ATENÇÃO: Novas regras da ANAC para exames de proficiência de pilotos (cheques/recheques)

ATENÇÃO: Novas regras da ANAC para exames de proficiência de pilotos (cheques/recheques)

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A ANAC publicou hoje a IS 00-002C com novas regras aplicáveis aos exames de proficiência de pilotos para concessão e revalidação de licenças, habilitações e certificados, incluindo os novos modelos de FAPs-Fichas de Avaliação de Pilotos. A nova regulamentação entra em vigor dentro de 90 dias – isto é: em 25/04/2017. Diferente da maioria dos regulamentos da ANAC, neste há uma grande preocupação em orientar examinadores e candidatos sobre a realização dos exames, além de especificar como deverão ocorrer os procedimentos burocráticos – inclusive quanto ao exame oral, que agora tem grande importância nos cheques e recheques. Neste sentido, cito como exemplo o item 6.9, que trata dos erros de avaliação mais comuns cometidos pelos avaliadores, abaixo reproduzido:

Erros de avaliação

Para realizar uma boa avaliação, o examinador deve ter consciência dos erros de avaliação mais comumente encontrados, a fim de evitar cometê-los. São eles:

a) Erro de tendência central: O examinador tende a avaliar o desempenho dos candidatos como “mediano”, se eximindo de proferir conceitos claros como “bom” ou “ruim”. Por um lado, o examinador não se permite avaliar o desempenho como bom, pois sempre considera que o piloto pode melhorar em algo, mas por outro, também não avalia o desempenho como ruim por se preocupar com a possível reação emocional do candidato. Esse erro é mais comum quando o examinador é inexperiente, ou com os que se preocupam com “o que os outros vão pensar”, em detrimento da verdade e, em última instância, da isonomia entre os candidatos.

b) Generosidade excessiva: Erro que leva o examinador a avaliar favoravelmente todos os candidatos. Pode ser causado pelo desejo do examinador de ser visto como uma boa pessoa.

c) Severidade excessiva: Erro que leva o examinador a avaliar desfavoravelmente todos os candidatos. Pode ser causado pela opinião do examinador de que os padrões publicados pela ANAC não são rígidos o suficiente.

d) Efeito Halo: Ocorre quando o examinador deixa sua impressão pessoal a respeito do candidato influenciar sua avaliação. Se a impressão geral do examinador sobre uma pessoa é boa, ele tende a apreciá-la com benevolência. Se, ao contrário, a impressão geral do examinador sobre o indivíduo é ruim, ele tende a avaliá-lo com excesso de rigor. Pode ocorrer também que a avaliação de um fator específico contamine a avaliação dos outros, seja de forma positiva ou negativa, distorcendo a avaliação de cada fator isoladamente.

Nos cinco apêndices da IS encontra-se a documentação técnica para a aplicação dos exames:

  • Apêndice A: os novos modelos de FAPs para avaliação de licenças (Piloto Privado, Comercial e de Linha Aérea), habilitações (CLASSE, TIPO e Operação), Planador, Balão Livre e Outros Exames (examinador e em rota/121+135), sendo que as FAPs de PLA, TIPOs e IFGR têm versão em inglês.
  • Apêndice B: a descrição dos “elementos de competência” (tarefas, manobras ou exercícios listados nas FAPs) – subdivididos em:
    • Competências comuns (comunicação, gerenciamento de combustível, etc.);
    • Navegação e uso do painel de instrumentos;
    • Pilotagem da aeronave, nas categorias avião (terrestre e anfíbio), helicóptero e planador;
    • Operações específicas (IFR, INVA, PAGr, Examinador); e
    • Outras manobras
  • Apêndice C: as margens de tolerância admitidas nos elementos de competência dos cheques para avião, helicóptero e IFR em termos de proa, velocidade, altitude, etc.
  • Apêndice D: checklist do examinador.
  • Apêndice E: checklist do candidato.

As referências bibliográficas são as regulamentações das autoridades australiana (CASA) e americana (FAA).

21 comments

  1. Paulo Lemes
    5 dias ago

    Prezado Raul, uma vez checado como PPH no R44, pretendo tão logo obter o cheque, também como PPH no R66. Pergunto: posso fazê-lo em aeronave privada acompanhado de um checador autônomo? Quais os requisitos básicos quanto à adaptações, endossos, etc?

    • Raul Marinho
      5 dias ago

      A resposta é mais complicada do que parece. Embora o R44 e R66 sejam parecidos, são de CLASSEs diferentes (HMNC e HMNT), então não é o caso de endosso, e sim de nova habilitação. Como nenhuma escola possui R66, vc teria duas alternativas: checar o HMNT num modelo diferente (Esquilo, p.ex.) em uma escola, com checador credenciado, e depois obter o endosso no modelo com um piloto habilitado no R66; ou checar o HMNT diretamente no R66 com um INSPAC. No 1o caso, seria necessário um cheque de endosso até 30/06. Caso queira um atendimento mais aprofundado sobre este assunto, contacte a Propiloto.net.

  2. Fábio Campos
    5 dias ago

    Recheque, por horas recentes era muito mais eficiente! Agora é a falta de inspac, demora e custos adicionais, checadores autônomos cobra 350,00. Um processo ineficiente!

  3. MAURO BOER
    2 semanas ago

    Raul,
    Uma dúvida..as novas regras para exames de proficiência de pilotos para revalidação de licenças (MNTE) entra em vigor a partir de 24/04/2017. Se eu renovar agora, antes da entrada em vigor, poderia revalidar por tempo de voo (experiencia), sem me submeter ao recheque ??

    • Raul Marinho
      2 semanas ago

      Negativo. A revalidação por experiência só foi possível até 3/12/2016.

  4. Cristiano Oliveira
    3 semanas ago

    tenho algumas dúvidas e peço humildemente que me oriente a saná-las:
    1) Posso estudar sozinho e me submeter ao exame para Piloto Privado de Helicóptero?
    2) Sou policial militar; uma vez aprovado na banca, posso fazer as horas práticas no Grupamento aéreo da minha instituição policial ou será necessário o curso prático na escola credenciada?
    3) Quantas horas de voo prático, 40 ou 35?
    4) o voo de checagem é possível ser realizado na aeronave da Polícia?
    5) com quantas horas mínimas após habilitado como piloto privado de helicóptero eu posso me submeter a banca de piloto comercial de helicóptero e IFR?

    Muito obrigado desde já.

    • Raul Marinho
      3 semanas ago

      1) Posso estudar sozinho e me submeter ao exame para Piloto Privado de Helicóptero?
      =>Sim.

      2) Sou policial militar; uma vez aprovado na banca, posso fazer as horas práticas no Grupamento aéreo da minha instituição policial ou será necessário o curso prático na escola credenciada?
      =>Para o PPH, necessariamente tem que ser em escola homologada.

      3) Quantas horas de voo prático, 40 ou 35?
      =>Pelo regulamento, 35. Mas a maioria das escolas cumpre o manual de curso, que tem 40.

      4) o voo de checagem é possível ser realizado na aeronave da Polícia?
      =>Em tese, sim, mas acho difícil que a PM libere.

      5) com quantas horas mínimas após habilitado como piloto privado de helicóptero eu posso me submeter a banca de piloto comercial de helicóptero e IFR?
      =>Checou, tá liberado.

  5. ALEXANDRE FERREIRA MARTINS
    3 meses ago

    Posso realizar o recheque em aeronave TPP ou própria com examinador credenciado ou é necessário a efetivação do mesmo em Escola homologada? conforme a regulamentação em vigor. Grato

    • Raul Marinho
      2 meses ago

      Quando esta resolução entrar em vigor, vc poderá:
      1)Pedir checador INSPAC à ANAC;
      2)Checar em aeronave do aeroclube/escola (PRI), com checador vinculado à instituição; ou
      3)Checar em aeronave privada (TPP), com o checador autônomo.
      Este última opção é a novidade.

  6. vai vendo...
    3 meses ago

    Muda a regulamentação, mas não muda a postura arrogante de vários checadores. Aviadores frustrados, na maioria dos casos não são habilitados na aeronave e exigem coisas que eles próprios não saberiam como fazer. Longe de serem deuses ou baluartes da segurança. Falta humildade e em alguns casos, educação.

  7. Paulo
    3 meses ago

    Ainda está sendo possível fazer o recheque na aeronave tipo ou está sendo obrigatório simulador mesmo se tratando de 91?

    • Raul Marinho
      3 meses ago

      Obtenção e revalidação de habilitação de TIPO só é possível em CTAC depois de 31/12/2016.

  8. Simão
    3 meses ago

    Prezado Marinho,
    Ainda está válida a normativa da ANAC que permite a renovação da CHT de PP e MMTE, sem necessidade de recheque e prova de regulamentos, para piloto que voar 20 horas e fizer 4 navegações no período da vigência da carteira??

    • Raul Marinho
      3 meses ago

      Negativo. Expirou em 31/12/2016.

      • Simão
        2 meses ago

        Raul,
        Ficou uma dúvida..a nova normativa entra em vigor a partir de 24/4. Se eu renovar até essa data, eu não posso revalidar por tempo de voo, sem me submeter a exame de regulamento e proficiência física??

        • Raul Marinho
          2 meses ago

          ???

  9. Suelen Leal
    3 meses ago

    Certa vez, questionei um Inspetor referente ao briefing e debriefing com duração de 2hs(cada), uma vez que estavamos tratando de cheque em rota em empresa 135, ou seja, o tripulante já estava habilitado na aeronave, e no meu pensamento tratávamos somente dos procedimentos operacionais. Logo, esse tempo poderia ser reduzido. O Inspac em enviou via e-mail um texto enorme justificando essa duração para briefing e debriefing. Ao que parece, nessa IS não estabelece a duração para briefing e debriefing.

  10. Paulo Moser
    3 meses ago

    Não mudou nada mas realmente tem algumas coisas que deveriam mudar. Por ex. Um debriefing apos o cheque deichando claro os acertos e erros e filar cada cheque

    • Raul Marinho
      3 meses ago

      Veja o item abaixo da IS:

      14. DEBRIEFING
      14.1 O debriefing deve ocorrer após o exame, tenha ele resultado na aprovação ou reprovação
      do candidato. Nele, o examinador deve declarar ao candidato o resultado final do exame,
      bem como discutir os pontos fortes e fracos do candidato.
      14.2 Uma boa prática é que o examinador, antes de iniciar seus comentários, pergunte ao
      candidato como ele avalia seu próprio desempenho. A maioria dos candidatos consegue,
      sem auxílio, identificar os casos em que seu desempenho não atingiu o padrão previsto.
      Essa prática deve ser especialmente enfatizada nos exames de instrutor ou examinador
      credenciado, uma vez que tais indivíduos devem ter a capacidade de distinguir um
      desempenho aceitável de um inaceitável.
      14.3 Ao realizar seus comentários, o examinador deve se ater aos critérios objetivos de
      avaliação, indicando expressamente para o candidato, em caso de reprovação, em quais
      itens ele foi julgado reprovado e qual era a proficiência mínima esperada em cada um
      deles.
      14.4 A ANAC recomenda que o examinador tenha em mãos durante o debriefing uma cópia
      impressa ou digitalizada desta IS, incluindo seus Apêndices, como forma de demonstrar
      ao candidato o embasamento normativo para cada um dos procedimentos realizados
      durante o exame, bem como para sanar eventuais dúvidas de ambas as partes.
      14.5 Caso se trate de exame em operador aéreo certificado, a recomendação acima se aplica
      também a todos os demais manuais pertinentes (MGO, SOP, etc.), cuja observância em
      voo é obrigatória pelos tripulantes.
      14.6 Examinadores e candidatos devem ter em mente que não é o examinador quem aprova ou
      reprova um candidato – é o candidato quem, em um determinado voo, consegue ou não
      realizar determinados procedimentos dentro do padrão mínimo previsto. O papel do
      examinador é exclusivamente declarar o que ocorreu naquela data, não podendo agir de
      maneira mais benéfica ou mais rigorosa do que o requerido pela ANAC.

  11. Savio Montenegro Zamboni
    3 meses ago

    Se eles fizessem o curso de Fundaments off Instruction que o Instrutor dr Voo tem que fazer,iriamaprender sobre todas essas materias e procedimentos,

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