“A desilusão do mercado offshore” e o colapso no mercado de trabalho de pilotos de helicóptero

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Por coincidência, no mesmo dia em que publiquei a prévia do IEP-2015, mostrando um colapso no mercado de trabalho de helicópteros, a revista Aeromagazine publicou em seu site um artigo (brilhante, por sinal) sobre “a desilusão do mercado offshore“. Em síntese, o que o texto da Aero diz sobre a situação atual é o seguinte:

Tempos difíceis

A redução da frota, hoje em torno de 70 aeronaves [eram 100], e a redução no número de horas voadas por aeronave, aliadas à não renovação de contratos existentes e à suspensão das contratações, acaba por trazer a certeza para a indústria de que tempos difíceis estão por vir. A redução nos quadros das empresas será obrigatória e demissões são esperadas no setor. Além disso, qualquer retomada demandará tempo, pois aeronaves que estavam reservadas para a operação brasileira invariavelmente serão alocadas pelas empresas de leasing em outras áreas, como a Ásia e a África.

(…) Os pilotos e mecânicos, atraídos para a atividade offshore em função dos salários comumente acima da média da indústria, agora veem-se desempregados, alguns já há vários meses, fato impensável poucos anos atrás.

Menos 30 aeronaves voando nas plataformas significam 150 vagas de trabalho a menos no mercado pela metodologia IEP, que arbitra 5 pilotos por aeronave para a operação de táxi aéreo offshore. Provavelmente é mais do que isso, pois a redução no número de horas voadas por aeronave deve implicar em uma redução na relação de pilotos/aeronave, mas fiquemos com este número. Dado que os pilotos da aviação offshore são, regra geral os mais experientes e qualificados do mercado de asa rotativa, e que a frota de helicópteros da aviação executiva e de táxi aéreo continental ficou praticamente estagnada em 2015, o (re)ingresso daqueles 150 profissionais superqualificados neste mercado é suficiente, por si só, para explicar o colapso no mercado de trabalho de asa rotativa.

Mas, apesar disso, e de que a recuperação não deverá acontecer no curto prazo, nem tudo são más notícias. Vejam o que diz o último parágrafo da matéria, especialmente no trecho grifado:

De acordo com interlocutores da indústria, os preços do petróleo na faixa atual e a situação complexa da Petrobras em termos de dívida e caixa estão fazendo com que a empresa alongue seus planos de investimentos e crescimento da produção. Com menos investimento em exploração e produção, a necessidade de transporte diminui, e qualquer retomada demandará tempo, talvez três anos ou mais, pois, antes de se chegar aos helicópteros, outros setores, como o de sondas de perfuração, precisam mostrar alguma recuperação. Assim, embora não tenham certeza do tamanho da dificuldade que está em andamento, a indústria sabe que o aperto está apenas começando e que deve durar por alguns anos ainda. O alento é que, apesar de os investimentos estarem aquém do previsto inicialmente, a Petrobras confirmou, no início de 2016, um aporte de US$ 80 bilhões para a divisão de exploração e produção em seu Plano de Negócios e Gestão 2015-2019. O valor representa 81% do total de investimentos e demonstra que a companhia manterá essa divisão como prioridade, com ênfase no pré-sal.

Ou seja: a exploração de petróleo nas plataformas de petróleo não morreu e a maior parte dos investimentos estão preservados no longo prazo. Portanto, também não é verdade que a aviação offshore está ex extinção, pelo contrário. Após esta fase de ajustes, que deverá durar cerca de 4 anos, é provável que o mercado volte a crescer ou, pelo menos, se estabilize. Quem (sobre)viver, verá…

One comment

  1. Barbara Rodrigues Meneses
    12 meses ago

    Eu sei que não está fácil e muito difícilas tenho certeza no fundo de poço que nos brasileiros si encontramos nos vamos encontrar a luz que tantos almejando

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