Se o seu patrão lhe oferecesse a oportunidade de ir trabalhar em outro lugar ganhando mais, isso seria ruim para você? E para ele?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Na semana passada, a ‘pilotosfera’ entrou em ebulição com as cartas que a Azul e a TAM enviaram para seus respectivos pilotos oferecendo a oportunidade de ir voar em companhias chinesas. Estranho? Sim, estranho… Mas, no fim das contas, isso seria ruim para você? E para o seu empregador?

Vamos pensar. A situação de empregabilidade para pilotos não está nada boa no Brasil. Embora não se estejam falando em demissões em massa nas companhias aéreas de maneira oficial, o fato é que não seria surpresa para ninguém se isso acontecesse nos próximos dias. Na Azul, há um programa de LNR-Licenças Não Remuneradas em andamento, e a companhia já anunciou que irá devolver pelo menos 20 aeronaves de sua frota. Além disso, há a informação de que a remuneração de pilotos na China é muito superior à brasileira, superando a casa dos US$230mil/ano, o que dá quase um milhão anuais na moeda brasileira. Dito isto, por que tal oferta poderia ser nefasta para os tripulantes? Se há algum motivo para tal, desconheço.

Vejamos agora a situação pelo ponto de vista do patrão. Dado o conflito inerente entre capital e trabalho, não seria o capitalista sempre contrário aos interesses do trabalhador? Assim sendo, se é o patrão que oferece tal “oportunidade”, não seria esta temerária para os pilotos? Talvez seja este o fato que gere tanta desconfiança na ‘pilotosfera’, na realidade… Mas não é difícil perceber que, neste caso, há fatores que tornam a oferta boa tanto para capitalistas quanto para proletários.

Primeiro porque o piloto pode ir voar no exterior de qualquer maneira, com ou sem a “oportunidade” anunciada pela companhia brasileira. Só que, se o sujeito for por conta própria, seriam menores as chances de ele voltar a trabalhar na companhia original brasileira no seu eventual retorno – e, convenhamos, o país não vai ficar imerso nesta crise econômica eternamente. Segundo, porque é muito melhor para o empregador fazer um acordo para que o empregado saia por sua própria iniciativa (com ou sem LNR) do que demiti-lo (e, infelizmente, isso deve acontecer cedo ou tarde). E, em terceiro lugar, porque, no caso da Azul, o contratante seria a HNA, que é um dos acionistas da empresa, com 1/4 do controle.

Então, seja por qualquer ângulo que se observe a situação, a oferta efetuada pelas companhias aos seus pilotos é favorável tanto a patrões quanto empregados. Mesmo que pareça estranha à primeira vista.

5 comments

  1. Arantes LP
    10 meses ago

    Reunião na Azul: Antonaldo falou que a crise é muito seria, que a empresa ta numa situação muito dificil, porém o aporte de capital da united e HNA ajudou a segurar as coisas.

    ATR – hoje se tirar 15 atrs da rota nao vai fazer diferença na malha, atr se tornou um “mico” em todo o mundo devido ao preço do petroleo estar muito baixo. Sobra pilotos em vcp no atr, poa nao ta sobrando, porem o pessoal voa pouco devido a má qualidade da malha.
    Embraer – disse que nao vai perder oportunidade de vender aviao, se tiver comprador, vai vender.
    Demissoes – o custo com a demissao nao compensa, sao em media 7x o salario só para pagar as custas. Como o salario é 50% variavel, hj com a diminuição de 7% da demanda, ele só tem um aumento de 3,5% de salarios, o que é insignificante para a empresa.
    Se o dolar chegar a 3 reais a empresa volta ao patamar seguro.
    Gol quis quebrar a azul colocando voos nos mesmos horarios, porém com o aporte de capital da HNA ela viu que o buraco era mais embaixo, e recuou.
    A compra de 40% da tap ja estava fechada desde novembro, porem era info sigilosa, nao podiam falar.

  2. Concordo, desde que o(a) aviador(a) em questão (1)- preencha os requisitos técnicos de aptidão física e de idade aceitáveis à empresa e à autoridade aeronáutica de lá, (2)- tenha paciência para aturar a “epopéia” que é o processo de recrutamento (um ano ou mais, salvo raras e honrosas exceções) e (3)- consiga se adaptar lá, principalmente do ponto de vista cultural. Se os salários deles são acima da média do mercado internacional, não é exatamente porque são “bonzinhos”. Na real:
    – o índice de reprovação (principalmente no exame teórico para obtenção da licença do CAAC e do exame médico de 1a. classe) é bem alto. É preciso se preparar com dedicação;
    – a rotatividade é alta, a despeito dos altos salários. Muita gente não agüenta aquilo lá (e aí prefiro não entrar em detalhes, porque as experiências são – obviamente – muito pessoais).
    Em tempo, o objetivo do meu comentário não é desestimular ninguém. Pelo contrário. Quem achar que reúne as condições tem mais é que ir, tanto pela perspectiva de ganho financeiro quanto pela aquisição de experiência internacional, na qualidade de expatriado. Só não espere um “mar de rosas” (no caso, de flores de lótus), porque não é.

    • Senior
      10 meses ago

      Interessante, Cmte, o ponto de vista.
      Realmente há muitas dificuldades a serem enfrentadas por quem se “aventura” a ir voar lá fora.
      Mas o que estamos vendo neste caso da Azul (e o que vimos posteriormente no caso da TAM) são as empresas (as citadas) facilitando a “transferência” de seus pilotos para uma outra oportunidade. Claro que há os requisitos, como o Sr. citou, e também as dificuldades inerentes ao processo seletivo, assim como há para outros processos.

      Porém, classifico essa iniciativa das empresas citadas como louvável, tendo em vista a possibilidade da “transferência”, de uma forma antes nunca vista (pelo menos por mim!) em anos anteriores na aviação brasileira. Como vantagem, temos o fato de o piloto ter a oportunidade de experimentar uma nova experiência no mercado externo, agregando mais à sua carreira e recebendo mais por isso. E ainda com uma certa “garantia” (mesmo que não seja tão certa assim) de empregabilidade no futuro, em seu próprio país, posteriormente.

      Sabemos que não é um “mar de rosas” (no caso, de flores de lótus), como o Sr citou. Porém, ou é isso, ou é ficar aqui no Brasil sujeito ao desemprego.

      Meu ponto de vista: melhor isso do que nada!

      Bons voos.

  3. Daniel
    10 meses ago

    o maior desafio é continuar nessa bananalandia sendo afundada por tantos corruptos
    está cada dia pior, cada dia mais difícil…

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