Oportunidades de trabalho em declínio para pilotos de helicóptero na operação offshore

Oportunidades de trabalho em declínio para pilotos de helicóptero na operação offshore

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Não é novidade, mas não deixa de ser chocante. A reportagem da Folha de hoje – “Crise da Petrobras esfria mercado para helicópteros e pilotos no Brasil” – traz números impressionantes sobre o declínio da operação offshore no Brasil. De 2015 para 2016, a frota de helicópteros alocados à atividade declinou 22%, com menos 39 aeronaves. Considerando também a redução nas horas voadas das aeronaves que permanecem operando, a matéria fala em redução de 350 postos de trabalho para aeronautas do segmento.

Considerando que os pilotos que atuam na operação offshore possuem a melhor qualificação média do mercado – habilitação para TIPOs multimotores, IFRH e mais de 500h de experiência (mais de 1.000h e licença PLAH para comandantes) -, o ingresso destes profissionais no mercado continental tende a travar a contratação dos pilotos menos qualificados. Para os recém-formados, então, a situação é trágica! A propósito, vejam abaixo uma reprodução do gráfico de novos PCHs formados nos últimos anos:

novospilotos

Mantida a tendência, 2016 deverá formar pouco mais da metade dos PCHs formados em 2015; que, por sua vez, formou praticamente a metade dos PCHs de 2014. No longo prazo esta redução no número de novos pilotos tende a melhorar os índices de empregabilidade no setor, com menos pressão de oferta de pilotos. Mas em termos mais imediatos, o impacto para os pilotos com pouca experiência é ainda mais dramático, uma vez que a atividade de instrução de voo é uma das únicas alternativas que restariam a este grupo.

O único trecho da reportagem que traz alguma esperança é este parágrafo final:

Acreditamos que esta fase é passageira e o grupo Airbus Helicopters continua investindo no desenvolvimento e no aperfeiçoamento de modelos para o mercado de petróleo e gás”, disse Alberto Duek, responsável na companhia por esse segmento.

Deus de ouça, Duek!

14 comments

  1. Larissa
    4 semanas ago

    Prezado Raul,

    Meu marido, desencantado com a advocacia, resolveu fazer curso para ser piloto de helicóptero, profissão na qual ele se imaginaria feliz. Há quase três anos, ele se formou em PC e tb como instrutor de vôo. No entanto, nunca trabalhou na área, e atualmente está em outro ramo, o qual largaria para voar independentemente de salário. No momento ele conta com 34 anos e o mercado brasileiro não está promissor. Penso muito que o tempo está passando e ele está preso ao emprego esperando a crise passar, para fazer revalidar as licenças. Li o post em que você fala sobre idade para o piloto, e não temos nenhum dos dificultadores apresentados. Estamos juntos desde a adolescência e não temos filhos, além disso o apoio a largar o emprego e ir para qlq canto do mundo se tivesse uma proposta, pois sei que ele realmente tem o sonho e é muito competente, o problema mesmo é conseguir a experiência. Será que seria válido já aproveitar a crise para tentar conseguir mais horas de vôo (ele possui pouco mais de 100 horas) ou de nada adiantaria umas 50 horas a mais? O que mais escuto é que ele teria de ter 500 horas no mínimo para um conseguir emprego em qlq empresa. Outra pergunta: vale a pena enviar o currículo ainda que com licenças expiradas?
    Desculpe o texto extenso, quase uma consultoria de por onde recomeçar, mas é que acompanho a sua página e essa última publicação me fez cogitar que talvez fosse agora e num futuro um momento de aquecimento da enconomia, se ele estivesse com tudo em dia e horas a mais que a maioria inexperiente, teria uma vantagem devido à queda na formação de pilotos.

    Parabéns pela página!
    Larissa.

    • Raul Marinho
      4 semanas ago

      O seu marido precisa de relacionamentos que possam lhe abrir portas. As 500h são uma barreira, sim, mas o mercado também está cheio de PCHs com 500h+ no chão por falta de QI. E, de qualquer maneira, ele não vai chegar às 500h sem indicações…
      Seu marido precisa “fabricar QI”, e para tal há duas alternativas principais (e não excludentes): oferecer algo em troca e participar de entidades associativas. Por exemplo: como advogado, ele pode oferecer ajuda especializada para pilotos ou operadores e, através disto, construir os relacionamentos de que precisa. Filiar-se à ABRAPHE e participar dos eventos desta associação também pode ser interessante.

      • Larissa
        4 semanas ago

        Muito obrigada pelo retorno! São estratégias as quais não havíamos nos dado conta para alcançar o tão necessário QI. Mais uma vez, parabéns pelo seu blog!

        • Milton
          4 semanas ago

          Olha eu de novo, hoje estou tagarela… Mas falando sério, Larissa, acho que seu marido tem todas as chances de se empregar, apesar do panorama sinistro de atualmente. Ele ainda é jovem, está realmente focado, e tem o apoio da esposa. Isso é inestimável. Bem o oposto de mim, que estou com 50 anos, a esposa torce o nariz pra ideia de eu virar piloto profissional, e além disso amo a Engenharia (também amo voar, mas a Engenharia chegou primeiro). Mas vamos em frente.

          Em adição às dicas do Raul, eu sugeriria o seguinte: ele manter os estudos em dia. Sério. Como se a banca da ANAC fosse amanhã. Participar dos eventos e palestras (quando o tempo livre permitir, é claro), para ficar “visível” e também se manter atualizado. Ficar afiado no manual da máquina (22 e de alguma outra máquina que ele tenha ao menos o “ground”) Manter-se atualizado sobre os AICs mais relevantes. Reestudar as navegações que fez nos cursos de PP e PC. Fazer um voo mental de vez em quando e, grana permitindo, um voo real. Manter o CMA válido. Fazer os rechecks quando necessário (acho que a cada 2 anos se não me engano, certo Raul?). Visitar escolas e helicentros, participar dos churrascos, se enturmar.

          Dica: A Robinson atualizou o manual do R22 em outubro deste ano. Dá um toque pra ele baixar a versão mais recente.

          Se não possuir ainda, comprar uma camisa de piloto com as berimbelas. Não será para uso diário (ao menos por enquanto), então uma peça vai dar. Será para uso em eventos e entrevistas, acho que é um pequeno investimento que vale a pena.

          Por que tudo isso? Parece loucura? Ora, porque um processo seletivo pode surgir de repente. E infelizmente não tem TAF capaz de prever quando e onde vai acontecer.

          No mais, boa sorte!

  2. Milton
    4 semanas ago

    Desculpe o excesso de posts, mas me ocorreu mais uma coisa: na minha opinião a declaração da Airbus conta pouco, já que os lotes do pré-sal estão sendo vendidos a toque de caixa (e a preço vil) para empresas estrangeiras. Foi assim com a Statoil (norueguesa) e com a Total (francesa), acho que tem a Shell e umas chinesas no meio também. Que vão colocar pilotos de seus países (registram com contratos de 359 dias para burlar a lei de proteção aos pilotos brasileiros, e renovam os contratos indefinidamente). Não dá pra comemorar não… :(

    • Larissa
      54 minutos ago

      Prezado Milton,
      Agradeço pelas orientações, toda ajuda é bem vinda!
      Li para ele seu comentário inteiro.
      Boa sorte para você também!

  3. Milton
    4 semanas ago

    Sou mais um com PCH e INVH que só vai voar por hobby mesmo. Felizmente tenho outras opções de renda.

  4. Wagner
    4 semanas ago

    Se o mercado esta gelado para os PCH´s, então podemos presumir q a hora de voo de helicóptero nas escolas de aviação, vai diminuir o preço! Vai ficar mais acessível? Pois já q a oferta esta estagnada, a procura tende a diminuir ok, estou certo ou errado senhor Raul?

    • Raul Marinho
      4 semanas ago

      Está certo! Já vi escola anunciando R22 a R$550/h.
      Só não sei se esse tipo de promoção tem algum reflexo na segurança…

      • Milton
        4 semanas ago

        Não sou especialista mas tenho a impressão que com esses valores o cara quer fechar a escola, tipo, consome as horas restantes das máquinas, vai sucateando (um 22 vencido não vale quase nada mesmo) e quando vencer a última máquina, fecha tudo.

        Abraço!

  5. Adriano Cavalcante
    4 semanas ago

    Muito boa a matéria. Você tem esse mesmo quadro mostrado acima , para as licenças PCA/IFR?
    Grande abraço,
    Adriano

    • Raul Marinho
      4 semanas ago

      Em breve.

  6. Venner Santana
    4 semanas ago

    Essa estatística para licença de PC-A(2016) como está?

    • Raul Marinho
      4 semanas ago

      Ainda não recebi. No início de 2017, deverei tê-la.

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