Para entrar no camarote VIP dos pilotos que ganham R$85mil/mês “limpos”

Para entrar no camarote VIP dos pilotos que ganham R$85mil/mês “limpos”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Estão circulando na internet novas matérias sobre as estupendas oportunidades de trabalho para pilotos na China, com salários que chegam a R$85mil/mês – vide “Quer ganhar R$ 85 mil ‘limpos’? Seja piloto de avião na China” (Veja.com) e “Para atrair pilotos, companhias chinesas oferecerem salários de até US$ 25.800” (AeroMagazine/UOL). Nem todas as vagas de trabalho na China pagam tão bem quanto dizem essas reportagens, mas o fato é que lá os empregos existem – assim como no Oriente Médio e em outros países da Ásia (sem contar os EUA, que também estão contratando muitos tripulantes, embora com restrição à mão-de-obra estrangeira). Ou seja: diferente do Brasil, onde a oferta de trabalho para pilotos está estagnada já há algum tempo (e não deve melhorar tão cedo), na maioria das companhias aéreas mundo afora vê-se placas de “há vagas” na recepção. Uêba!!! #partiuchina, então!!!??? Calmá lá, que para entrar nesta festa é preciso uma pulseirinha de camarote VIP. Que não é fácil de conseguir.

Neste post, o mercado de trabalho da aviação foi comparado a uma grande festa (no exemplo, uma micareta, mas pode ser uma balada qualquer) em que os pilotos seriam os homens, e as vagas de trabalho as mulheres. Sob o ponto de vista dos homens/pilotos, há “festas boas”, quando há muita mulher/vaga de trabalho; e “festas ruins”, que tem pouca mulher/emprego. É uma analogia simples e direta, sem grandes considerações sociológicas, e que parte do princípio de que o público deste tipo de evento está lá para arrumar um par, mesmo que por uma noite, e ponto final. Mas dá para sofisticar um pouco o exemplo, incluindo camarotes VIP nesta tal festa, e isto é interessante para entender como funciona o acesso a mercados como o chinês, que paga muito mais do que o brasileiro.

Há festas em que pode ter pouca mulher na pista, mas ao mesmo tempo existam camarotes VIP com outra realidade – porém, para entrar nestes camarotes é preciso de uma pulseira especial, difícil de obter. É a mesma coisa que acontece no mercado de trabalho da aviação, que tem uma pista (o mercado brasileiro) desfavorável para pilotos, mas existem os camarotes (mercados como o chinês, árabe, etc.) em que as vagas são muito mais interessantes e em maior número. A dificuldade é que, para ingressar neste camarote VIP da aviação, a pulseira que se precisa mostrar para o porteiro também é complicada para conseguir. No caso de pilotos, um dos principais pré-requisitos é justamente ter experiência em linha aérea, que por sua vez só é possível se o mercado nacional (a pista) estiver contratando… Ou seja: para um homem entrar no camarote VIP, onde estão as mulheres mais bonitas e em maior número, é preciso antes se dar bem na pista, onde tem pouca mulher.

Esta é a mesma dificuldade que existe para entrar no camarote VIP dos pilotos que ganham R$85mil/mês “limpos”: para poder conquistar o direito a ter esta pulseira, é preciso ter tido sucesso previamente na pista. Que é onde tem muito mais homem/piloto que mulher/vaga de trabalho! Percebem o paradoxo? Aliás, se não fosse assim, não sobraria um piloto reclamando da vida nos hangares brasileiros, estaria todo mundo na China numa hora dessas!

18 comments

  1. williansnegre@hotmail.com
    1 semana ago

    Ótima materia, parabéns e ainda faltou um detalhe alguns mercados ainda exigem documentação tipo ter uma segunda cidadania.

  2. A.M.Filho
    2 meses ago

    Excelente a forma como explicou a “singela” diferença entre os mercados e como acessá-los. É uma pena que enquanto a aviação mundial está avançando, a brasileira está andando pra trás e por enquanto, não se tem a mínima ideia de quando vamos parar de olhar para o retrovisor.

  3. Cmte Fernando
    2 meses ago

    Concordo com esta afirmação. Porém se existem oportunidades tentadoras no exterior e profissionais no mercado brasileiro qualificado para as mesmas , pq não acreditar na “dança das cadeiras ” ? Fazendo uma analogia .

    • Raul Marinho
      2 meses ago

      Na realidade, isto já vem acontecendo há algum tempo, e esta é uma das principais razões de não estarem ocorrendo demissões em massa nas cias aéreas brasileiras. Se não fossem os pilotos que foram para o exterior, a situação do mercado de trabalho local estaria bem pior, por incrível que pareça…

  4. Henrique
    2 meses ago

    Raul, perfeito sua publicação retratando a realidade do mercado, na qual alguns ainda insistem a não enxergar!

  5. Cmte Fernando
    2 meses ago

    O mercado não está nada favorável , porém o senhor é muito mais pessimista ! Forte abraço .

    • Raul Marinho
      2 meses ago

      Este texto é só uma explicação do mecanismo de acesso às vagas no exterior, portanto nem tem como ser “pessimista” ou “otimista”. O único trecho em que há algum juízo de valor é este: “diferente do Brasil, onde a oferta de trabalho para pilotos está estagnada já há algum tempo (e não deve melhorar tão cedo)”. Vc discorda desta afirmação? Vc acha que o mercado está aquecido e/ou que deve melhorar em breve?

  6. Pacelli Francesco
    2 meses ago

    A aviação sempre vende muita noticia. Todos querem ler sobre. E como hoje quase ninguém quer checar fontes e se aprofundar nos assuntos. A mídia deita e rola pra ganhar uns cliques.

    • Igor
      2 meses ago

      Tem razão, as telas de uma TV ou um ipad tem o poder incrível para influenciar as pessoas.
      Não estou puxando o saco de ninguém, mesmo porque não conheço pessoalmente o editor deste blog.
      Mas considero as informações e reportagens postadas aqui, são bem embasadas e bem descritas.

  7. Vitor
    2 meses ago

    Muito boa analogia Raul. Sempre me perguntam por que eu não vou atrás de emprego na China ou nas Arábias visto que estou morando perto dessas regiões hj em dia.

  8. Rafael Prioli
    2 meses ago

    A ideia é, alcançar os requisitos para uma FlyDubai da vida e zarpar. Pra colocar isso em prática, só preciso terminar minha formação haha. Gosto de seguir com a ideia de que a melhor hora para se formar/preparar, é exatamente essa.

    Que 201….8(?) nos receba da forma mais acolhedora possível!

    Obs.: Excelente artigo.

  9. Cmte Fernando
    2 meses ago

    Sim, continuo perguntando , quem irá substituir estes pilotos VIPs ?

    • Raul Marinho
      2 meses ago

      A depender do que for decidido quanto ao novo CBA, nuestros hermanos de Bolivia, Chile, Peru…

      • Abcde12345
        2 meses ago

        Raul, “bom” q tenha tocado nesse ponto, pois:
        1) Qual é o risco (real) de algo como isso ocorrer? Em que pé está o texto no congresso?
        2) Ainda na marolinha (*) de noticias ruins de nossa aviação, o site do SNA, ao atualizar sobre a negociaçao da CCT, dá a entender que o SNEA quer empurrar uma alteraçao na acomodaçao dos tripulantes. E aí, nas redes sociais,ja se fala em 2 tripulantes por quarto. Gostaria de saber qual é a verdade por tras disso, pois além de representar um retrocesso de 30 anos, ainda fere, provavelmente, direitos adquiridos. Além disso, eu NUNCA ouvi falar em acomodacao compartilhada em nenhuma empresa do mundo ocidental. Para concluir: aqueles realmente interessados (aeronautas) nao têm acesso a uma ata contendo a negociaçao SNA-SNEA. Digo um pdf assinado por todos na mesa. E o motivo de eu estar dizendo isso é que, num primeiro momento, eu realmente acho dificil de acreditar que o SNEA tenha apresentado uma alteraçao neste sentido. Se me permite um ceticismo saudavel e respeitoso, sera que nao está havendo, por parte do SNA, um certo exagero, ou uma interpretacao erronea ou a divulgaçao de meias verdades? O boato é muito ruim para acreditar…

  10. Cmte Fernando
    2 meses ago

    E se os pilotos brasileiros que tem as “pulseiras” começarem a participar desta festa ? Quem irá substituir estes mesmo pilotos VIPs ?!

    • Raul Marinho
      2 meses ago

      Quem tem condições já está participando.

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