Aviação geral nas Olimpíadas – sobre novas regras, custos e segurança

Aviação geral nas Olimpíadas – sobre novas regras, custos e segurança

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A ANAC publicou ontem (20/07/2016) em seu  Portal uma nota – Aviação geral terá medidas adicionais de segurança durante os Jogos Olímpicos Rio 2016 – dizendo que “todas as aeronaves da aviação geral que planejam acessar os aeroportos da cidade do Rio de Janeiro e das cidades-sede do futebol – Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Salvador (BA) e Manaus (AM) – durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 deverão cumprir algumas medidas de segurança”. Neste outro documento – INSTRUÇÕES PARA A AVIAÇÃO GERAL DURANTE OS JOGOS OLÍMPICOS E PARALÍMPICOS RIO 2016 – referido na nota acima, há uma lista de empresas credenciadas para atuar no processo de inspeção da aeronaves com intenção de ingressar na tal “zona amarela” referida na AIC N°07/2016. Pelo que entendi de conversas com funcionários das empresas listadas nas instruções acima, o procedimento seria o seguinte.

No aeroporto-hub, para onde deve-se ir antes de pousar no aeroporto de destino (no Rio, e nas demais cidades-sede), depois de realizada a inspeção interna e externa da aeronave, das bagagens, e de todos os tripulantes e passageiros passarem pelo Raio-X, a aeronave tem as portas fechadas, e um funcionário da empresa credenciada leva a documentação até um posto da Polícia Federal. Lá, a papelada é conferida e, uma vez com tudo em ordem, é emitida uma autorização para o voo prosseguir. Tudo isto deve ocorrer com a aeronave no pátio, com todos os passageiros e tripulantes embarcados, e com as portas fechadas. A previsão é que o processo leve cerca de uma hora, período em que todos dentro da aeronave irão aguardar no solo, e é claro que a empresa credenciada precisará ser remunerada (o que não será barato). Estas são informações genéricas e preliminares, e quem realmente quiser voar até as cidades citadas na nota quando a “zona amarela” estiver ativada deve estudar a AIC, falar com as empresas credenciadas, e tudo mais. Mas já dá para perceber que, na prática, a operação será muito complicada e cara, então é bastante recomendável fazer uma avaliação criteriosa sobre se vale a pena mesmo planejar um voo nessas circunstâncias.

Porém, se tem gente chorando, também vai ter quem irá vender lenços – vide esta nota no Portal SEGS: “Décio Galvão, presidente da Global Aviation, empresa de táxi aéreo brasileira especializada no transporte executivo, considera que as normas de segurança são positivas. ‘Elas são necessárias diante de um evento internacional como as Olimpíadas’, afirma”. …E, não necessariamente a segurança será perfeita – vide esta reportagem da Folha de S.Paulo de hoje: “Agentes deixaram passar estilete de 9 centímetros em aeroporto“. Em resumo: que vai ser complicado e caro para a aviação geral voar nas Olimpíadas, isto é certo. Que vai ter gente ganhando dinheiro com isso, também. Já a segurança é uma mera possibilidade.

One comment

  1. vai vendo...
    12 meses ago

    Incrível a conivência da Anac com um bando de achacadores que se instalam ao redor da aviação executiva.
    Conivência ou sociedade, não sei. Criam dificuldades e alguém vende as facilidades….
    Além de moral e competência, falta vergonha na cara mesmo.

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