Mais informações sobre a estratégia de formação de piloto nos EUA com visto F-1 e aquisição de experiência como copiloto em linha aérea regional

Mais informações sobre a estratégia de formação de piloto nos EUA com visto F-1 e aquisição de experiência como copiloto em linha aérea regional

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Recentemente, publiquei um post com o ‘case’ de um brasileiro que se formou piloto nos EUA com visto F-1 e, posteriormente, adquiriu experiência como copiloto em linha aérea regional americana (Skywest Airlines). Alguns leitores ficaram céticos quanto à viabilidade desta estratégia, especialmente quanto ao fato de o instrutor acumular 1.500h em prazo tão exíguo (e voando em localidade com meteorologia complicada, como é o estado do Oregon, onde fica a escola em questão – Hillsboro Aero Academy). Obtive mais detalhes sobre como tudo se deu na prática, inclusive os valores envolvidos; além de algumas informações adicionais que, acredito, irão interessar a quem está avaliando tal estratégia neste momento. A seguir, reproduzo trechos da mensagem que o Cmte. Érico Rabelo – o piloto citado no post original – me enviou, acrescido de algumas informações e comentários adicionais. O Érico também se colocou à disposição dos leitores para tirar eventuais dúvidas ou complementar alguma informação.

Como voar 1.250h (ele começou a dar instrução com 250h voadas) em pouco mais de um ano no Oregon?

Bem… De acordo com o Érico, com disciplina e muito trabalho:

Pensando no pouco tempo que tinha para poder acumular horas estipulei um mínimo de horas por dia que precisaria para poder alcançar meus objetivos profissionais e financeiros. Se me lembro bem meu objetivo era de voar 4 ou 5 horas por dia. No inverno não é muito fácil, mas com um número planejado é possível visualizar melhor o número ao longo da semana. Pra isso ficava o máximo de tempo na escola (média de 12 horas por dia), o que fez com que eu acumulasse um grande número de alunos (cheguei ao ponto de ter 15 alunos ao mesmo tempo). Nos dias em que o tempo não permitia que voássemos eu ocupava meu tempo com aulas teóricas e simuladores. Também, como o clima no Oregon pode variar muito, principalmente no inverno, pra mim foi muito importante estudar o clima da região, isso me permitiu com que eu decolasse em alguns blocos de voo que quase nenhum ou nenhum outro instrutor decolava. Sempre considerando se o nível do aluno era adequado e se ele aproveitaria a lição. Também, sempre levando em conta a segurança e sempre tendo pelo menos uma alternativa caso as coisas não saíssem como planejado, costumava decolar mesmo em dias em que outros instrutores não julgavam os melhores (nunca tive nenhum incidente ou ocorrência de qualquer natureza). No verão consegui acumular mais horas, voando em média 7,5 horas por dia, chegando a ficar 14 horas por dia na escola entre voos, aulas teóricas e simuladores. De acordo com os regulamentos da FAA um instrutor pode voar até 8 horas a cada 24 horas corridas. Simuladores e aulas teóricas não entram nesse limite. Foi assim que acumulei minhas horas, estabelecendo um objetivo claro, e trabalhando muito.

E quanto aos números – quanto ele ganhava como instrutor, como copiloto em linha aérea, e quanto gastou para ser formar?

Os valores abaixo são todos em US$:

Como instrutor comecei ganhando $17,00/hora, quando sai estava ganhando $19,00/h em aulas normais e $21,50/h quando aplicava cheques Part 141*. Nos últimos meses como instrutor eu praticamente não tinha alunos, me dediquei mais a aplicar cheques teóricos e de voo, isso ajudou muito no salário. Com isso meu ganho mensal ficava entre $3.000 (inverno) e $5.000 (verão). O que me permitia tranquilamente pagar as contas diárias. Como paguei meu treinamento com dinheiro que havia acumulado trabalhando como Consultor Gastronômico anteriormente, recuperar o dinheiro gasto era muito importante. Consegui recuperar todo o investimento ao longo do tempo que trabalhei como instrutor.

Na Skywest meu salário era menor, ficava entre $2.500 e $3.000 ($30/h inicialmente, hoje está em $36/h o salário do primeiro ano). O que também me permitia pagar as contas, porém guardava um pouco menos.

O investimento na minha formação foi de $60.000 (PP/IFR/PC/CFI/CFII/MEI*).

Obs.: *Nos EUA, há duas alternativas de formação aeronáutica, as chamadas Part-61 e Parte-141. **CFI/CFII/MEI são as três categorias de INVA que existem na regulamentação da FAA, respectivamente: o instrutor MNTE/visual, o instrutor por instrumentos e o instrutor MLTE.

Outros pilotos brasileiros que adotaram estratégia semelhante

De acordo com o Érico, atualmente há dois pilotos brasileiros voando em companhias aéreas regionais americanas com o visto F-1: um na própria Skywest, e outro na Air Wisconsin.

Outras informações relevantes sobre este assunto:

Além das contribuições do Érico, acima, há ainda que esclarecer alguns outros pontos sobre este post e o anterior sobre o assunto dos vistos F-1 & oportunidades de trabalho nas companhias regionais americanas:

Prazos

  • Os 12 meses iniciais da permissão de trabalho como instrutor de voo na própria escola com o visto F-1 começam a contar depois de concluída a formação completa do aluno, como Piloto Privado, Piloto Comercial e Instrutor de Voo (CFI). Ou seja: se a pessoa demora 18 meses para concluir sua formação, ela teria mais 24 meses após formada (12 meses obrigatoriamente dando instrução na própria escola e, nos 12 meses, seguinte, atuando em outra escola e/ou em linha aérea, operador privado, táxi aéreo, etc.): seriam, neste caso, 42 meses no total.
  • Para quem for obter uma formação aeronáutica em nível superior nos EUA (bacharelado ou mestrado/doutorado), há a possibilidade de obter uma extensão de 17 meses no prazo da permissão de trabalho citado acima, de 24 meses (“STEM OPT Extension“). Assim, o prazo total de trabalho em entidade não-acadêmica (por exemplo: uma linha aérea regional) pode chegar a 29 meses.

Riscos

17 comments

  1. Leonardo Vieira
    4 semanas ago

    Prezado Raul, boa noite!
    Gostaria de obter uma informação:
    Tentei localizar alguma coisa sobre o assunto no blog, mas o mais proximo que eu achei foi o artigo do Cmte. Fábio Otero, sobre como convalidar ANAC – FAA!
    O meu caso é semelhante, porém não irei rechecar em simulador.
    Eu possuo a licença de PLA MLTE IFR ICAO5 emitida pela ANAC.
    Estou pretendendo tirar o ATPL FAA Standard para poder aplicar numa regional americana e estou com duvida em relação ao cheque:
    – Eu já enviei a Verification Letter
    – Possuo o Medical Certificate 1 Classe
    – Já me informei na FSDO Orlando como proceder para realizar o written test.
    Até ai tudo ok…
    Após realizar o written test e conseguir a aprovação, como eu faço o check ride?
    Qualquer escola de aviação homologada pode me submeter ao voo de check (após as 02 horas de adaptação)?
    Caso sim, isso feito, eu terei a ATPL FAA restricted que será “transformada” em ATPL FAA Standard (PLA normal, sem nenhum tipo de restrição) após eu realizar o treinamento de CTP-ATP realizado na empresa que por ventura eu tenha sido aprovado?
    Agradeço a atenção e prometo retornar aqui e postar passo a passo do meu processo do inicio ao fim caso tudo saia conforme planejado.
    Leonardo Dias Vieira

    • Raul Marinho
      4 semanas ago

      Leonardo,

      Isso mudou recentemente, então recomendo que vc entre em contato com o Will da Hillsboro, que certamente poderá lhe orientar melhor do que eu. Pode falar em meu nome.
      william@voehaa.com.br

      Abs,

      Raul

  2. Diogo Lacerda
    8 meses ago

    Boa tarde pessoal vcs por favor poderiam passar os nomes das instituiçoes que fornecem o F1 para aviaçao,pois eu conheço somente 2 escolas,a PEA e a Hillsboro que tem esse programa.
    Muito obrigado.

  3. vasconcelos
    12 meses ago

    Se for fazer tudo no EUA, desde PP a PLA o custo total pode chegar a quase 100 mil dólares ou seja uns 400 mil reais, é preciso trabalhar uns 20 anos aqui no Brasil pra juntar tanto dinheiro, isso se conseguir arrumar um emprego que ganhe pelo menos uns 5 mil por mês aqui no brasil.

    • william romualdo
      12 meses ago

      $100 mil dolares? qual escola vc esta falando? Acho bem impossivel esse número, a não ser que vc cheque o PC com 400 horas de voo…
      O numero realista pra todas as carteiras PP, IFR, PC mono, PC multi, CFI visual, CFI Instrumento e MEI é algo em torno de 65 mil dolares.

  4. daniel
    1 ano ago

    Já possuo PC IFR ICAO4. gostaria de tirar o Multicolor avião nos EUA. essa licença é reconhecida pela ANAC ? como nacionaliza-la ? não achei nada a respeito. abs

    • Raul Marinho
      12 meses ago

      É possível, mas as regras para obtenção da habilitação MLTE da FAA são muito mais complicadas, vc vai ter que voar muito mais e, por consequência, ter um gasto bem superior. E, depois, gastar mais para convalidar sua habilitação junto à ANAC.

      • Daniel
        12 meses ago

        Raul. Obrigado pela pronta resposta. Independente dos valores ou horas que a FAA exige para eu obter a licença de multi e eventualmente PC lá ( ainda que eu já tenha PC) aqui. Como é o trâmite de convalidação pela Anac ?

        • Raul Marinho
          12 meses ago

          A convalidação requer uma prova de regulamentos, experiência recente, e cheque. Normalmente, os aeroclubes/escolas pedem um mínimo de 3h de “voo de adaptação” para “liberar” o sujeito para o cheque. Ou seja: contando tudo (adaptação + cheque), vai dar umas 5h de voo em MLTE no total.

      • william romualdo
        12 meses ago

        Na verdade a legislacao de multi do FAA é tão simples que não exige nem um número minimo de horas pra checar o multi. Eu adicionei meu multi no PC com 4,7 horas de voo. Para checar o MEI precisa-se de 15 horas em Comando de Multi. O normal são 12-17 horas pra checar o multi.
        Fora que a instrucao de Multi no FAA é uma instrução séria. Vc embandeira o motor, vc simula falha de motor a 100 pes, faz ILS monomotor em condicoes de IFR real, etc… nao tem como comparar ao que é feito no Brasil.

  5. Rafael
    1 ano ago

    Olá Raul, tudo bem?

    Saindo um pouco do assunto de voar nos EUA, tens algumas informações sobre voar na Europa?

    Estou em processo de obter cidadania italiana, até aonde pesquisei isso daria a possibilidade de trabalhar legalmente em qualquer país da União Européia, desde Londres, Portugal, Itália, Suíça, Finlândia e etc. e também, no caso de convalidação, a carteira seria válida em todos países membros da EASA (Tipo FAA, ou ANAC para nós).

    Seguidamente vejo que a Europa contrata muitos pilotos, a alguns dias atrás a EasyJet anunciou seleção de 450 pilotos, tendo como minimo as carteiras EASA válidas e passaporte europeu, dentre outras cias maiores e menores que vivem precisando de pilotos.

    Se tiveres algumas informações a respeito desse assunto ficarei muito grato.

    Att…
    Rafael

  6. Enderson Rafael
    1 ano ago

    Muito interessante o caso do Érico. Mas como ele mesmo descreveu, difícil de replicar por envolver muitas coisas que não dependem da gente – de onde se vê o grande mérito que ele teve em conseguir tanto em tão pouco tempo. Tanto que dentre centenas de alunos brasileiros por lá, apenas uns poucos conseguiram. Mas como eu disse no outro post, abre um precedente interessantíssimo. Em breve, com outros vistos, quem sabe este caminho não torna-se mais comum. Seria com certeza mais um alívio para um mercado saturado como o nosso, para todos que estão nesse momento crucial da formação.

    • will
      10 meses ago

      Mais um aluno da Hillsboro esta voltando pro Brasil com 2100 horas, sendo 480 em linha aerea americana. Mesmo esquema do Erico, instrucao ate 1500 hrs e depois linha aérea ate vencer o visto

  7. Cicero Brocca
    1 ano ago

    Pra quem já é Inva no Brasil e for convalidar PP p/ FAA, fazer treinamento PC/IFR p convalidar, depois CFI/CFII/MEI p/ tentar vaga de Instrutor. É mais complicado conseguir a vaga, vale arriscar? Eles podem ter a desculpa que não começou a formação lá e tal…

    • Raul Marinho
      1 ano ago

      Não recomendo esta estratégia.

    • Alexandre
      1 ano ago

      É possível fazer isso, porém o custo seria muito alto, já que a cada checkride voce teria que provar/ completar todos os requerimentos mínimos (X pousos noturnos, Y horas solo, Solo cross country…) , enfim, teria que fazer muitas horas de voo por la… Mas as horas de voo são convalidadas sem problema.

      Quanto a possibilidade de vagas, até completar todo esse processo, ja terá passado bastante tempo na escola, caso se destaque, com certeza terá chances.
      Me formei lá e a própria escola me deu uma bolsa de 80% para cursar o CFI (infelizmente não aconteceu por problemas burocráticos entre a escola e a imigração, pois ja havia voltado e precisava de outro visto) , resumindo, eles valorizam quem se dedica, porém o investimento financeiro será alto.
      Espero ter ajudado.

    • william romualdo
      12 meses ago

      Isso não é verdade. A falta de CFI de AVIAO nos EUA é tão grande que as escolas estao pagando essas carteiras para vc. Vc pode sim ir com o visto F1 caso tenha checado o PP no Brasil. Só escolha uma escola F-1. é crime trabalhar no visto M-1 de instrutor. Varias escolas estao fazendo isso nos EUA, pagando apenas comida e moradia. é crime se voluntariar em troca de algum beneficio (hora de voo, comida e moradia). Somente o visto F-1 permite trabalho legal.

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