Anuário de Tráfego Aéreo do DECEA – E a explicação dos indicadores de segurança de voo não estarem piorando no Brasil

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Foi publicado ontem o Anuário de Tráfego Aéreo do DECEA – 2015. Bela edição, com 232 páginas muito bem ilustradas e uma quantidade de dados absurda. Aliás, sugeriria aos estatísticos do CENIPA, que envergam a mesma farda, uma olhada nesses números para ver se não dá para testar algumas hipóteses sobre segurança na aviação relativa a operações de voo, só para variar um pouco. Sei lá, é só uma sugestão para quebrar a rotina do dia-a-dia dos “panoramas de segurança da aviação” que o órgão produz. Deve ser um tédio…

Bem, mas voltemos ao tráfego aéreo. Das informações apresentadas sobre movimentos em aeródromos, vamos nos concentrar em duas: as sobre SBMT (Campo de Marte) e sobre SBJR (Jacarepaguá), que estão entre os mais importantes aeroportos do Brasil para a aviação geral. Vejamos os números totais de operações nos últimos anos:

SBMT – Quantidade de operações da aviação geral:

  • 2013: 135mil
  • 2014 115mil (-15% sobre o ano anterior)
  • 2015: 103mil (-10% sobre 2014 e -24% sobre 2013)

SBJR – Quantidade de operações da aviação geral:

  • 2013: 126mil
  • 2014: 111mil (-12% sobre o ano anterior)
  • 2015: 89mil (-20% sobre 2014 e -29% sobre 2013)

A redução média das operações da aviação geral nestes dois aeroportos foi de 26,5%, comparando 2015 com 2013. Ou seja: a aviação geral encolheu mais de 1/4 no período, e em 2016 deverá encolher outro tanto. E como se sabe que é na aviação geral que acontece a maior parte dos acidentes (não só no Brasil mas no mundo todo), então está explicado porque os indicadores de segurança da aviação brasileira não explodiram nos últimos anos.

Ao que parece, a segurança da aviação do Brasil tende a melhorar muito no futuro próximo!

4 comments

  1. Lucas Nunes
    1 ano ago

    Ótimo Anuario….Isto mostra como encontra-se a Aviação no Brasil , e também a total transparência da Economia. Para aqueles que investiram tudo para tornar-se um PCH ou INVH (meu caso , conclui o curso em final 2014 e ate hj encontro-se desempregado.)
    Agora, vejamos, os números realmente de acidentes e Incidentes irão reduzir perante ao fluxo de aeronaves ter reduzido, mas também devemos observar que o poder aquisitivo dos empresários e proprietários de aeronaves reduziu!!! dai temos que ficar atentos para as “FUTURAS MANUTENÇÕES” não vir a modificar os relatórios de Segurança de Voo.

  2. EC
    1 ano ago

    Muito bom este anuário, nem parece serviço do decea. Parabéns aos envolvidos no levantamento. As quedas nos movimentos dos aeródromos refletem a nossa realidade econômica. Bom que depois da queda vem a alta.

  3. Jaime Avelino Neto
    1 ano ago

    No caso de SBRJ, leia-se também a inépcia da infraero em administrar as operações da aviação geral. Inacreditável para não dizer absurda as restrições de slots de pátio. Muita falta de competência que reflete na segurança de voo.

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