“CIV paralela”: o ponto de vista de um recrutador

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Complementando o post em que falei sobre a adoção de uma “CIV paralela” (não oficial) para registrar voos realizados como “copiloto” de aeronave ‘single pilot’ TPP, reproduzo abaixo o trecho da resposta que me foi enviada por um amigo recrutador de uma companhia aérea, a quem inquiri sobre como ele encara tal procedimento:

Por causa do seguro e das regras da empresa, o candidato precisa demonstrar pelo menos 500hs registradas legalmente. Se, além dessas 500hs, ele me apresentar uma CIV paralela, ok, eu considero a experiência na “contagem de pontos” que eu faço na seleção. Mas o mais importante é o cara ser honesto comigo. Por exemplo: nós sabemos que ninguém em sã consciência vai dar um Phenom na mão de um garoto com 500hs de voo… E o cara me aparece lá com horas PIC. Eu pergunto: “vc voou isso sozinho mesmo?” se ele responder que não, que era copiloto mas o comandante deixava ele ficar com as horas, etc, etc, ganhou um ponto pela experiência de copiloto. Se disser que sim, eu vou dar uma investigada na vida dele mas, provavelmente, será reprovado…

Entenderam o ponto? Sejam as horas “oficiais” ou não, o importante é haver coerência – e, como em qualquer processo seletivo, ser pego mentindo sobre o currículo é sempre fatal. Este deve ser o entendimento da maior parte dos recrutadores, lembrando que o limite de 500h se aplica àquela empresa em especial: em outras ele pode ser menor ou maior.

Aproveitando a oportunidade, reproduzo também um outro trecho da resposta deste meu amigo, que dá uma outra dica interessante sobre “time building”:

Existe uma outra possibilidade de registro de horas – mais rara e cara – mas que as vezes aparece: Alguns copilotos de single pilot possuem a habilitação de tipo como PIC (alguém deixou ele checar) e, então, pode registrar horas como PIC. Acabam ocorrendo duas situações que eu vejo nas CIVs: 1) o pessoal “racha” as horas e cada um lança uma etapa sim uma etapa não como PIC (e não lança nada da outra). Isso acontece quando o comandante é gente boa e não precisa de horas… 2) o copiloto lança TODAS as horas como PIC e o comandante não lança nada – isso acontece quando o comandante é muito gente boa e não precisa definitivamente de horas…

5 comments

  1. Paulo
    2 anos ago

    Quais os tipos de aviação que proporcionam “horas LEGAIS” em uma CIV? Apenas aviões homologados (PP-PR-PT), ou experimentais e ultraleves também são considerados para “time building”? A seguradora aceita esses tipos de aeronaves?

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      Para fins de CIV, a experiência obtida em aeronaves “experimentais” (PU-*** ou P*-Z**) pode ser anotada. Só que elas não valem oara fins de obtenção de licença ou elevação de nível. Já para fins de seguro, é preciso verificar o que diz cada apólice.

  2. Marcos Véio
    2 anos ago

    Com todo o respeito. Conhecendo o brasileiro. A dinâmica da indústria. A malandragem que rola na formação do piloto nos dias de hoje… Hummmmm. E se eu fosse o dono de um jato de milhões de dólares. Eu desconsideraria esse dispositivo.
    Em países sérios, ficaria mais tranquilo.

    • Chumbrega
      2 anos ago

      Eu não desconsideraria, feitas as ressalvas do post original do Raul.
      Por que assumir que todo mundo é malandro? Você foi? Acho que a maioria não é! Além disso, se eu fosse dono de um jato de milhões de dólares, com certeza não é esse piloto, com horas mínimas, que você vai chamar pra ser PIC do seu Jato.

      • Marcos Véio
        2 anos ago

        Também acho que a maioria não é. Mas não podemos negar que existe. É sobre sua última frase. Concordo plenamente.

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