedagógicas além do conhecimento técnico. Se, na prática, ele não o tem, é outra questão, mas que existe um racional por trás, existe. Já quanto a vc dizer que vai rechecar o INVA para dar instrução num jato, gostaria de saber em que contexto isso vai acontecer, uma vez que jato é sempre tipo e, como tal, a instrução ocorre ou em CTAC ou por PC/PLA habilitado.

          • Leitor
            2 anos ago

            O contexto é simples…
            Voo um jato single pilot e tenho copiloto contratado e registrado pela empresa.
            Mesmo sem poder lançar horas para ele , dou instrução, revezo a operação na medida do possível, O copiloto em questão tem PLA checado. No momento oportuno, ele irá realizar o treinamento em CTAC.
            Além disso, como disseste na tua última frase, ” uma vez que jato é sempre tipo e, como tal, a instrução ocorre ou em CTAC ou por PC/PLA habilitado”. Como PLA, posso dar instrução, mesmo que ele não possa checar ou até mesmo lançar as horas.

            • Raul Marinho
              2 anos ago

              Então é o abordado no 2° parágrafo do post.

  9. Bruno Tuono
    2 anos ago

    Ótimo artigo, parabéns! Você saberia dizer como é a aceitação dos recrutadores no caso de CIV paralela hoje em dia?
    Um abraço!

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      Depende do recrutador e depende do candidato… Para uma vaga na aviação geral, se o contratante conhecer o PIC e/ou o operador, é bem provável que aceite. Na linha é mais complicado, mas se o candidato tiver uma boa indicação, e dependendo de como o recrutador pensar, é bastante provável que uma CIV paralela seja aceita.

  10. Alexandre
    2 anos ago

    Nos EUA durante a instrução, temos a parte do “time building” que é feita após conquistar a licença de PP, onde os alunos voam em pares (sem instrutor), usando o Hood (limitador de visão) simulando IFR em voos cross country.
    Durante esse período o PF loga como PIC, e o PM loga as horas como safety pilot excluindo os períodos de pouso e decolagem já que são feitos em visual.

    Se os RBACs são tao similares aos FAR, porque não fazer do mesmo jeito em relação as horas de voo???

    • Alexandre
      2 anos ago

      obs..
      PF- Pilot Flying
      PM- Pilot Monitoring

  11. Ótima a sugestão, Raul. E se você me permite complementar: vão se acostumando com a idéia de terem que competir no mercado internacional, mesmo do início, ainda como copilotos. Nesse sentido, vale considerar a abertura e registro de todas as horas numa “international logbook”, no formato internacional, em inglês, da forma que é mais aceita lá fora (com respectivas assinaturas e carimbos dos instrutores, ou diretores de instituições, ou simplesmente dos proprietários das aeronaves etc; quando se tratar de cheques, peçam ao examinador para assinar, carimbar e notarizar o cheque, na página; quando forem fazer um type rating na Flight Safety, eles possuem um adesivo específico, também). Afora isso, guardem tudo, certificados de conclusão de curso, training records, fichas de cheque (FAPs) ou cópias das mesmas etc. Falo por experiência própria, pois – na primeira vez em que eu saí para trabalhar no exterior -, foi uma “briga de foice no escuro” para ter minha experiência reconhecida, do jeito que estava. A MisterPilot, de São Bernardo do Campo – SP, tem em seu site opções de logbooks que são “FAA / EASA / ICAO compliant” e podem ser empregadas para esse propósito. Dêem uma olhada em http://www.misterpilot.com.br/Cadernetas?product_id=531. Essa logbook do link é a minha favorita. É a que eu uso há mais de 15 anos. #FicaADica

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      Ótima complementação, Fábio! Tks!

    • Leonardo
      2 anos ago

      Nessa caderneta de voo internacional, pode ser anotada desde as primeiras horas de voo de instrução?

  12. delta delta
    2 anos ago

    E tem alguma previsao dessa EMD006 e/ou propostas serem efetivadas??…..

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      2o tri.

      • Fabio
        1 ano ago

        Com a aprovação da emd006, nos termos que se seguiram, já é possível a anotação como copiloto em tpp single pilot?

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