600 vagas a menos para pilotos na linha aérea em 2016

600 vagas a menos para pilotos na linha aérea em 2016

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O G1 publicou hoje um artigo que dá uma boa dimensão do que aconteceu no mercado de trabalho de pilotos da aviação comercial em 2016: “Frota de empresas aéreas brasileiras cai pela 1ª vez em 12 anos e perde 50 aviões“. Como, pela metodologia IEP, a média de pilotos por aeronave neste segmento é de 12:1 (6 comandantes e 6 copilotos por avião de linha aérea), isso significa que cerca de 600 vagas de trabalho deixaram de existir no ano passado. Entretanto, este número não significa necessariamente que houve 600 demissões de pilotos nas companhias aéreas brasileiras em 2016, já que ajustes em jornadas (menos número médio de horas voadas ao mês), não reposição de aposentados, demissões voluntárias para trabalhar no exterior, licenças não remuneradas, etc., também são mecanismos importantes para absorver tal redução de vagas.

Que 2017 seja melhor – e certamente será!

5 comments

  1. Marcos Véio
    11 meses ago

    Os “mecanismos” mascaram um número bem superior ao número publicado na matéria do fake news.

  2. Drausio
    11 meses ago

    Raul, acho que seria interessante utilizar a metodologia IEP para calcular quantas novas aeronaves precisariam ser adicionadas à frota comercial brasileira para que, considerando o afluxo de novos pilotos ao mercado ocorrido nos últimos anos, o índice de empregabilidade volte a patamares próximos aos atingidos nos momentos de euforia em 2010 e 2011, ou a qualquer outro patamar considerado bom (para os pilotos).
    Minha hipótese é de a demanda por pilotos em relação à oferta de pilotos no mercado brasileiro permanecerá baixa “para sempre”. Se a metodologia IEP nos der um número absurdamente alto de novos aviões na frota (número que seja improvável de ser atingido mesmo nos cenários de recuperação econômica mais otimistas) para que o índice de empregabilidade volte a patamares considerados bons, minha hipótese será corroborada. Ainda daria para considerar diferentes cenários relativos à formação futura de novos pilotos. A esse respeito os cursos de Ciências Aeronáuticas talvez tenha o efeito de um hedge estabilizador, garantindo um número mínimo de novos pilotos ingressando no mercado nos próximos quatro anos.
    Enfim, acho que quase todas as profissões de nível superior (piloto considerada entre elas, pois o custo de formação é equivalente) tem assistido a uma redução estrutural da oferta de empregos em relação à demanda por eles. Acho que isso tem acontecido no mundo todo e é uma tendência muito mais robusta do que qualquer efeito conjuntural da atual crise econômica brasileira. Esse tipo de análise é importante porque pode fundamentar decisões mais racionais na hora de alguém (ou do pai de alguém) decidir investir na formação de piloto ou em algum outro negócio.

    • Raul Marinho
      11 meses ago

      Pela metodologia IEP, o excedente acumulado de PCAs dos últimos 11 anos (2005-2015) é de 4.251 pilotos (só em 2015 foram 1.095, número que deve ser parecido com o de 2016). Para alocar todos estes profissionais em aeronaves de linha aérea, seria necessário que nossa frota crescesse em 354 aeronaves. Isto é o resultado da manipulação teórica dos números de emissão de licenças de PCA e de frota, e é claro que não reflete exatamente a realidade, uma vez que diversos outros fatores influenciam, especialmente a desistência de PCAs formados, que acabam trabalhando em outras áreas. Mas, em teoria, seria preciso que nossa frota de aviões comerciais crescesse em cerca de 50% para zerar o estoque excedente de pilotos. Complicado, não?

      • Drausio
        11 meses ago

        Obrigado pelas informações, Raul.
        Aproveitei esses dados para tentar calcular (ainda que de modo rudimentar) a “taxa de desemprego” específico para o mercado de tripulantes técnicos da aviação comercial brasileira.
        Considerei que nem todo novo piloto licenciado como PCA estaria apto e/ou interessado em disputar efetivamente uma vaga de emprego na aviação comercial. Para disputar uma vaga é preciso, além da habilitação PCA, que o profissional tire também as habilitações MLTE e IFR, além de ser muito recomendável que tire a certificação ICAO 4 ou superior. Além disso, é preciso (pelo menos em tese) que o piloto se mantenha atualizado e proficiente nos conhecimentos teóricos e práticos exigidos em um processo de seleção em uma companhia aérea, e que busque ativamente (ou passivamente, a depender das preferências de quem se disponha a indicá-lo para a empresa) ser convidado para participar dos processos seletivos. Por todas essas razões, entre outras já indicadas por você, considerei um generoso fator de correção na hora de calcular quantos novos pilotos estariam efetivamente aptos e disponíveis para disputar uma vaga de emprego na aviação comercial.
        Considerei que apenas 10% dos 3156 PCAs checados entre 2005 e 2014, inclusive, estariam aptos e disponíveis no mercado da aviação comercial, o que daria um total de 315 pilotos.
        Considerei que apensa 50% dos 2190 PCAs checados em 2015 e 2016, estaria aptos e disponíveis, o que daria um total de 1095 pilotos.
        Portanto, o total de pilotos desempregados, aptos e disponíveis no mercado para a aviação comercial hoje seria de 1410 pilotos.
        Calculei então o total de pilotos que estariam empregados hoje na aviação comercial. Considerei a frota de 700 aviões antes da redução anunciada no artigo do G1. Considerei também o número de 12 pilotos por aeronave, conforme a sua metodologia IEP. Assim, haveria hoje 8400 pilotos empregados.
        Logo, o tamanho da força de trabalho de pilotos para a aviação comercial no Brasil seria de 9810 pilotos. Destes, 14% estariam desempregados e disponíveis para serem contratados imediatamente, sendo esta a taxa de desemprego estimada por mim para a aviação comercial brasileira.
        Interessante observar que essa taxa de desemprego é pouco maior do que a média do mercado de trabalho no país, hoje calculada em 12%.
        Indo um pouco além, me lembrei que os economistas dizem que 6% de taxa de desemprego corresponde à menor taxa de desemprego que qualquer setor da economia pode suportar sem que os custos de mão de obra subam vertiginosamente e inviabilizem a atuação das empresas do setor. Não por outra razão o limiar de 6% de taxa de desemprego caracteriza o chamado pleno emprego em um dado mercado de trabalho.
        Se aplicarmos isso ao mercado de trabalho de pilotos da aviação comercial brasileira constatamos que a taxa de desemprego poderia cair no máximo 8% (dos 14% atuais para os 6% mínimos possíveis). Esses 8% de um mercado de 9810 pilotos daria um total de 784 pilotos a serem contratados, correspondendo a 65 novos aviões na frota, além dos 700 considerados para fim destes cálculos como o tamanho atual da frota. Como a frota atual deve estar em torno de 650 aviões, seria necessário que fossem adicionados 115 novos aviões à frota hoje para que o mercado atingisse o pleno emprego.
        Importante lembrar que os primeiros 50 aviões adicionados à frota serviriam apenas para recompor o tamanho da frota anterior e talvez não gerem grande demanda por tripulantes, já que as empresas estariam atualmente com tripulantes em excesso, ou poderiam recontratá-los caso tenham sido demitidos, ou chamá-los de volta da Licença Não Remunerada em que muitos foram colocados quanto foram “emprestados” para empresas da Azia. Teoricamente, somente a partir de 50 novos aviões é que o mercado passaria a demandar efetivamente novos tripulantes.
        Supondo que haja alguma relação estável e mais ou menos constante entre a atividade econômica do país e a demanda por voos comerciais, teríamos que ter um crescimento econômico (cujo principal indicador é o PIB) da ordem de 17,6% a partir de hoje para que o mercado de trabalho na aviação comercial atinja o pleno emprego. Desse total, 7,6% de crescimento do PIB seria suficiente para retornar a frota às dimensões anteriores, e outros 10% seriam necessários para ampliar a frota em 65 aviões, levando ao pleno emprego. Se o PIB brasileiro crescesse 3,5% ao ano nos próximos 5 anos chegaríamos lá, com as empresas passando a contratar muito fortemente a partir do início do terceiro ano, quando a frota voltaria a ter os 700 aviões que já teve.
        Tudo seria lindo neste cenário, desde que o Brasil crescesse pouco prováveis 3,5% ao ano por cinco anos consecutivos. Mas, mesmo que esse milagre aconteça, há outro problema. Se a partir de hoje ingressarem 350 novos pilotos a cada ano no mercado da aviação comercial (35% do atuais 1000 novos PCAs formados por ano), a taxa de desemprego neste mercado não será alterada e deverá se manter nos atuais 17,6% “para sempre”.

        É Raul, bastante complicado, mesmo!!!

  3. Beto Arcaro
    11 meses ago

    Hmmm….
    Esse “certamente será”….
    Acho que você é muito otimista, Raul ! rsrsrsrs

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