Homofobia e homossexualidade na aviação civil (pilotos)

Homofobia e homossexualidade na aviação civil (pilotos)

By: Author Raul MarinhoPosted on
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No final de 2016, rodou na internet imagens de um aluno do ITA, homossexual masculino, que comparecera a sua festa de formatura em Engenharia com um mini-vestido vermelho, saltos altos, cabelo descolorido e maquiagem. Segundo ele, fora um protesto contra a homofobia que estaria presente na Força Aérea (ele era aluno militar da instituição). O assunto gerou grande repercussão na imprensa, mas ficou circunscrito à FAB, e nem tocou no assunto da aviação propriamente dita. E na aviação civil – especificamente, em relação a pilotos? Há homofobia e/ou discriminação de homossexuais nos cockpits? A presença de pilotos gays é vista com naturalidade pelos colegas heterossexuais? Demonstrar ser homossexual pode atrapalhar um candidato em um processo seletivo para piloto em uma linha aérea, num táxi aéreo, na aviação agrícola, ou para um instrutor de um aeroclube/escola de aviação? E o próprio processo de instrução: alunos-pilotos gays seriam discriminados no processo de formação?

Este assunto é muito pouco discutido no Brasil – nos EUA, para não variar*, existe uma associação forte e ativa que defende os interesses do grupo há mais de 25 anos, a The National Gay Pilots Association. Conheço centenas de pilotos brasileiros, e posso dizer que consigo contar nos dedos de uma mão os que são declarada e/ou notoriamente gays (e jamais vi algum deles travestido ou com comportamento exageradamente homossexual), numa proporção muitíssimo menor do que se encontra na população em geral que exerce profissões “terráqueas” – p.ex. médicos, funcionários públicos, profissionais de TI, professores, contadores, etc. Diria que a situação dos pilotos neste particular é muito similar à dos militares, contra a qual o aluno do ITA protestou: demonstrar sua homossexualidade não é comum para um/uma piloto no Brasil, seja ele/ela profissional ou não.

O que leva a três hipóteses principais: a)Um/uma gay tem interesse menor que um/uma hétero para se tornar piloto; ou b)Um/uma gay enfrenta dificuldades maiores que um/uma hétero para conseguir ser piloto; ou c)Um/uma gay esconde sua condição de gay para não ser discriminado por outros pilotos e pela comunidade aeronáutica. A hipótese “a” me parece pouco plausível: não há nada que indique que uma pessoa, somente por ser gay, tenha menor chance de se interessar por pilotar uma aeronave. Já as alternativas “b” e “c” podem se combinar, e um/uma gay com interesse em ser piloto que enfrentasse algum tipo de discriminação tenderia realmente a não mostrar sua condição. Parece-me que é isto o que realmente ocorre, numa análise superficial.

De qualquer maneira, isto é só especulação. O objetivo deste artigo é o de trazer o assunto para o foco e provocar a discussão. E você, o que pensa sobre o assunto?

Obs.: Comentários ofensivos e preconceituosos contra os homossexuais ou proselitistas da “causa LGBT” não serão aprovados.  

*Vide o post Associações de pilotos para mulheres e para negros: como é nos EUA.

 

 

 

16 comments

  1. Gabriel Mendes
    4 semanas ago

    Sou gay assumido tenho o sonho de ser piloto, vou começar a fazer PPA no início de 2018 e estou disposto a enfrentar qualquer homofobico que queira me impedir, não vou calar meu sonho pela sua ignorância, tudo que é feito com amor o resultado é 100%.
    – A gay mais pintosa da aviação

  2. None
    1 mês ago

    Extremamente desnecessário este post Raul!

    Eu sou heterossexual, mas posso afirmar com a maior certeza, que se eu estivesse no lugar de um homossexual e lesse esse post, iria me sentir ofendido.

    Pois apenas o fato de tu parar, exclusivamente para escrever um texto sobre homossexuais na aviação, mostra como o preconceito é grande.
    Afinal tu está tratando sobre um tema “errado” na sociedade e por isso trata com tanta exclusividade.

    • Raul Marinho
      1 mês ago

      Obviamente discordo. Mas está registrada sua opinião.

  3. Lucas Oliveira
    1 mês ago

    A grande maioria dos feitos atuais busca apenas uma coisa: divulgação.
    O segredo é não polemizar o assunto. Ignorar. Deixar passar despercebido. Normal.
    Tem coisas que quanto mais mexe, mais fede.

  4. Marcos Véio
    1 mês ago

    Poutz grilla! Assunto sério hem!? Essa estória do sujeito ser viado ou sapatão só traz problemas para eles. Não vejo problemas quando a pessoa se porta de forma adequada, sem afetações. Eu tenho um amigo que tem esse “desvio” e uma vez perguntei: “Cara, se teu pai e mãe fossem gays, você estaria aqui?”

    E a vida segue!

    • vai vendo...
      1 mês ago

      “Desvio”?????
      Quer dizer que se um filho ou uma filha sua é homossexual, ele tem um “desvio”????
      Quer dizer que somente gays precisam comportar-se de forma adequada? Heteros podem comportar-se do jeito que lhes bem entender???

      • Marcos Véio
        1 mês ago

        Negativo! Heteros também devem se comportar devidamente. Inclusive respeitando a “diversidade da fauna”. Assim como as gazelas devem respeitar os heteros assumidos. kkkkk

        • vai vendo...
          1 mês ago

          Quanto preconceito, em pleno 2017.

    • Carlos de Andrade
      1 mês ago

      Desvio? Se é um desvio, existe um regra. Qual é essa regra? As pessoas precisam entender que gays e trans se comportam de um jeito, e héteros de outro. A opção sexual define quem nós somos, e a conduta que temos nos atos do dia a dia. Do mesmo que jeito que uma mulher em uma sociedade machista é privada de fazer várias coisas, coisas essas que quando são feitas por homens são encaradas como normais. Essa sua visão é extremamente hétero normativa. Você sendo hétero tá definindo qual deve ser o comportamento de um/uma gay. Isso não faz o menor sentido, pelo menos para mim.

      • vai vendo...
        1 mês ago

        A postura deve ser 100% profissional, independente do gênero ou da opção sexual. Ou será que em uma entrevista de emprego alguém já respondeu a pergunta” por onde tens prazer?”. O comentário do “marcus véio” foi extremamente preconceituoso e ele mesmo deveria ter vergonha e solicitar ao moderador que o retire do blog.

      • Marcos Véio
        1 mês ago

        Desvio sim sr. Use a lógica. Tu nasceu macho? Seja macho. Nasceu mulher? Seja mulher.

        Ora, um cavalo descobriu a modinha que tem opção de ser o que ele quiser, daí ele escolhe ser uma vaca.

        Isso sim não tem sentido. É um questão cultural empurrada guela abaixo para continuarmos sendo um país subdesenvolvido, mergulhado na corrupção e putaria.

        Enquanto vcs ficam na conversinha politicamente correta, aviões começam a ser alvejados pelo fruto dessa putaria e corrupção. “Vai venuuu…”

        • vai vendo...
          1 mês ago

          Bom…
          Partindo do seu próprio exemplo, com suas palavras…vc é um cavalo e sua esposa uma vaca… vc quem disse.

  5. Fulano
    2 meses ago

    Se o cara não tiver poder e influência, sofrerá preconceito descarado.Se ele for dono de uma das maiores escolas de aviação do país, será respeitado.

  6. Carlos de Andrade
    2 meses ago

    Bem, na minha visão, a situação dos/das gays na aviação é apenas um reflexo do que é a situação dos/das mesmos/mesmas na sociedade brasileira, que sem dúvida alguma, é homofóbica e transfóbica. Porém alguns setores são permeados por pessoas mais “progressistas” (não necessariamente na questão política, e sim na questão social), aonde consequentemente, a aceitação de homossexuais é maior. Como por exemplo, nas artes e nas áreas de comunicação. Sobre as suas hipóteses, realmente são só especulações, já que não há nenhum estudo demográfico a respeito, pelo que eu saiba. E, eu sou hétero, não consigo responder com propriedade, pois não sei o que os/as gays sentem na pele. O ideal, seria uma entrevista com alguém que passa por isso todos os dias. Mas, é ótimo você trazer esse assunto para o público, a discussão é extremamente válida, e só tem a agregar para a aviação ser uma comunidade melhor pra todo mundo, independente de raça/cor ou opção sexual.

  7. Simone Castro Paborelli
    2 meses ago

    Há discriminaçao sim, talvez para comissários nem tanto, pois é muito comum vermos profissionais homosexuais ocupando estes cargos. Para piloto já acho um pouco mais complicado, pois na maioria das vezes, este conflito gera desconforto entre os tripulantes tecnicos o que acaba prejudicando a contratacao. Agora para pilotos e comissarios negros acho que o preconceito é maior.

    • Carlos de Andrade
      2 meses ago

      A questão racial acredito que seja pior ainda, pois existem dois agravantes. Grande parte da população brasileira mais pobre é negra, logo, a dificuldade para bancar o curso é absurdamente grande, comparada com alguém que já nasce em uma família estruturada. Ou seja, grande parte dos negros não conseguem nem chegar ao aeroclube. E os que conseguem, sem dúvida, sofrem discriminação simplesmente por serem negros. 54% da população brasileira tem alguma descendência negra. Quantos nós vemos nos aeroclubes, ou ocupando cargos na aviação?

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