Sobre o modelo administrativo de controle de tráfego aéreo mais adequado para o Brasil

Sobre o modelo administrativo de controle de tráfego aéreo mais adequado para o Brasil

By: Author Raul MarinhoPosted on
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No Brasil, como se sabe, o controle de tráfego aéreo civil é gerido pelos militares, por meio do DECEA-Departamento de Controle do Espaço Aéreo, um órgão da FAB. A regulação e a fiscalização da aviação civil também já foi uma responsabilidade dos militares, quando havia o DAC-Departamento de Aviação Civil, que foi um órgão da FAB, substituído pela civil ANAC em 2006. A maior parte dos pilotos não gostou desta substituição, e muitos suspiram de saudades pelo DAC até hoje (boa parte, inclusive, que nem chegou a conhecê-lo, mas enfim…). Por isso, por mais que a qualidade de serviços de controle de tráfego aéreo prestados pelo DECEA esteja muito aquém do desejável, há muita resistência a propostas de substituir tal entidade por um órgão civil.

A despeito do medo de repetir a experiência da ANAC na atividade de controle de tráfego aéreo, o fato é que o “plano de carreira” militar não é adequado para a função de controlador de tráfego aéreo – e explicar por que isso ocorre é o foco deste artigo. Ou melhor, não deste exatamente, mas de um artigo publicado no portal do Instituto Liberal, o qual gostaria de recomendar a leitura: “O Salário como Preço do Trabalho e a Crise Aérea de 2006/2007“. Nele, encontra-se outra informação muito interessante: além do Brasil, os únicos países que adotam este modelo administrativo de controle de tráfego aéreo são a Coréia do Norte, a Eritréia, a Etiópia e a Somália. Acho que isso diz muito sobre o assunto.

Para encerrar, uma propaganda do blog (afinal, este é um espaço liberal, e como tal a gente precisa vender o próprio peixe!): em 2011, no início do Para Ser Piloto, eu publiquei um artigo cuja argumentação era a mesma do artigo acima mencionado – leiam “Pilotos e escalabilidade – Parte I” e comprovem.

6 comments

  1. EC
    1 ano ago

    É Raulzito,
    Hoje o controlador na fab começa na graduação de terceiro sargento, ganhando míseros 3.500 por mês. Sua promoção para segundo sargento se dará daqui a longos 7 anos (cogita-se aumentar este tempo), onde terá um aumento de incríveis 500 reais no salário. Tendo que saber falar ingles e tirar serviço armado. Sim, sao os controladores que também fazem a segurança organica da unidade.
    Que carreira incrível, não?

    • Raul Marinho
      12 meses ago

      Incrível é que ainda existam CTAs no Brasil. E mais incrível ainda: alguns muito bons!

  2. Beto Arcaro
    1 ano ago

    Falta grana!
    Falta assumir responsabilidade!
    O Instrutor que veio dos EUA pra nos dar treinamento no Epic, me disse que achava estranho, que “parecia que aqui no Brasil, os Controladores de tráfego não trabalhavam PARA os Aviadores”, tal era a carga de trabalho que eles nos impunham, pedindo estimados, posições, mudanças no plano de voo original, etc. mesmo com “suposta” total cobertura Radar.
    Semana passada, voltando de SSOG para SDAM estava no FL110 com o Baron.
    Ao livrar a terminal o Centro Curitiba me pediu, segundo Coordenação com o APP Academia, que mantivesse a proa de UTACA.
    Estava mantendo a proa de VUMKO onde iria cancelar, e ingressar nos corredores visuais pela posição CAPIVARI.
    Reparei que eu nem iria ingressar na área da ACADEMIA!
    Então eu pedi ao Centro, proa de VUMKO se possível (a qual eu já estava mantendo, só pra ver o que acontecia).
    O Sujeito me respondeu:
    Afirmativo!
    Proa de VUMKO à critério.
    Só por curiosidade, fui ver onde ficava UTACA e percebi que a posição não existia!
    Outra conclusão que eu cheguei, foi que o Controlador simplesmente não sabia onde eu estava, nem onde era meu destino.
    Será que o problema é treinamento também ?

    • EC
      1 ano ago

      Hahaha, é bem assim que acontece mesmo, mas nao sao todos que trabalham assim.

  3. Jaime Avelino
    1 ano ago

    Acredito que , independente de civil ou militar, o importante é o trato e o treinamento para o suporte da tarefa, amor à causa e ter a consciência de que precisamos evoluir para atingir a excelência dos países desenvolvidos. Uma questão de cultura.

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