Dados do CENIPA sobre acidentes com aviação experimental

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Os dados sobre os acidentes com a “aviação experimental” apresentados abaixo foram fornecidos pela assessoria de imprensa do CENIPA. Embora haja indícios inequívocos de subnotificação (vejam as estatísticas do período 2005-09 contra 2010-15), o fato é que os números de 2015 são alarmantes: 41 acidentes, ou aproximadamente um a cada 9 dias. Parece-me evidente que é preciso atacar o problema da segurança neste segmento da aviação brasileira – e, certamente, continuar a não investigar os acidentes ocorridos com aeronaves não certificadas não deve ser a melhor estratégia para tal.

De 2005 a 2015, no Brasil, houve 166 acidentes com aeronave experimental privada, deles 67 fatais, totalizando 98 mortes, neste período, conforme gráficos abaixo.

Devido ao dinamismo das investigações, os dados ainda não estão consolidados no ano de 2016, não sendo contabilizados.

1) ACIDENTES NO BRASIL
Total de acidentes no período 2005-2015: 166

Figura 1 – Acidentes na aviação experimental privada no período 2005-2015, no Brasil

acidex1
2) FATALIDADES NO BRASIL
Total de fatalidades no período 2005-2015: 98

Figura 2 – Fatalidades na aviação experimental privada no período 2005-2015, no Brasil

acidex2
3) ACIDENTES COM FATALIDADES NO BRASIL
Total de acidentes com fatalidades no período 2005-2015: 67

Figura 3 – Acidentes com fatalidades na aviação experimental privada no período 2005-2015, no Brasil

acidex3

 

 

20 comments

  1. Godoy
    10 meses ago

    Raul, muito pertinente sua pesquisa com dados sobre os acidentes com os “experimentais” pois os mesmos não são divulgados e mensurados pelo Cenipa.
    Na minha opinião a aviação “experimental” é uma falha na legislação aeronáutica Brasileira.
    Aeronaves ou objetos voadores são construídos de forma amadora e deficiente com materais não aeronáuticos (homologados) e que nunca atenderão requisitos mínimos de aeronavegabilidade sendo assim eternos experimentos(???).
    Esperamos que esse acidente além de trágico deixe algum legado de mudança, seja pela extinção da categoria, submissão a homologações de materiais/equipamentos ou reclassificação para ultraleves (desportivas) com restrições a operações em aeroportos SB, corredores específicos; como hoje existe as REAST ou em áreas não povoadas.
    Se nada for mudado iremos apenas aguardar o próximo acidente de alguém que assumiu ” voar por sua conta e risco” não faca como vitima pessoas que nada a ver tem com isso.

  2. Vamos aos números, mesmo sub-notificados:
    Nos 166 acidentes, houveram 98 mortes, significando que se você sofrer um acidente com aeronave experimental, você tem 60% de chance de morrer.
    Dos 166 acidentes, 67 tiveram mortes, ou seja:
    Em cada 2,5 acidentes, um é fatal, ou seja: 40% dos acidentes produzem mortes.
    São taxas absurdas, que têm mesmo que ser divulgadas para que a sociedade saiba dos reais riscos que essa aviação informal oferece enquanto não for devidamente certificada e fiscalizada desde a fabricação das aeronaves, formação dos pilotos e sua habilitação por uma entidade pública, manutenção em oficinas homologadas, etc..

    • Eduardo Rivas
      10 meses ago

      Augusto, estás a dizer bobagem!! Essa taxa de mortes é a mesma, ou talvez até maior, para acidentes com aviões homologados. O risco de morte em acidente aéreo com experimental NÃO é maior do que em acidentes com homologados. Pode conferir: a maioria dos acidentes, tanto em experimentais quanto homologados, é por erro de julgamento e de perda de controle em voo. Ou seja, deficiência na PILOTAGEM, decorrente de uma precária INSTRUÇÃO DE VOO, e somente em raríssimos casos decorre de alguma falha estrutural ou de projeto. E mais, um piloto desleixado irá cair com qualquer avião, seja homologado ou não. Não é um mísero status no papel, uma mísera situação jurídica que aumenta ou diminui o risco, e sim a qualidade do projeto e da construção. Ademais, um processo de homologação é absurdamente caro, impeditivo, exige trocentos voos de testes, pagamento de pilotos de provas, etc, etc, o que inviabilizaria a maioria dos projetos da aviação leve e desportiva. Só há uma classe interessada em abolir os experimentais: os fabricantes de aviões homologados, e aqueles pilotos de gabinete que desconhecem completamente esse ramo da aviação, e que nunca puseram os pés em uma Sun ‘n Fun ou Oshkosh. Veja quantas dezenas de milhares de experimentais voam normalmente nos EUA

      • Eduardo Rivas
        10 meses ago

        Outra classe de interessados na abolição dos experimentais, e que me esqueci de mencionar, são os donos de oficinas homologadas. Esse aí, que frequentemente fazem caríssimos serviços, muitas vezes de forma porca e desleal, torcem avidamente pelo fim dos experimentais.

        • Beto Arcaro
          10 meses ago

          Imagina!
          Muitos deles, pra não dizer grande parte, trabalham com Aviação Experimental também.
          Afirmação sem fundamentos.
          Pra você manter um RV10 “como se deve”, você vai gastar hoje, com mão de obra séria, o mesmo que gastaria pra manter um Corisco.
          Se não for assim, não vai voar de forma segura.
          É a situação!
          Não existe almoço grátis!
          Aliás, talvez esse tipo de pensamento explique muita coisa.

      • Raul Marinho
        10 meses ago

        Eduardo, faz um favor prá gente, então, já que vc contesta as estatísticas apresentadas pelo outro leitor: traga as estatísticas das aeronaves certificadas TPP para compararmos.

        • Beto Arcaro
          10 meses ago

          Hehe…
          Cuidado Raul!
          Ele pode trazer os dados do “Data Folha”!

          • Raul Marinho
            10 meses ago

            Aliás, acho que o departamento de estatística do CENIPA fez estágio lá…

            • DINIZ GONCALVES
              5 meses ago

              Olá Raul.
              Por gentileza, solicito encaminhar o link do CENIPA de onde foi extraída a estatística sobre os acidentes dos experimentais.
              Revirei o site do CENIPA e não encontrei essa informação.
              Obrigado.
              Diniz
              diniz@ger.eng.br

                • DINIZ GONCALVES
                  5 meses ago

                  Olá Raul.
                  Agradeço pelo link, no qual consegui baixar o PANORAMA ESTATÍSTICO DA AVIAÇÃO CIVIL BRASILEIRA. Este documento informa que ocorreram 0,08% de acidentes com experimental e 0,08% com ultraleves.

                  Gostaria de saber de onde foi extraída a informação da figura 1 deste post: Figura 1 – Acidentes na aviação experimental privada no período 2005-2015

                  Muito obrigado mais uma vez.
                  Diniz P. Gonçalves – Eng. Mecânico-Aeronáutico
                  12 981-329-969

                  • Raul Marinho
                    5 meses ago

                    Os dados primários são obtidos a partir dos arquivos .csv mencionados.

                    Os dados e gráficos apresentados neste post foram produzidos pelo CENIPA e enviados a diversos órgãos de imprensa, mas não foram publicados no respectivo site.

                    • DINIZ GONCALVES
                      5 meses ago

                      Olá Raul.
                      Desculpe a insistência, mas preciso confirmar a veracidade desses gráficos. Baixei os arquivos .csv e eles se referem exclusivamente às investigações realizadas pelo CENIPA, as quais referem-se somente às anvs homolgadas e não incluem os experimentais.

                      Por favor, vc poderia me enviar o arquivo do CENIPA que foi encaminhado aos órgãos de imprensa?
                      Qual seria a razão para o CENIPA não expor esses gráficos no site oficial deles?
                      Muito agradecido.
                      Diniz

                    • Raul Marinho
                      5 meses ago

                      Sugiro entrar em contato com o CENIPA, caso haja dúvidas.

                    • DINIZ GONCALVES
                      5 meses ago

                      Raul,
                      Vc é o editor deste blog e, portanto, é o responsável pela publicação destes gráficos.
                      Se vc não possui a fonte desta informação e ela não está disponível no site do CENIPA, tudo indica que estamos diante de uma informação, no mínimo, suspeita.
                      Conheço muita gente no CENIPA, pois sou Ten. Cel. Av. da FAB.
                      Irei buscar esta informação. Caso não encontre, terei que divulgar à comunidade aeronáutica que o seu site está divulgando informações erradas.
                      Att,
                      Diniz

                    • Raul Marinho
                      5 meses ago

                      Prezado Ten Cel Diniz Gonçalves,

                      Estou de saída para um compromisso neste momento. Respondo ao seu comentário mais tarde.

                      Ats,

                      Raul Marinho

                    • Raul Marinho
                      5 meses ago

                      Prezado Ten. Cel. Diniz Gonçalves,

                      Embora não tenham sido divulgados diretamente através do site do CENIPA, todos os dados, informações e gráficos apresentados neste artigo foram produzidos por aquela instituição, e posteriormente encaminhados a diversos órgãos de imprensa, à pedido, com amparo na Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação).

                      Inclusive, qualquer cidadão poderá solicitar as mesmas informações, bastando tão somente requisitá-las à autoridade competente, fundamentando seu pedido.

                      Atenciosamente,

                      Raul Marinho

  3. Beto Arcaro
    10 meses ago

    Raul,
    Então eles têm esses dados?
    Nunca tomaram nenhuma atitude?
    Esses são os que ficaram notórios.
    E aqueles que “ninguém fica sabendo”?

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