Como economizar na instrução aeronáutica

Como economizar na instrução aeronáutica

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O BoldMethod republicou hoje um excelente artigo com dicas essenciais para economizar na instrução aeronáutica – “8 Ways To Keep Your Flight Training Costs Under Control“. Na verdade, as oito dicas anunciadas podem ser resumidas em uma: dedicar-se aos estudos. Na instrução aeronáutica, estudar mais significa economizar dinheiro: quanto mais se estuda, menos horas de voo são necessárias e menos tempo dispendido no táxi (esta, a dica #5). A seguir, as demais orientações do artigo:

  • #1 – Planejar a próxima lição: você sabe o que irá acontecer no próximo voo de instrução (está no manual); logo, se você se antecipar ao que será ensinado, seu rendimento no voo tende a aumentar.
  • #2 – Estudar antes de cada voo: independente do conteúdo específico de cada lição, estudar – Regulamentos, Teoria de Voo, Meteorologia, etc. – sempre vai ajudar; quanto mais você souber, menos tempo o instrutor vai gastar para lhe ensinar, é simples assim.
  • #3 – Familiarizar-se com a cabine e o painel da aeronave: quanto melhor você conhecer os comandos e instrumentos da aeronave, menos tempo você vai gastar para cumprir as tarefas da instrução. O BoldMethod dá uma dica extra: tirar fotografias do cockpit com o celular e imprimir posters para estudar em casa (talvez não precise tanto: você pode simplesmente estudar as fotos na tela do computador ou da TV).
  • #4 – Estudar os checklists: dispensa comentários.
  • #6 – Assistir previamente a vídeos sobre a lição: numa busca rápida pelo Google, você encontrará dezenas de vídeos sobre todas as etapas dos cursos de PP e de PC; assista alguns antes do seu voo.
  • #7 – Voo mental: trata-se de simular mentalmente todas as etapas da missão de treinamento que irá ocorrer – você imagina tudo o que vai realizar em detalhes, de modo a treinar seu cérebro sobre como reagir na situação real (mais sobre isso aqui).

Fora isso, o BoldMethod também recomenda que se voe com mais frequência (dica #8), pois se há muito tempo entre um voo e outro o rendimento cai. Isto, na realidade brasileira, se traduz em duas dicas extras:

#9 – Planejamento financeiro:

A formação aeronáutica de piloto de avião* tem como característica um acúmulo de desembolsos na parte final do curso de PC, que é quando ocorrem os treinamentos IFR e MLTE, muito mais caros que o treinamento VFR/MNTE do restante do curso. Então, o aluno que tem um orçamento fixo mensal para gastar chega num momento da formação em que o progresso é muito lento, o que acaba encarecendo o curso, pois o CMA e a habilitação MNTE vencem, as horas de voo MLTE também podem vencer (elas têm só 6 meses de validade), e a ansiedade para checar logo o PC pode levar o sujeito a contrair empréstimos ou a vender bens de maneira desvantajosa, que acabarão se revelando decisões muito prejudiciais financeiramente.

Isso pode ser evitado com um bom planejamento financeiro antes de começar a formação. É preciso ter uma reserva financeira no início dela para ser queimada no final, pois isso acaba por gerar uma economia substancial – sem contar que evita a pior situação, quando a pessoa não tem nem dinheiro para terminar a formação e nem licença para obter renda como piloto. Nos links do e-book “Como ‘tirar brevê’ e quanto isso vai custar: Um guia prático, completo e atualizado sobre a formação aeronáutica básica no Brasil” há uma série de planilhas que poderão ajudar neste processo de planejamento.

*Para pilotos de helicóptero, o processo é mais homogêneo. Mas, desde set/2014, existe a necessidade de treinamento IFR também para o curso de PCH, gerando um certo desequilíbrio também na formação de asa rotativa.

#10 – Prioridade: entre a carteira e o diploma, sempre foque na primeira:

Muita gente se perde entre as prioridades do processo de formação. Cada vez mais, o diploma universitário é importante para um piloto, em especial para quem quer trabalhar em linha aérea. Mas uma faculdade de aviação custa caro, e não raramente as pessoas decidem priorizá-la em detrimento das horas de voo. O problema é que quem tem as carteiras mas não tem o diploma ainda é um piloto, enquanto que aquele que tem diploma mas não tem carteiras não é nada (para poder pilotar profissionalmente, é claro…). E aí, quem priorizou a faculdade em detrimento das horas de voo não tem como começar a voar profissionalmente – como instrutor, copiloto na aviação geral, puxando faixa na praia, etc. -,  e nem consegue aumentar sua renda com o diploma da faculdade. Isso sem contar com a situação de quem faz o curso em uma instituição que exige que o aluno tenha a licença de PC para poder colar grau: aí, nem o diploma ele consegue, e corre o risco de ser jubilado da faculdade se não checar o PC num determinado prazo.

Então, se a intenção for a de obter uma formação aeronáutica abrangente, incluindo a faculdade, é preciso pensar bem para ver se há recursos para as horas de voo. E, em caso negativo, redefinir a estratégia, seja deixando a faculdade para depois, seja optando por um curso “terráqueo” (ex.: engenharia, administração, etc.), que pode, inclusive, ser público e gratuito – lembrando que há a possibilidade de uma pós-graduação na área de aviação para estes casos. O importante é ter em mente que a prioridade na alocação de recursos sempre deve ser a obtenção das carteiras de piloto, pois elas é que permitirão ingressar no mercado de trabalho como aeronauta.

(Obs.: Este artigo utiliza parte do texto deste post).

 

 

 

One comment

  1. Gustavo de Paula
    6 meses ago

    Olá, boa tarde! Sou novo por aqui, mas já li alguns artigos, trabalho muito bacana! :)
    Tenho uma pergunta, o primeiro passo para ser um aviador, o curso de piloto privado, algumas instituições oferecem ele por EAD (Ensino a distancia), pode ser uma boa? ou teria um certo preconceito no meio por causa do curso a distancia?

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