Relatório preliminar do “acidente” com a aeronave da LaMia/Chapecoense

Relatório preliminar do “acidente” com a aeronave da LaMia/Chapecoense

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A seguir, o vídeo com o relatório preliminar da autoridade aeronáutica civil colombiana sobre o “acidente” com o avião da LaMia que vitimou a maior parte do time de futebol da Chapecoense, dirigentes, jornalistas e tripulantes. É muito difícil de entender por que os pilotos agiram de maneira tão imprudente e negligente como se vê neste vídeo – fosse um suicídio deliberado, como no caso Germanwings, até seria compreensível, mas não parece ser este o motivo. A despeito da co-responsabilidade de quem aprovou o plano de voo com tempo estimado igual à autonomia, com autorização para voar RVSM no FL300 sem certificação, e da ausência de um segundo aeródromo de alternativa, o fato é que a iniciativa dos pilotos é que foi determinante. E, agora, fica mais claro ainda que o copiloto tinha total consciência do absurdo que o comandante estava fazendo, conforme comentado aqui.

Alguns outros detalhes ficaram mais evidentes (ou foram revelados) neste vídeo:

  • A decolagem ocorre acima do MTOW certificado para a aeronave. Tudo bem, não é muita coisa a mais (cerca de 350kg), mas para quem queria fazer o voo no limite de combustível, qualquer grama adicional conta… Ou deveria contar.
  • Foi realizado um desvio devido a condições meteorológicas no limite norte do Brasil – outro fator que poderia sinalizar para os pilotos que seria difícil chegar a Medellin com o combustível que se tinha (e isso aconteceu antes de Bogotá, que seria a opção para reabastecer).
  • Mesmo com o combustível na iminência de terminar, não se declara emergência quando se encontra tráfego intenso na aproximação final para Medellin, o que é feito somente quando os motores começam a parar, efetivamente.

Nos momentos finais, baixa-se o trem de pouso e os flaps, o que reduziu a velocidade da aeronave (e, consequentemente, atenuou um pouco o choque com o solo). Mas, se o avião decolasse mais leve, não fizesse nenhum desvio, e não encontrasse tráfego, é possível que conseguisse chegar à pista numa configuração mais favorável (baixando trem e flaps mais para frente) – como, aliás, aconteceu em oportunidades anteriores.

E aí o “acidente” seria postergado. Mas, muito possivelmente, ocorreria de qualquer maneira – pelo menos enquanto aqueles pilotos continuassem na cabine daquela aeronave.