“Como contratar um serviço de táxi aéreo”, segundo a ANAC

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O Portal da ANAC publicou recentemente uma nota em seu portal sobre “como contratar um serviço de táxi aéreo“. Muito bom o texto, e melhores ainda os links para consultas de empresas, de aeronaves, e para fazer denúncias – sem ironias: trata-se de um texto realmente bom! Mas, honestamente, acho que a iniciativa terá eficácia limitada. Não acredito que o usuário seja desinformado, e que esteja entrando num TACA achando estar num táxi aéreo regular. Pelo menos, não a maioria… O sujeito simplesmente quer pagar menos, entende que a certificação 135 é mera burocracia, e que uma aeronave particular também tem autorização da ANAC para voar. Então, no fim das contas, cai-se na mesma discussão do Uber, percebida pelos usuários como uma simples questão de alvarás e de interesses dos burocratas e de seus “clientes”, os taxistas.

A estratégia da ANAC de combate ao TACA é utilizar “campanhas de conscientização”, da qual esta nota é um exemplo. Não vai funcionar a contento porque o usuário já é consciente na maioria dos casos – essa é que é a questão. É diferente de, por exemplo, a campanha contra o Aedes, em que boa parte da população não tinha a consciência de que uma lata de sardinha jogada no quintal poderia ser o criadouro do mosquito. Aí, sim, uma “campanha de conscientização” pode ser eficiente – embora nem neste caso seja 100% eficaz.

Ok, mas se esse tipo de estratégia não funciona, o que pode funcionar, então? Na minha opinião, há três ações que, se utilizadas em conjunto, poderiam ser realmente efetivas contra o TACA:

  1. Fiscalização em larga escala. Estes dias, a ANAC autuou um operador fazendo TACA em Porto Alegre. Ótimo! No dia em que isso passar a ser rotineiro, aí sim estaremos começando a combater o TACA. “Ah, mas aí falta fiscal”. Pois é, falta INSPAC assim como falta médico em posto de saúde, falta juiz nos fóruns, etc. É um desafio, sem dúvida, mas tem que ser superado.
  2. Agilidade e desburocratização da certificação 135. Deveria ser muito, mas muuuuuito mais fácil estabelecer-se como operador de táxi aéreo no Brasil. A regulamentação para constituição de táxis aéreos mudou no ano passado para melhor, e tenho conversado com operadores que têm revelado substancial diminuição nos prazos de resposta da Agência. Mas ainda há muito a melhorar nesse sentido, sem dúvida nenhuma.
  3. Inteligência (modelos de “BI”). Como um operador de cartão de crédito consegue descobrir que uma compra de peças para caminhão numa loja de Jaboatão dos Guararapes realizada por um professor de inglês paulista é suspeita, e não aprova a operação? São modelos de “BI” (‘Business Intelligence’) que deduzem a fraude. Na aviação, a mesma coisa é possível para detectar TACA: há perfis de operação que são típicos de fretamento de aeronaves, e há informações disponíveis para rastreamento que não estão sendo utilizadas. Só falta utilizá-las de maneira mais inteligente (tanto no sentido amplo como no restrito).

O ‘taqueiro’ mais comum não é um marginal à espreita de vítimas indefesas, como me parece que a ANAC imagina. Na verdade, o “fretamento informal” de aeronaves ocorre frequentemente com operadores que atuam na legalidade na maior parte do tempo, e realizam a operação irregular como uma maneira de “redução de custos”, não como um meio de vida: é quase um “favor” prestado àquele que a Agência supõe ser a “vítima” do táxi aéreo pirata. É por isso que a “vítima” não vai dar a mínima para uma nota como esta.

 

One comment

  1. Gustavo
    1 ano ago

    e falta da participação das seguradoras: Fez taca? seguro quadruplica. Piloto não registrado? Seguro Quadruplica. FEZ FSI? Desconto no seguro.
    E as seguras auditarem. Já enxem o saco quando é casa, mas ignoram pro avião.

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