Mercado de trabalho para pilotos: realidade brasileira e internacional

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A Petrobras, como se sabe, está em crise. Todos os problemas de corrupção e de má gestão dos últimos anos sem dúvida foram relevantes para que a empresa chegasse onde chegou, mas é preciso reconhecer que o mercado de petróleo está ruim globalmente. O xisto americano, o retorno do Irã ao mercado internacional, a desaceleração da China, as questões ambientais… Tudo conspira contra o preço do petróleo, então há coerência entre os problemas que a Petrobras enfrenta e os problemas que todas as demais petroleiras enfrentam, já que toda empresa do ramo no planeta sofre com os preços do petróleo em declínio.

Na aviação, entretanto, parece que existem dois mundos: um das companhias aéreas brasileiras, e outro das companhias internacionais. No primeiro caso, o que se vê é, por exemplo, isto: “Azul ainda pode tirar mais oito aviões da frota, diz presidente” – uma matéria d’O Globo que informa que a Azul e Gol juntas deverão diminuir suas frotas em cerca de 50 aeronaves (isto é: cerca de 600 pilotos deixam de ser necessários). Já no segundo, lê-se uma nota como esta, do Pilot Career News: “Emirates to hire up to 500 new pilots in 2016” (vejam, no fim do texto, a informação de que as companhias aéreas do oriente Médio precisarão contratar 6mil pilotos ao ano, de acordo com estudo da Boeing). São ou não são dois mundos completamente diferentes?

Em termos de mercado de trabalho para pilotos, não há a menor dúvida que sim. (E, infelizmente, estamos no pior deles…).

11 comments

  1. Patrick
    2 semanas ago

    Olá Raul,

    Sim, você está certo em relação às contratações por empresas estrangeiras. A cada dia a nessecidade por pilotos dessas empresas almentam.
    O problema é que essas empresas exigem no mínimo 500 horas de experiência no equipamento e carteiras do equipamento válidas. Exemplo 737, A320, etc.
    Na verdade tem muito emprego disponível, mas o que eles querem e roubar tripulantes de outras empresas. Não se interseção em treinamento, querem pilotos prontos.
    As empresas brasileiras não contratam e as estrangeiras não dão treinamento. Resumindo, não tem emprego para quem não foi da comercial “recentemente”.
    Quem está comessando e quem tem experiência só na executiva tá fora do mercado.
    That’s my point of View!

    Patrick

  2. Rodrigo Galiciolli
    1 mês ago

    Ola Raul
    Primeiramente quero parabenizalo pelo blog que claramente exclarece muitas dúvidas, e gostaria de algumas opiniões da sua parte. Estou com 25 anos e começando a minha PPA, o meu objetivo é se tornar piloto agrícola, eu sei que o mercado de trabalho não é fácil mas a aviação sempre foi meu sonho e quero muito realizalo. O senhor poderia me dar a sua opinião sobre o meu pensamento, após eu estar habilitado para aviação agrícola eu estou pensando em comprar meu próprio avião e trabalhar nas lavouras o senhor acha que é uma boa estratégia ou o custo será muito alto para um retorno muito baixo ? E qual a sua opinião sobre a aviação agrícola nos dias de hoje ? Grato por respostas

    • Raul Marinho
      1 mês ago

      após eu estar habilitado para aviação agrícola eu estou pensando em comprar meu próprio avião e trabalhar nas lavouras o senhor acha que é uma boa estratégia ou o custo será muito alto para um retorno muito baixo ?
      =>Tem muita gente que faz isso… Acho viável, sim.

      E qual a sua opinião sobre a aviação agrícola nos dias de hoje ?
      =>É o melhor segmento da aviação em termos comerciais, sem dúvida.

  3. Thiago
    1 mês ago

    Sera uma boa época para se iniciar e investir na profissão?

    • Raul Marinho
      1 mês ago

      Seria. Ou não…
      ;-)

  4. Rodrigo
    9 meses ago

    Estao os Pilotos brasileiros preparados e dispostos a voar em outros paises? existe alguma estatistica de quantos pilotos brasileiros trabalham em empresas fora do brasill?

  5. Any Thalita
    10 meses ago

    Pelamor, estamos em crise desde 2012/2013!!! Desde que a gol fechou a Webjet e depois veio a TAM com a demissão em massa… eu achei que depois dessa, iria levar uns dois anos pro mercado voltar a dar uma aquecida.
    Ano passado chegou a dar uma faísca de esperança com as seleções da Azul, mas que por fim, acabou por deixar todo mundo de standby e depois de deixar o povo na espectativa por meses, disse “tchau e obrigada por esperar” ….

    • Raul Marinho
      10 meses ago

      Bem… De fato, o mercado esteve ruim no período 2012-2014, mas nada se compara ao que está acontecendo em 2015-2016. Eu calculo um índice de empregabilidade que apontou para uma relação de entre 2:1 e 3:1 no período 12-14, ou seja: para cada 2 ou 3 pilotos que ingressavam no mercado, havia uma nova vaga de trabalho. Esse índice bateu nos 7:1 em 2015, e sabe-se lá Deus onde irá chegar em 2015. Nem na época da falência da Varig chegou-se perto disso.

      • A.M.Filho
        9 meses ago

        Exatamente, eu li o seu artigo na Avião Revue do mês passado e me espantei com os dados para o ano de 2015 e percebi que 2016, com mais de 50 aeronaves a menos só na linha aérea, deve ser um ano pra riscar da história da empregabilidade no setor. A sua análise também desfaz o mito de que os anos do começo da década passada eram piores do que a nossa atual realidade. Muitos pilotos mais antigos batem no peito pra dizerem que sofreram mais por terem atravessado essa época (Apesar das falências, os tempos econômicos eram completamente opostos e isso é o que realmente impulsiona a aviação).
        Analisando somente a realidade brasileira, é fácil perceber que levaremos muito tempo para recuperarmos um certo equilíbrio no mercado de trabalho, talvez, a única forma da recuperação ser menos lenta é se o cenário externo continuar bom e influenciar mais em nosso cenário interno. Fora isso, infelizmente, serão alguns anos de limbo.

  6. Enderson Rafael
    10 meses ago

    E a famosa “crise internacional do Brasil” que o governo petista tanto negou. A conta chegou.

  7. Juliano Rangel
    10 meses ago

    lamentável, mas acreditamos que dias melhores virão, o mercado aeronáutico é cheio de altos e baixos e já estamos em baixo a um tempão então uma alta não seria nada ruim!

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