Espaço aéreo brasileiro é classificado como “criticamente deficiente” pela IFALPA – o que isso significa, na prática

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Conforme antecipado aqui, ontem a IFALPA efetivamente reclassificou o espaço aéreo brasileiro para a categoria Critically Deficient, devido ao risco provocado pelos balões não-tripulados que povoam os céus de nosso país – vide Comunicado Oficial da IFALPA. De acordo com esta reportagem da Aeromagazine, “o espaço aéreo brasileiro passa a ter a mesma classificação de países com zonas de guerra e regiões sem sistemas de controle de tráfego aéreo”, que também cita as principais consequências práticas deste rebaixamento:

(…) Entre os principais problemas da nova classificação está o aumento do valor do seguro exigido para empresas aéreas que optam em voar para locais classificados como de risco. Além disso, muda uma série de certificados internacionais exigidos pelas companhias aéreas brasileiras. O que deverá trazer num curto prazo diversas consequências à aviação nacional.

A primeira delas é o risco de empresas estrangeiras deixarem de voar para o Brasil, inclusive durante os Jogos Olímpicos. Além disso, com o aumento do valor do seguro, as empresas nacionais podem enfrentar um novo desafio justamente num momento de retração econômica, o que em geral impacta no valor das passagens aéreas.

Pois é, né… No meio de uma crise econômica fenomenal em que a aviação está quase sucumbindo, e meses antes de começarem as Olimpíadas, temos nosso espaço aéreo “rebaixado” por um fator plenamente evitável. Não temos vulcões expelindo plumas de fumaça, rebeldes insurgentes com mísseis terra-ar, aeronaves de nações inimigas nos ameaçando, nem nada disso. O que temos é um grupo de pessoas que se acha no direito de exercer sua “tradição”, sua “cultura”, inclusive sob aplausos de boa parte dos representantes políticos nos Estados e no Congresso. E para que este grupo possa continuar praticando sua “arte”, toda a sociedade agora vai pagar mais caro para voar, e nossa imagem sofrerá mais um arranhão no exterior.

Agora só nos resta pedir ao violinista do Titanic que não pare de tocar.

37 comments

  1. Ricardo
    1 ano ago

    Uma divagação sobre pensamentos e controvérsias.

    Vai vendo como existem pessoas que são intolerantes ao dialogo, vai vendo como regimes ditatoriais nascem de pessoas que são verdadeiros apedeutas ao fecharem os olhas para uma realidade que já existe há séculos, vai vendo como a decisão unilateral sempre tem a melhor solução, não é mesmo?

    Vai vendo como a empáfia e a conjectura “estou certo o resto que se exploda”, sempre leva a gente pra frente!

    Vai vendo como pensamentos retrógados, e pessoas sem qualquer faculdade de raciocínio, ou logica mínima, tentam impor seu ponto de vista sem dialogo, sem nem sequer entender da outra parte.

    Vai vendo que pessoas não tem a menor noção ao interpretar uma lei! Isso é o mínimo que se espera.

    Vai vendo como diante de tudo isso na hora da discussão ordeira e de se sentar para achar uma solução bilateral, e justa, fascistas querem se impor a qualquer custo, queria eu que a lei dissesse ferro em brasas aos que querem se impor a qualquer custo, ai sim eu queria ver o cumpra-se a lei.

    E é com ajustes unilaterais, com uma única parte dizendo estou certo o resto esta errado, é desta forma que saímos do fundo poço.

    Ah, mas isso é só uma divagação…

    • vai vendo...
      1 ano ago

      Boa divagação.
      Belo texto.
      O ponto é: qual o resultado eterno de um acidente aéreo? São famílias e pessoas que ficarão esperando por outras pessoas que jamais voltarão. Simples assim.
      Soltar balão é crime. Ataca a segurança de vôo.
      Depois de uma acidente, aparecem milhares de especialistas de plantão para dar a solução ou dizer o que o piloto fez de errado. Muitos aparecem. Menos o piloto. Nem os passageiros.
      Hj, vivemos num país que a lei não é cumprida, pq nada acontece com quem não a cumpre. Mas pior do que isso, é o estímulo que alguns fazem, em nome de tradição(faz 300 anos que solta-se balão), ao descumprimento da lei.
      Soltar balão é crime.
      Apologia ao crime, tbem é crime.
      É lei. Não é uma “interpretação” da lei.

      • Ricardo
        1 ano ago

        Bom, o artigo 42 de crimes ambientais diz que balões QUE POSSAM CAUSAR INCÊNDIOS, salvo isso não há crime correto?
        Isto posto utilizar o artigo 261 torna-se sem uso, pois o risco é abstrato, ou não ocorre se mantermos balões e aviões a muitos quilômetros de distancias correto?

        Isso não ocorre hoje, e também acho um absurdo balões na cabeceiras de aeroportos, mas lutamos por uma mudança, que é o certo ao meu ver, por fim vidas sem duvida valem infinitamente mais que balões seria um estupido eu se não concordasse com isso, porem mantendo ambos aviões e balões a quilômetros de distancia e havendo controle vertical e de tempo de voo, alem é claro de estarmos dentro de um “cubo” limitado alem de NOTAM que é o que esta sendo proposto, qual o problema em manter ambos no alto?

        • vai vendo...
          1 ano ago

          Sr Ricardo
          Eu, como cmte de aeronave, desejo, honestamente, que o sr nunca esteja a bordo de uma aeronave que colida com um balão, ou que corra o mínimo risco de colidir com um balão.
          Não só com balão, mas com pássaro tbem.
          Não se trata de balões nas cabeceiras dos aeroportos….um procedimento de aproximação e pouso vai muito além da proximidade da cabeceira. Além disso, sempre que avistado, é possível a tentativa do desvio, mesmo entre 250 e 200kt de velocidade…e quando não é avistado??
          Até agora não encontro um motivo para se soltar balão…
          Talvez, os baloeiros não vejam motivos para termos aviões transportando pessoas, inclusive baloeiros….

  2. Marcos Real
    1 ano ago

    Senhores, a solução esta conjuntamente com as associações de baloeiros, falamos de uma cultura popular de mais de 300 anos e pouco mais de 100 se relacionando com os aviões, nunca aconteceu um acidente. Diversos países na Europa, Ásia e América Central tem a mesma cultura e não vemos alarde sobre balões. A solução seria regulamentar uma forma de controle com notam em áreas longe das rotas de aproximação e de decolagem.

    Itália – https://www.youtube.com/watch?v=wwDMlh1p3lU

    https://www.youtube.com/watch?v=GcDon3Pq9qs

    https://www.youtube.com/watch?v=K_Kvm68QyKA

    https://www.youtube.com/watch?v=cjVEwEoq8WQ

  3. Egbert Schlogel
    1 ano ago

    Vai recomeçar a caça as bruxas.
    O Cenipa alega 7 acidentes entre aeronaves e balões que todos desconhecem. 2011 air bus a 319 colidiu com banner e teve seus pitot’s entupidos com plástico azul. NÃO USAMOS PLÁSTICO, e para entupir os pitot’s a aeronave teria que ser coberta pelo tal banner, pois que eu saiba, os pitot ficam um de cada lado, e mais, os tais pitot são super aquecidos para não haver congelamento, então não sobraria vestígios. A alegação de uma colisão com um balão, que seria de toneladas, cai por terra.
    Comento, não querendo isentar o perigo existente
    Caríssimos Senhores, buscamos a regulamentação a anos, portas e mais portas se fecham para este assunto(risco baloeiro), varrer a sujeira para debaixo do tapete parece ser a solução dos orgãos aeronáuticos. Práticas culturais não se acabam com um estalar de dedos, carece, e em caráter de urgência, uma regulamentação, a qual as Associações já apresentaram ao SNA.
    E este rebaixamento do espaço aéreo me parece mais um boicote internacional as olimpíadas.
    Att: Egbert.

  4. vai vendo...
    1 ano ago

    Não preocupem-se.
    O Sr Felipe Koeller e o Sr Carolina, autores da nova lei que “criará” a nova profissão, a de Aviador, já estão resolvendo esse problema.

  5. Pedro
    1 ano ago

    Como já comentado, é de se estranhar esse súbito “rebaixamento” devido a um problema antigo. E o risco de fauna? Ontem (26 de abril) tivemos duas colisões com fauna com efeito significativo no voo (em GRU com air turn back e em MCZ com RTO). A presença de fauna nos aeródromos e seus arredores é um problema crescente, principalmente por causa da baixa percepção do setor aéreo, dos municípios e órgãos públicos, e com risco muito maior – alta probabilidade, alta severidade (Capt. Sullenberger que o diga). Apesar disso, com exceção de algumas cias aéreas, operadores de aeródromo e do CENIPA, vejo pouca ou nenhuma preocupação ou rebuliço feito por associações, sindicatos…
    Não estou diminuindo o risco de colisões com balões. É um problema difícil de ser mitigado e que exige o engajamento de vários stalkeholders fora do setor aéreo. O que me deixa com dúvidas é o que motivou essa ação que, NA MINHA OPINIÃO, é extrema e desnecessária, sendo que no Brasil há vários outros perigos latentes com potencial muito maior de causar um acidente…

    • vai vendo...
      1 ano ago

      Entendi.
      Para vc, o importante não é o rebaixamento e sim o motivo. Se fosse por causa da fauna, vc estaria de acordo. É isso?
      Deve estar de sacanagem.

      • Pedro
        1 ano ago

        Não encontrei em meu comentário onde eu disse que se fosse por causa da fauna eu estaria de acordo. Foi um exemplo do que eu considero um risco maior e que não vejo nenhuma ação semelhante sendo tomada – independente se concordo com o teor dela ou não. Também deixei claro que não diminuí o risco do perigo baloeiro
        Mas sim, o motivo é muito importante. Você não acha?! E ainda é muito cedo para se falar em consequências do “rebaixamento” (faço questão de manter entre aspas), principalmente quando se fala de seguro aeronáutico…

        • vai vendo...
          1 ano ago

          Amigo
          Se te sentes seguro em voar com o risco diário de colidir com balões, podendo atingir uma turbina, uma hélice, um radome ou um bordo de ataque, ótimo. Relaxe. Não te preocupe, afinal, são todos uns medrosos né…afinal, qual o mal em colidir em algo numa aproximação final, não é mesmo?

          • Marcos Real
            1 ano ago

            O risco é eminente com certeza, veja as colisões em balões infláveis.

            • vai vendo...
              1 ano ago

              Isso.
              Vc entende muito de avião.
              Coloque o que sobrar do “pylon” dentro de uma turbina.
              Além disso, me diga….é permitido por lei soltar balões? Não é. Portanto, cadeia para quem solta balões.

              • Marcos Real
                1 ano ago

                Tudo mito, são mais de 100 anos dessa relação e NUNCA aconteceu acidente, os incidentes não passam de AVISTAMENTOS. O que precisamos é regulamentar e afastar os balões das áreas de aproximação e decolagem, simples e sem polemizar tanto. Outra, leia o art. 42 da lei 9605/98, somente proibi-se os balões que possam causar incendios, tudo evolui e os balões tambem seguiram essa tendencia de sustentabilidade.

                • Marcos Real
                  1 ano ago

                • vai vendo...
                  1 ano ago

                  Mito?
                  É LEI, meu amigo. NÃO PODE. Lei. Pronto. Cumpra-se.
                  Cadeia para baloeiros.

                  • Marcos Real
                    1 ano ago

                    Desculpa, postei o video para entender, mas…

                    • vai vendo...
                      1 ano ago

                      Vídeo da Ana Maria Braga??
                      rsrsrsrs
                      Tente outro…pode ser o do Tiririca.
                      Soltar balão é CRIME. Talvez vc não entenda o que significa LEI.

                    • vai vendo...
                      1 ano ago

                      Apologia ao crime, tbem é crime.

      • André.
        1 ano ago

        Acho que o que ele realmente disse é que, independente de haver ou não o risco, ele não pe um assunto novo, nem aumentou exponencialmente… Portanto não se trata de simplesmente engolir uma notícia sem pensar o que poderia, realmente, estar por trás de uma decisão dessas. Afinal, trata-se de algo importante e que reflete negativamente sobre a operação aérea. Então, é de se pensar a quem isso poderia interessar. Afinal, é um gesto que nada resolve, compara nosso espaço aéreo a um ambiente extremamente hostil, ignora a dimensão continental do Brasil… Não te dá o que pensar?

    • Marcos Real
      1 ano ago

      Concordo com o Sr. Pedro, o risco baloeiro esta em terceiro lugar no ranking: 1 – fauna; 2 – Laser e 3 – baloeiro. Sobem mais de 100 mil balões ano no Brasil e por causa de 350 avistamentos entre Rio, SP e Paraná resolveram rebaixar. Algo de maior interesse esta por trás.

      • Pedro
        1 ano ago

        Sr. Marcos,
        Não acho prudente rankear riscos, nem muito menos acho que as consequências do perigo baloeiro são pouco severas, como o aviador anônimo insiste em afirmar que eu disse. Também não afirmei e não sei se há algo por trás – eu apenas gostaria de entender o porquê do “rebaixamento”.

        E, na verdade, o “medroso” sou eu mesmo… Tenho medo de pegar uma fragata de 1,5kg a 140kt com 100% de N1… Ou de colidir com outra aeronave na TMA-SP… Ou de varar uma pista com baixo coeficiente de atrito e macrotextura…

        • Marcos Real
          1 ano ago

          Entendo o Sr., não estou dizendo aqui o problema não tenha que ser tratado, apenas o grau de relevancia é que me assusta. Temos a mesma cultura em outros países e ainda não vimos esse alarde com o espaço aéreo.

  6. Jose Luis
    1 ano ago

    Trecho da reportagem do Jornal Nacional de 26/04/16:

    “A Secretaria de Aviação Civil declarou que a organização da aviação civil internacional qualifica o controle do espaço aéreo brasileiro entre os quatro mais seguros do mundo. A secretaria afirmou ainda que não recebeu a primeira carta da Ifalpa enviada em dezembro de 2015.”

    A não ser que o DECEA tenha descoberto uma forma de vetorar balões e eles obedecerem, o que ainda não chegou aos meus ouvidas, essa resposta mostra o nível do amadorismo do pessoal da SAC, pelo menos da assessoria de imprensa.

  7. Michele Souza
    1 ano ago

    Interessante a atitude da Ifalpa. Vamos refletir. Balões nunca causaram incidentes sérios ou consideráveis com aeronaves, o risco existe, porém todos sabemos que são pequenos. O risco de acidente com aves é muito mais contundente do que com balões. Essa tal critica da Ifalpa rebaixando o espaço aéreo e culpando os balões parece ser totalmente sem nexo e sem fundamento, ou pelo menos não com tantas provas contundentes para que isso aconteça. Companhias aéreas em crise, mercado brasileiro pouco atrativo, dólar em alta, poucas pessoas viajando, aeroportos sucateados, risco de atentados terroristas em plena Olimpiadas, Parece muito estarem usando os balões como bode expiatório, para aumentarem os seguros, as passagens e as companhias aéreas terem como lucrar. Juntando todos os problemas, a situação do espaço aéreo não parece ser a mais grave de todas. O mais interessante ainda é uma Instituição de fora do país querer dar pitacos em situações que a Aeronáutica Brasileira deveria resolver. Será que estou errada ?

  8. André
    1 ano ago

    Duas coisas me entristecem: primeiro, a nota de rebaixamento. Balão não é de agora, nem de ontem. Não entenda o leitor afoito que estou aqui a defender no céu uma ameaça. Mas é de se estranhar que um fato tão antigo, do nada (não estamos sequer perto de junho), tenha sido desenterrado como pretexto para uma situação que ameaça ainda mais a existência de companhias nacionais, na mesma época em que se fala de abrir o espaço para a operação de companhias e tripulações estrangeiras.

    A segunda tristeza é, de fato, pequena: eu já devia estar acostumado a uma imprensa que nada questiona, discute, compara… apenas ecoa aquilo que A ou B fazem soar por aí.

    E aqui eu destaco o texto do Raul: “No meio de uma crise econômica fenomenal em que a aviação está quase sucumbindo, e meses antes de começarem as Olimpíadas, temos nosso espaço aéreo “rebaixado” por um fator plenamente evitável. Não temos vulcões expelindo plumas de fumaça, rebeldes insurgentes com mísseis terra-ar, aeronaves de nações inimigas nos ameaçando, nem nada disso. O que temos é um grupo de pessoas que se acha no direito de exercer sua “tradição”, sua “cultura”, inclusive sob aplausos de boa parte dos representantes políticos nos Estados e no Congresso”

    Simples assim. Não vejo motivo pra tanto alarde, como também não vejo dificuldade de se resolver este caso. Se combatendo ou se disciplinando a teimosia, não sei. Mas sei que quando realmente se deseja resolver, se resolve. A não ser se alguém quiser comprar uma Cia aérea baratinho; aí… ajuda.

    • Santana
      1 ano ago

      Parabéns. Falou tudo. Só faltou dizer que foi um grupo de “brasileiros” que causou isso ao ir fazer queixa à IFALPA sobre os balões há alguns meses.

  9. Voante
    1 ano ago

    …e segue o féretro.

    • Humberto
      1 ano ago

      BolhaImobiliária.com…

      • Voante
        1 ano ago

        yeah
        Também!
        ;)

  10. vasconcelos
    1 ano ago

    Depende de como um avião passa pelo balão, conforme o angulo de aproximação existe um efeito que se chama ingestão, que é sucção feita de qualquer objeto por menor ou maior que seja na parte frontal da turbina que pode causar um desastre. Não importa se o balão é inflamável ou não. Esse é mais um deputado que ta querendo ganhar votos na comunidade dos baloneiros, assim como outros que se convertem as mais variadas religiões para ganhar votos dos fiéis.

  11. Humberto
    1 ano ago

    Pois é caro Raul.
    Devemos agradecer ao “nobre” deputado do “pissol” abaixo:

    http://www.deputadopauloramos.com.br/?p=10040

    Quem quiser, pode deixar uma mensagem ao “representante das minorias” na página dele.

    Vai Brasil!!! Cada vez mais p’ro fundo do poço!!!

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