Como a Cirrus corrigiu o que havia de errado com os pilotos de Cirrus

Como a Cirrus corrigiu o que havia de errado com os pilotos de Cirrus

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Os veteranos do blog devem se lembrar do post aqui publicado em 2012 “O que há de errado com os pilotos de Cirrus?“, baseado no artigo “What’s wrong with Cirrus pilots?“, do Dick Collins. Diferente do que pode parecer à primeira vista, este texto não era uma crítica à Cirrus, pelo contrário: a questão era que as estatísticas de acidentes com aviões da marca estavam em alta naquele momento, um contra-senso em face da alta qualidade de projeto daquele modelo de aeronave. Na verdade, o ano anterior à publicação do artigo (2011) foi o pior da história da Cirrus em termos de segurança, com 16 acidentes fatais.

Cinco anos depois, muita coisa mudou – muito embora a aeronave permaneça praticamente a mesma. Mudou tanto que em 2016 a Cirrus ganhou o primeiro Joseph T. Nall Safety Award concedido pela ASI-Air Safety Institute da AOPA, possível devido ao êxito do treinamento Cirrus Approach, desenvolvido e aplicado em parceria com a COPA-Cirrus Owners and Pilots Association – que é o ponto que eu acho que merece destaque. Além de ser um ótimo treinamento técnico, o Cirrus Approach também possui uma parte comportamental/cultural, como explica este artigo publicado no Portal AOPA:

Cirrus took a hard, unflinching look at the problem and then took action. The company created a video-intensive, type-specific training program called “Cirrus Approach” that emphasizes deciding in advance when to use the Cirrus Airframe Parachute System (CAPS). At the same time, the company and its tight-knit pilot group, the Cirrus Owners and Pilots Association (COPA), set out to create a culture in which pilots who pulled the chute were applauded—not criticized or second-guessed—for their actions. The results have been remarkable.

Foi assim que a Cirrus/COPA e seu treinamento conseguiram corrigir o que havia de errado com os pilotos de Cirrus. Será que não dá para usar a mesma abordagem em outras questões de segurança da aviação? (É claro que a pergunta é meramente retórica…).

5 comments

  1. Milton
    10 meses ago

    Muito parecido com a história dos Robinsons 22 e do SFAR 73. Um número anormal de acidentes num certo período, a suspeita de defeito nas aeronaves e/ou projeto, e no fim tratava-se apenas de diferenças operacionais que demandaram treinamento específico.

    Eu me formei piloto no R22, e fiz alguns voos de adaptação no Schweizer 300 (atual Sikorsky 300). São dois helicópteros “bi-place” a pistão com Lycoming 4 cilindros, mas as semelhanças terminam aí. Sem entrar em detalhes, mas a pilotagem dos dois é MUITO diferente. Até no pouso corrido a coisa muda bem (no S300 deve-se cabrar levemente no solo para evitar risco de pilonar, no R22 é PROIBIDO cabrar no solo sob risco do rotor semi-rígido bater na cauda). Velocidades, atitudes de cabine, procedimentos de partida e corte, ângulo de descida na auto-rotação, operação da manete (manual no S300 e automática no R22), etc. Pelo menos nos dois o pedal contra o torque é o esquerdo.

    Não sou nenhum doutor em helicóptero, me considero ainda um manicaca, mas as diferenças me impressionaram tanto que até achei estranha a mudança de tipo para classe feita pela ANAC. Fico imaginando a diferença que existe entre, digamos, um Long e um Esquilo, ambos da mesma classe!

    Abraço a todos!

  2. Peterson
    10 meses ago

    Rodolfo, entre em contato com http://www.airtraing.com.br., em jundiaí, eles esclarecerão suas dúvidas .

  3. Beto Arcaro
    10 meses ago

    Boa iniciativa da Cirrus!
    Voltar atrás e resolver um problema que ela própria criou com o marketing do CAPS, e da ideia do “Avião Automóvel”.
    Qual será a abrangência dessa correção?
    Particularmente, acredito que filosofia da “Cirrus Life” é inerente ao produto.
    Acho difícil mudar a cabeça dyos Pilotos/Proprietários do Avião, quanto ao “CAPS Escudo”, ou a aparente facilidade de operação da aeronave.
    Principalmente daqueles que aprenderam a voar no Cirrus, tiveram o Cirrus como seu primeiro emprego, e nunca tiveram contato com outro tipo de Aviação.
    Voe o Cirrus como você voaria “qualquer avião” e você o pilotará de forma segura.
    Mas como fazer isso, se você não tem acesso ao tal programa “descirrizador” e não conhece “qualquer avião”?

  4. Rodolfo
    10 meses ago

    Fala Raul, tudo bem?
    Não sei se é o lugar certo para perguntar isso, mas lá vai! rsrsrs
    Sou PC/MLTE/IFR checado e queria saber se surgir uma possibilidade de voar um cirrus SR22 de um colega, eu conseguiria lançar as horas em comando? Claro se ele aceitar em não lançar as horas pra ele. Não preciso fazer ground-school, cursos ou coisa do tipo antes de começar a voar para computar as horas para mim?
    Outra, o cirrus SR22 é single pilot, existe a possibilidade de lançar as horas em duplo-comando? Fico em dúvida, pois a acft é SINGLE-pilot.
    Mais uma: vc citou, e eu procurei na internet, sobre esse “curso de transição” do cirrus, queria saber se para começar a lançar as horas em comando eu preciso fazer esse curso? Preciso de endosso? Se sim, quem endossaria?
    E por último: esse colega, que já fez o curso do cirrus, poderia me avaliar? Ou tem de ser feito em centro de treinamento?
    Só para você ter uma noção da situação, seria uma ajuda, somente para somar horas totais para mim.

    Obrigado.

    • Raul Marinho
      10 meses ago

      Sou PC/MLTE/IFR checado e queria saber se surgir uma possibilidade de voar um cirrus SR22 de um colega, eu conseguiria lançar as horas em comando?
      =>Sim.

      Claro se ele aceitar em não lançar as horas pra ele. Não preciso fazer ground-school, cursos ou coisa do tipo antes de começar a voar para computar as horas para mim?
      =>Cirrus não é TIPO e nem requer endosso, logo é o mesmo procedimento de voar qualquer MNTE.

      Outra, o cirrus SR22 é single pilot, existe a possibilidade de lançar as horas em duplo-comando? Fico em dúvida, pois a acft é SINGLE-pilot.
      =>Duplo-comando, só com INVA. Mas vc pode lançar horas como SIC, sem problema algum (vide IS 00-004C).

      Mais uma: vc citou, e eu procurei na internet, sobre esse “curso de transição” do cirrus, queria saber se para começar a lançar as horas em comando eu preciso fazer esse curso? Preciso de endosso? Se sim, quem endossaria?
      =>Pelo regulamento, não para tudo.

      E por último: esse colega, que já fez o curso do cirrus, poderia me avaliar? Ou tem de ser feito em centro de treinamento?
      =>Não há avaliação requerida pelo regulamento.

      Só para você ter uma noção da situação, seria uma ajuda, somente para somar horas totais para mim.
      =>Lança como SIC na CIV e e-CIV.

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