O maquiavélico ‘Somun’: uma fábula de horror aeronáutico

O maquiavélico ‘Somun’: uma fábula de horror aeronáutico

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Em um reino muito, muito distante, para lá da Capadócia (mas muito, muito semelhante ao Brasil), criou-se uma companhia aérea cerca de 10 anos atrás chamada Mavi. Cerca de 5 anos depois, a Mavi, que operava de maneira mais ou menos regional, com jatos menores que os da concorrência e também com turboélices, fundiu-se com uma outra companhia, a Seyahat, que operava os mesmos tipos de aeronaves e voava rotas parecidas (talvez um pouco mais “interiorana” que a outra). Na fusão, adotou-se o nome Mavi, mas boa parte da tripulação veio da Seyahat, que era composta por pilotos de mais idade e, segundo dizem, um pouco mais “rústicos” (menos poliglotas, com menos diplomas, etc.) – mas, nem por isso, “menos pilotos”. Já os aviadores da Mavi eram mais jovens na base, mas a sua elite era composta por experientes ex-aeronautas da Güney, uma antiga e importante companhia do reino e que falira pouco tempo antes da Mavi ser criada.

Tudo parecia ir bem com a fusão entre a Mavi e a Seyahat no início, mas o fato é que, como em qualquer fusão, uma companhia tende a engolir a outra (neste caso, a engolida era a Seyahat), e os pilotos da empresa predominante Mavi logo viram a oportunidade de crescer rápido na carreira. Os aviadores originais da Mavi, porém, não podiam simplesmente tirar os seus atuais colegas ex-Seyahat do caminho porque naquele longínquo reino, assim como no Brasil, há regras trabalhistas que não permitem a demissão indiscriminada de tripulantes. Era preciso criar um mecanismo para justificar tecnicamente as demissões do pessoal que veio da Seyahat. Mas… Como??? Foi aí que alguém teve uma brilhante ideia.

Havia naquele distante reino algo que, no Brasil, chamamos de PTO-Programa de Treinamento Operacional – que, no caso da Mavi, incluía um ciclo de requalificação de tripulantes apelidado de Somun. Se os “velhinhos” oriundos da Seyahat fossem enviados ao Somun e, mesmo com todas as chances e oportunidades, ainda assim não conseguissem atingir um padrão mínimo de qualidade de pilotagem, então… Bem, aí seria uma demissão por critérios técnicos, pelo bem da segurança operacional da empresa; para salvar vidas, enfim. Quem poderia contestar isso? E, “coincidentemente”, o pessoal da área de treinamento, incluindo os instrutores e checadores, era composta por profissionais da base da Mavi original: aqueles mesmos ávidos por crescer na carreira. Touché!

Foi então que começou a “limpeza étnica” na Mavi, fenômeno típico da região geográfica onde fica aquele reino (sorte que no Brasil não temos isso!). Um a um, os pilotos ex-Seyahat eram avaliados “abaixo dos mínimos” e enviados ao Somun. E, aviador após aviador, os “velhinhos” não conseguiam, por mais que tentassem, atingir o padrão de qualidade exigido e iam para a rua. Não sem antes trilhar um longo calvário de destruição da autoestima e da autoconfiança profissional que, na prática, inviabilizava a “recuperação” do aviador. Uma vez sabedor que se está sendo avaliado e que esta avaliação decidirá o seu futuro, quem consegue dar o melhor de si? É mais ou menos como o bom motorista que encontra o amor da sua vida e é convidado a almoçar na casa dos pais dela no domingo. Lá chegando, acha uma vaga para estacionar em frente à casa da amada e, ao começar a fazer a baliza, vê que os pais, avós, tios e irmãos da moça estão a observar sua habilidade para estacionar o carro. Quem acerta a baliza numa situação dessas?

Ao longo do tempo, dezenas de pilotos “fusionados” (ex-Seyahat) foram demitidos por meio deste estratagema. Alguns, é bem verdade, tinham realmente suas deficiências; mas a esmagadora maioria foi simplesmente triturada na máquina de moer carne do Somun. E, além de demitidos, estes pilotos foram excluídos da aviação, com a autoconfiança profissional esmigalhada. Muitos perambulam por aí até hoje em subempregos, depressivos, e poucos querem falar do assunto. Por anos foi assim, e os ex-Seyahat passaram a ser corretores de imóveis de terceira linha, negociantes de carros usados da “boca”, motoristas informais de táxi – todos quietos, de ombros caídos, cada um vivendo seu inferno pessoal.

Sei que para um brasileiro, que vive em um país com desemprego galopante, ser demitido faz parte do jogo. É culpa da recessão, do Custo Brasil, de uma restruturação na empresa, de mudanças tecnológicas, da apatia pessoal… Enfim, todo trabalhador do nosso país já passou ou passará por pelo menos uma demissão ao longo da carreira, e isso não é nada tão terrível assim. Mas, naquele distante reino, as vítimas do Somun são muito mais que demitidos: eles são estigmatizados como incompetentes, obsoletos, desleixados – inclusive e principalmente perante si mesmos. As pessoas perdem o eixo, o prazer com o trabalho, a identidade profissional. E, como supremo requinte de crueldade, a Mavi frequentemente contrata novos pilotos simultaneamente às demissões no âmbito do Somun – ou seja, é o argumento perfeito: “por que a companhia iria colocar aviadores para fora justamente num momento em que precisa contratar gente para pilotar suas aeronaves”? É claro que o problema é técnico desses “velhinhos”, não é mesmo? Para entender melhor, siga o esquema abaixo:

somun

Suponhamos que existam somente quatro pilotos na empresa, numa escala de senioridade (do mais antigo para o mais recente): Joãozinho, Zezinho, Pedrinho e Luizinho. O Pedrinho e o Luizinho (da Mavi original) querem subir na lista de senioridade; então, o Pedrinho, que atua na área de treinamento, encaminha o Zezinho (que é um “velhote” que veio da Seyahat) para o Somun, devido a uma má avaliação que ele mesmo fez. No programa de reciclagem, como de hábito, o Zezinho não consegue atingir o padrão requerido (mesmo porque é o próprio Pedrinho que o avalia), e acaba demitido por “critérios técnicos”. Só que a empresa precisa de quatro pilotos, então é aberto um processo de seleção para contratar um novo aviador, que será o Carlinhos. E que, como o mais recente na empresa, entra no fim da fila de senioridade. Resultado final da operação: Pedrinho e Luizinho ficaram mais bem posicionados na lista, logo atrás do Joãozinho (o melhor da companhia) e com isso conseguem pilotar os aviões mais sofisticados, ascender a comando mais rapidamente, etc. Genial, não é?

O dano colateral, porém, é imenso. O Zezinho está acabado, ele adoece, enlouquece mesmo: é a tal da psicopatologia do trabalho. Lá naquele ultramarino reino desta fábula, há relatos de pilotos cometendo suicídio, inclusive – fato que é sempre acobertado como um “problema pessoal” do sujeito que se mata. Mas não é: é uma doença do trabalho, causada por um esquema sórdido de proteção de um grupo em detrimento de outro. Isso não é algo trivial, sem importância, uma “frescura”, enfim: tem gente morrendo, sofrendo, sendo destruída emocionalmente por causa disso. Espero que este relato atravesse oceanos e que as autoridades e os profissionais do reino onde fica a Mavi entendam a gravidade da questão.

Ainda bem que isso só acontece num reino muito, muito distante, e não no Brasil.

60 comments

  1. vai vendo...
    2 semanas ago

    Li todos os posts. Refleti sobre ambos lados. Cheguei a uma conclusão:
    O CLIMA NA MAVIZUL É EXCELENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  2. josé wilson
    2 semanas ago

    conheço uma vítima dessa fábula!!!

  3. Luis Kaiser
    2 semanas ago

    Se o critério para ser um ” excelent piloto” é programar FMS, vamos demitir todo mundo e treinar a gurizada formada em TI.

    Neguinho faz 250horas, pega um canudo de CA, e se acha melhor que muitos comandantes que deram a vida por sua carreira!

  4. Drausio
    2 semanas ago

    Essa discussão pública destruiu a credibilidade do procedimento de cheque e avaliação de proficiência técnica dos pilotos da Mavi. Se avaliações técnicas supostamente objetivas podem ter sido usadas para defender interesses espúrios ao promover a demissão indevida de tripulantes, essas mesmas avaliações podem ter sido usadas para manter indevidamente no emprego tripulantes tecnicamente incapazes. Qualquer evento relativo à segurança do transporte aéreo que ganhe espaço na mídia a partir de agora, especialmente se estiver relacionado à Mavi, criará na população a sensação de medo em relação aos tripulantes das empresas aéreas. Essa situação é inaceitável porque coloca em risco a credibilidade de toda uma indústria extremamente segura e confiável, que não merece ter a sua imagem vilipendiada por situações aberrantes como essa criada na Mavi.
    A única forma de recuperar a necessária credibilidade da avaliação e do treinamento técnico dos tripulantes é blindar esse treinamento dos muitos interesses em disputa no ambiente corporativo e no mercado de trabalho. Para tanto, sugiro a aprovação de lei que imponha a impossibilidade de demissão do tripulante pelo período de dez anos no caso de ele ser avaliado com deficiência técnica, ao mesmo tempo em que obrigue a empresa a afastá-lo de suas funções mantendo a remuneração líquida média do último ano. Assim, caso a empresa não se importe em abandonar seus tripulantes trancafiados no departamento de operações para que eles se digladiem em facções de modo análogo ao que ocorre nos presídios, a empresa, e somente ela, arcará com o prejuízo decorrente de tal omissão.
    Histórias como essa do Somun abalam a convicção até mesmo dos espíritos mais liberais. Se a mão invisível não impede esse tipo de atrocidade o negócio é meter as garras do Leviatã no coração dessas empresas e obrigá-las à civilidade na marra.

    • Dumont
      2 semanas ago

      Kkkkkkkkk. Essa foi ótima. Alguém tinha que quebrar o gelo uma hora…

    • ATRPilots
      2 semanas ago

      Sua ideia tem nosso apoio.

    • Ex-Seyahat
      2 semanas ago

      MEU DEUS!!! Como alguém pode propor algo assim??? Quer dizer então que, após aprovada essa tal lei, a melhor escolha seria deixar de estudar…. De duas uma: eu passaria em todas as revalidações porque a empresa não me avaliaria com deficiência de jeito nenhum ou eu ficaria pendurado por 10 anos com o mesmo salário após meu insucesso. Quanta lógica!!!!!

      Estudar e estar preparado faz parte da vida do aviador.

  5. RAIZ
    2 semanas ago

    Uma turminha da Mavi está acabando com a aviação daquele reino distante. … mal fazem idéia do que estão fazendo. … 200 hrs de voo e se acham os top guns…. 2500 hrs e estão na esquerda. … só Deus, mesmo.

    • vai vendo...
      2 semanas ago

      Exatamente…e se acham a solução dos problemas da aviação ….mal e mal sabem mexer no FMS…

  6. Fo190
    2 semanas ago

    Quanto mimimi. Sugiro aos demitidos, estudarem e correrem atras do prejuizo, ao inves de ficarem se lamentando. ecam to contigo nessa

    CHEGA DE VITIMISCO

    • Dumont
      2 semanas ago

      Fo190, a gente se encontra na fila do INSS…

    • ATRPilots
      2 semanas ago

      Ficou bravinho porque nao vai ter mais elevação lateral? Ta com medinho de ter que fazer circuito de trafego? Em breve o frances Louco Pra Kacete ta indo p Embraer. Quero ver se voce vai manter sua opiniao quando tiver que fazer um cheque com ele.

      • Dumont
        2 semanas ago

        Kkkkkk! Ninguém lembra disso, né…

  7. ECAM
    2 semanas ago

    Acredito que o Sr. tenha escutado apenas 1 lado dessa “fabula”…

    Em um sonho que tive a muito tempo, eu fazia parte do quadro de instrutores da tal empresa “Mavi”. E o que ocorria nas salas de aula e simuladores era bem diferente do que você fala.

    Pilotos, ditos “esforçados” por você, porém, sem saber programar um FMS, deixava isso sempre para o copiloto. Sem saber conceitos básicos como o que é V1 e o porque do callout V1-5.

    Vários comentários em salas de aula do tipo:

    “Isso é coisa de Boeingueiro!” (!?!?!?)
    “No simulador eu faço isso, mas na rota não, porque eu não sou burro!” (isso que é profissional hein!?!?)
    “Se um copiloto me manda arremeter e ameaça meter a mão no meu voo, eu já viro um tapa na cara dele!” (me recuso a chamar um cara desses de piloto)
    “Isso aí é muita alegoria pra pouco samba-enredo!” (comentário referente ao SOP que seria adotado.)
    “Deixa a gente assumir, que isso daí nós (Seyahat) vamos mudar!” (comentário feito aos procedimentos da Mavi)

    É essa é a atitude de um piloto que está vindo para uma “casa nova” deve ter!? É legal ter essa tamanha falta de respeito com os colegas de profissão!? Que aliás, ele nem conhece ainda, pois está entrando agora na “Mavi”!!
    Você colocaria a SUA família nas mãos de um cara que não sabe nem programar o FMS do avião que ele pilota a anos, e que diria que bateria no copiloto se este o mandasse arremeter!?!?

    E isso ninguém me contou! Eu vivenciei na pele. E se o cidadão entra em uma sala de aula/simulador, sabendo que vai ser avaliado, e tem essa atitude com o instrutor da nova empresa. O mínimo que vai rolar é relatório pra chefia. E eu mesmo escrevi no mínimo 3.

    A fabula poderia contar também a história da enorme maioria dos pilotos da Seyahat que, milagrosamente, se adaptaram a nova empresa, novo SOP e não tiveram problema nenhum no simulador. Alguns que estavam no ATR na Seyahat e depois foram direto voar o A330 na Mavi para EUA e Portugal. Ou seja, essa história de que os pilotos da Seyahat serem passados pra trás para não voarem o novo equipamento está equivocada. (pra dizer o mínimo)

    A fabula não conta, mas eu conto, que a esmagadora maioria dos pilotos da Seyahat adoraram finalmente ter bem definido no SOP e MGO os procedimentos a serem seguidos em diversas situações, não cobertas antes pelos manuais da Seyahat. Pois eles vinham falar em particular comigo após a instrução e esse foi um dos maiores comentários que eu ouvia. Além é claro de ter um Safety que, mesmo não sendo perfeito, funcionava milhões de vezes melhor do que o da Seyahat, que era praticamente inexistente, vide Oficio da ANAC sobre o status de segurança operacional da Seyahat que eu tenho aqui comigo!

    A grande maioria dos pilotos da Seyahat sempre teve uma ótima atitude e desempenho nos treinamentos e a chefia fez de tudo para que o grupo se unisse com o mínimo de atrito. Mudou inclusive o crachá de todos os funcionários. E pintou um avião E195 para tentar ajudar. Porém sempre tem babacas que gostam de “tumultuar” e isso os dois grupos são culpados!!!

    Esses que eu descrevi com problemas técnicos e de atitude, felizmente, foram uma minoria. Uma minoria que, ou se adaptou, estudou e mudou de atitude, ou não tem condições de trabalhar em uma empresa aérea. E a Mavi sempre deu muitas chances!!! Na empresa que eu trabalho hoje eu não teria 1/3 das chances que a Mavi me dava.

    Aconselho e se informar mais sobre o que realmente acontece. E procurar ouvir o outro lado também, e não contar apenas um lado das “fabulas”.

    • Raul Marinho
      2 semanas ago

      Ótimo comentário, ECAM! Não devido do que vc sonhou, mas eu também sonhei com duas fichas de avaliação de um piloto com poucos meses de diferença, feitas pelo mesmo checador, com rasgados elogios na 1a e reprovando na 2a…

      • ECAM
        2 semanas ago

        Acontece ué…. A vida de piloto é assim. A cada 6 meses/1ano sempre tem o recheque e se você não se prepara reprova mesmo. E pode ser sim com o mesmo checador, não vejo absurdo nisso não. Eu não sei o que aconteceu no simulador nem pra julgar o aluno nem o checador. Mas o que sei é que o recheque é uma das consequências da profissão que o cidadão escolhe. Se não estiver proficiente e estudado, reprova! Antes o instrutor/checador pegar um erro e interromper a sequencia de eventos, do que deixar passar e ocorrer coisa pior em um avião cheio de passageiros.

    • vai vendo...
      2 semanas ago

      ECAM
      Perfeito teu comentário.
      Parabéns.

      • Marcelo Rates Quaranta
        2 semanas ago

        ECAM, entendo o que você diz, mas por outro lado, também já vi muita “deficiência” encomendada simplesmente porque alguém acima não gostava dos caras.

        • Dumont
          2 semanas ago

          Pois é Rates, você já viu, mas muita gente não consegue enxergar um palmo à frente do nariz e ESSE é o problema PRINCIPAL na Mavi.

    • Dumont
      2 semanas ago

      Caro Sr. ECAM, os casos citados pelo Sr. são caricaturescos de uma minoria absoluta que não pode jamais ser considerada como “exemplo” ou “outro lado da fábula”. É bastante sabido na aviação histórica desse e de outros países que atitudes de “pilotos” como a que o Sr. citou são frequentemente tratadas através de uma seleção natural do próprio meio (tipo “o sujeito se enforca sozinho”, “boca fechada não entra mosca”, “aqui se faz, aqui se paga”). É o que tenho visto acontecer inexoravelmente há mais de trinta anos nessa lida, e é incrível como essa “seleção” é eficiente, afinal todos sabem os nomes dos öküz (bois).

      Aliás, por falar em öküz, acho que pouca coisa mudou, as mesmas politicagens continuam acontecendo desavergonhadamente e não há como tapar o sol com a peneira, pois são muito obvias. Só não se tomam atitudes mais drásticas porque, embora muito óbvio, é impossível coletar documentos para provar. Enquanto isso, uma atitude conivente e criminosa da agência reguladora, em conluio com todos os ex-integrantes da Güney espalhados nos quatro cantos do mundo, continuam. Mas ações na justiça trabalhista tem acontecido e logicamente continuarão.

      E em relação às alegorias de SOP, elas continuam acontecendo, devo informá-lo, já que parece que o Sr. não faz mais parte da Mavi (se era tão bom, por que saiu?) Inclusive com a edição contínua desse importante documento através de edição de boletins intermináveis. Espirrou? Boletim. Balançou? Boletim. Dúvida? Boletim. Fabricante do Jato pestanejou? Boletim. Fabricante do turbo-hélice em dúvida? Boletim. FAA ou EASA comentaram algo? Boletim. E, assim, a preocupação de confeccionar um SOP decente e realmente útil fica prejudicada, inclusive com a sua leitura e memorização, já que ele atualmente é uma colcha de retalhos enfeitada por toda essa panacéia de documentos-de-isenção-de-responsabilidade emitidos pela Mavi. E a segurança de voo, que deveria ser a preocupação número uno de todos dentro da empresa, do faxineiro da UniMavi até o presidente da empresa fica completamente ameaçada, já que é virtualmente impossível para um ser humano qualquer memorizar tudo que se “publica” eletronicamente ou não. Aquilo lá, eles (da Seyahat) não conseguiram mudar porque “fritaram lentamente em óleo morno” todos os excelentes e vividos profissionais sérios e dedicados da Seyahat. No entanto, exaltam em verso e prosa todos os babacas que inventam um site novo pra pedir uniforme ou informar desejos de escala/folga, que frequentemente não funcionam (o que para eles não importa)

      E ao se falar em publicações, não se pode deixar de verificar que o nível qualitativo da instrução da UniMavi é, na melhor das avaliações, sofrível e negligente. Panes em simulador, provas teóricas cujo tema não foi abordado em aula, material audio-visual inexistente e falta de suporte andragógico são recorrentes (embora bastante convenientes para aplicar o Somun…). Sem contar que, uma vez que TODO o material é eletrônico, o depto. de TI da Mavi deveria ser exemplar e de grande eficiência, mas todos sabem que o TI é ridículo e deixa seus comandantes (na mais ampla acepção do termo) completamente “órfãos” quando precisam de um simples METAR ou qualquer documento técnico elementar.

      Pois é Sr. ECAM, rezo para não acontecer um acidente, porque aí, além da tragédia social e pessoal da perda de pessoas honradas, certamente haverá uma inevitável fustigação pela imprensa e justiça federal dos porquês que levaram à tragédia. E certamente vão lançar um olhar muito severo e crítico em tudo que se fala nas redes sociais, inclusive aqui. Duvida? É só olhar para trás e ver que continuam insistindo em cometer os mesmos erros. Na ânsia de fazer uma coisa muito “moderna”, acabam tentando reinventar a roda e, assim, os mais antigos não podem falar outra coisa a não ser: “já assisti esse filme…”

    • ATRPilots
      2 semanas ago

      ECAM, voce parece um cara inteligente e razoavel. Podemos perceber que você, assim como nós, é um insider desse (sonho pra alguns, pesadelo para outros). E o seu comentario, apesar de ter viés, nao contem inverdades. E vamos te dar credito por isso.

      De fato, havia (e há até hoje) comportamentos indesejados em sala de aula e no simulador. Nada justifica este tipo de comportamento e de comentario. Poderíamos ate entrar numa discussao se este tipo de comportamento, num momento de compra da Seyahat pela Mavi, nao era uma forma do pessoal da Seyahat extravasar o medo do que estava por vir, no que diz respeito a manter o emprego. Mas nao somos psicologos e, alem disso, nada justifica um cara ser agressivo com o instrutor ou nao se preparar. Você esta 100% certo quando diz que um cara desse nao tem q estar voando na aviacao comercial.

      Dito isso, podemos sair de 2013/2014, viver 3 anos, e chegar em 2016/2017? O Raul deu o lado dele na historia, você deu o seu. Que tal, agora, ouvir o “famoso” terceiro lado?

      Antes de começar, e não que seja relevante para a discussao, mas você voou ATR? Se nao tiver voado, nao sabe como é nossa relacao com treinamento e chefia, e conhece pouco o cenario da operacao. Pousar com E190 em sinop, coisa q um piloto do Embraer faz 1X por ano, o piloto do ATR faz operacao com risco similar uma vez por mes. Mas nosso grupo nao quer entrar na seara de 190 X ATR e nem de seyahat X mavi. Vamos aos fatos:

      Sobre o safety da Azul que voce diz funcionar, voce sabia que nos ultimos 3 meses houve 3 monomotores em ATR? 2 por pane e 1 por baixa indicacao de oleo, que poderia se tornar pane. Basta pesquisar no google.
      Novembro em ipatinga
      Dezembro num translado POS manutencao PLU CNF
      Janeiro aracaju
      E sabe qual foi a providencia tomada pelo safety junto aos pilotos? Nenhuma. nem mesmo um email de “estamos monitorando”. Alias, o mecanismo de comunicacao do safety da Mavi agora se chama PD/PU, um grupo de whatsapp. Mesmo grupo em que a poucos meses um piloto chamou o chefe de equipamento de mentiroso (detalhe que o chefe esta no grupo). Sinal dos novos tempos. Mas a chefia de equipamento e o safety so sao fracos, eles nao sao mau-intencionados.

      E o post do Raul é sobre o Somun, sobre gente mau intencionada. E é sobre isso que queremos falar e é isso que nosso grupo, ATRPilots, vai brigar. De novo ECAM, tens razao ao se queixar sobre pilotos ruins ou que nao estudam. Mas como disse um outro leitor, desses a seleçao natural cuida. Concordamos com voce que esses tem que ir pro somun, e que da medo botar a familia dentro. Vamos falar do treinamento, nao em 13/14, mas hoje.

      Se no seu sonho voce foi instrutor na Mavi, talvez em seu sonho voce tenha conhecido um frances, Louco Pra Kacete, que hoje é chefe de ensino no ATR. Infelizmente, nós (ainda) nao temos os dados para 2016. Aparentemente trabalhar na Unimavi da cancer. Mas nos temos os dados para 2015, e sabe o que esses DADOS (em maiusculo mesmo, reforçando que nao e boato) nos dizem?

      Que em 2015 esse cara reprovou 35% dos pilotos que passaram na mao dele em missao de simulador. 35%! Voce acha isso razoavel? Qual é a media em outros equipamentos e empresas? E no proprio ATR da Mavi, qual é a média de outros instrutores de simulador? Pelo que consta, 1/3 disso.

      Como é possivel co-pilotos do ATR nao passarem em entrevista tecnica de elevacao de nivel, para voar ATR, e co-pilotos do 190 e 330 passarem, todos para voarem ATR? Voce pode ir pela justificativa obvia de que os co-pilotos do ATR sao piores, estudam menos e etc do que seus pares do 330 e 190. Entretanto, vai ver quem é que aplica a prova de elevacao no ATR? The same troublemaker que reprova 1/3 dos que ele avalia no simulador. 1/3!!! Alguem ai com mais tempo de aviacao conhece no mundo um chefe de treinamento que julga 1/3 de seus alunos como incompetentes? Meio estranho, nao? O cara dá treinamento, mas 1/3 da amostra de quem ele da treinamento ele reprova. Meio estranho tambem que os outros instrutores reprovem 1/8, nao? Entao o chefe de instrucao discorda do padrao de avaliacao de seus subordinados? Puts, q perigo! Vamos comecar a reprovar 1/3 dos pilotos de todos os equipamentos e ver quem sobra?
      E a chefia de pilotos e equipamento acha isso normal, razoavel. Acha normal checadores, instrutores de rota e pilotos que voam o aviao ha seculos, com excelentes fichas e “files”, de repente serem execrados.

      ECAM, diga-nos uma coisa? Voce acha q as tecnicas de avaliacao sao balela? Sabe, os erros de avaliacao (halo, media, padrao)? Acha isso bobagem? No seu sonho, quando era instrutor, voce achava que seus alunos eram obrigados a saber detalhes? Voce era pago e tinha tempo alocado para estudo, privilegio que quem ta na rota nao tem. Voce reprovava alguem por desconhecer detalhes, ou ate mesmo por ter uma ou outra deficiencia menos grave? Achamos que voce nao reprovava. Assim como as estatisticas mostram que a maioria dos outros instrutores do ATR nao reprovam por bobagem1/3 dos seus avaliados.

      Mas agora chega de sofrer em silencio! Nós vamos dar o grito! Já estamos, silenciosamente, dando o grito. Esse post do Raul veio em muito boa hora. E agora com o IPO, nos vamos recorrer a quem for preciso para acabar com essa sacanagem! Presidencia, conselho, comites de etica e opiniao publica. Se nada for feito vai todo mundo ficar sabendo. O Somun pode acabar de acabar com a gente, mas se for pra perder a guerra (e o emprego), vamos perder brigando. Nos nao estamos brigando p reverter o bypass, pra aumentar salario, por nada. So pelo fim do medo de sair do simulador demitido.

      • Dumont
        2 semanas ago

        É isso, ATRPilots. Eu vou cair atirando. Não terei nada a perder…

      • ECAM
        2 semanas ago

        Bom…. Vamos por partes.

        O que eu disse sobre safety da Mavi, era que ele não era perfeito, porem funcionava melhor do que da Seyahat.
        Fiquei imensamente bravo quando sacanearam na Mavi o antigo chefe do safety, que a meu ver, era bem melhor do que o que assumiu. (não sei se continua o mesmo). Mas a Mavi sempre foi assim de não divulgar nada sobre o safety, na minha época tentávamos e falávamos sobre ter um canal mais aberto mas não teve jeito.

        Não. Não participei do grupo do ATR e não conheço quem assumiu o treinamento do mesmo. Conheci o antigo chefe do treinamento. Mas esse não. Realmente tens razão! Não sei da relação do grupo do ATR com a chefia. Por isso não vou julgar nem os pilotos, nem a chefia. Pois eu não sei o que rola em sala de aula/simulador para opinar sobre o porque das supostas (desculpe, mas não tenho dados para confirmar esses seus números) reprovações excessivas. Nunca vi nenhum file de ninguém e não sei o que foi feito em rota para eles serem “execrados” como você disse. Não posso formar opinião sobre o que rolava no ATR. No ERJ sim!!!

        Comentando sobre se já reprovei pessoas. Sim. Já reprovei! E particularmente acredito ser a pior coisa para um instrutor, pois eu sentia que eu havia “falhado” em ensinar. Porém, como já falei anteriormente, alguns não querem ter instrução, mas sim, querem jogar pedra no instrutor. Aí fica difícil. E, apesar de sempre avaliar de maneira imparcial, eu não tinha nenhuma dó quando via um cidadão desses tomar pau.

        Não sei quais as perguntas técnicas que são feitas para a elevação de nível. Assim como não sei as respostas que cada um deu. Então, mais uma vez, prefiro não comentar. Nunca fiz avaliação técnica de ninguém do ATR então não posso opinar sobre suas qualidades, porém ja dei treinamento para quem saiu do ATR e foi para o ERJ. Sem problema nenhum nesse aspecto! Aliás sempre foi um ambiente muito bom!

        O que seria uma “bobagem”? Difícil dizer se reprovaria. O que pode ser bobagem pra um, pode não ser para o outro. Complicado!

        Que bom que vocês estão se organizando em um grupo! Pra mim sempre foi uma das maiores criticas a Mavi. Que o grupo era muito desunido. E pra falar em bom português, frouxo! Desejo muito mesmo que atinjam seus objetivos.

        Quanto a tempo de estudo, desculpe. Mas só não estuda quem não quer! Hoje estou em outra empresa, que exige muitíssimo mais. E tenho família pra cuidar, porém sempre arranjei um tempo para os estudos.

        Não sai da Mavi por causa do SOP, como sugeriu o outro colega. Aliás, tem que ser muito babaca para sair de uma empresa por causa de “alegorias” no SOP, seja lá o que isso significa. Sai da Mavi, por motivos pessoais, e também por não concordar com algumas das políticas da Mavi. Mas que nada tem a ver com essa discussão.

        Bypass está no DNA da Mavi. Desculpe, mas isso vcs nunca vão mudar! O primeiro grupo do 330 foi pra lá com a promessa de serem todos elevados no jato, porém agora todos estão sendo elevados no ATR. Isso é bypass!? Pra mim é injustiça, pois o que foi prometido foi outra coisa. Aliás, uma das coisas que nunca gostei da Mavi foi o fato deles mudarem o plano de carreira a cada 18 meses (mais ou menos). Então, não adianta dar murro em ponta de faca! Isso vcs nunca vão mudar. Desculpe a sinceridade! Eles sempre vão dar a desculpa da “necessidade da empresa”.

        Meu conselho, briguem pelas coisas que vocês podem mudar. Agora, para as coisas que não podem!? É o que tem pra hoje! Ou faça igual eu, vá procurar “novos desafios”, como a Mavi fala quando alguém vaza da empresa.

        • Dumont
          2 semanas ago

          Babaquice é esquecer o seu próprio comentário, que citava um piloto que dizia “Isso aí é muita alegoria pra pouco samba-enredo!”. Foi V.Sa. quem citou isso, não eu. Aliás, não saber o que isso significa, pelo teor de seu texto, não me surpreende nem um pouco, mas tenho certeza que uma verdadeira legião de colegas da Mavi, da Seyahat, da Amaç, da Pirinç sabem muito bem do que se trata.

          NUNCA teria cometido a tolice de dizer que V.Sa. saiu da Mavi por causa de SOP (é só dar uma olhadinha aí em cima), mas continuo achando muito triste e enfadonho ter que ler toda essa bajulação à Mavi e estar voando em outra, mesmo alegando que o ambiente atual é mais difícil. É o outro lado do “mimimi” que vosso fiel seguidor citou em um comentário anterior.

          Mas o pior é isso: V.Sa. voou na Mavi em um equipamento, e teve 0 (zero) interesse e acesso à informações sobre o que acontecia no outro, mas julga a qualidade da instrução e da empresa como um todo (incluindo seu pífio depto de safety atual) e desfia desairosos comentários sobre a Seyahat sem ter sequer operado nela. Voei em ambas (e em outras), conversei com todos sem limitações de suscetibilidades e cheguei às minhas conclusões EM COMUNHÃO COM OS MEUS COLEGAS, nunca isoladamente! E jamais sofri pressão ou qualquer “forçação de barra” nas anteriores. Nem fui “incentivado” por aquelas a preencher Safety Reports sobre as concorrentes.

          O fato de V.Sa. dizer que nunca viu não significa que abusos e “encomendas” não existem/existiram. Creio que, na realidade, muito pouca coisa mudou na aviação desse reino distante: as mesmas sacanagens de outrora são repetidas sem escrúpulos por quem deveria tê-lo em mínima quantidade para se vestir de “chefe” ou “instrutor/checador” do que quer que seja.

          E antes que eu me esqueça, o proprietário da Mavi ou de qualquer outra empresa 121 deste reino estão pouco se lixando para escrúpulos ou planos de carreira e instrução, mas em IPOs, acionistas, dividendos, etc. Mas não acreditar que é possível mudar esse estado de coisas é equivalente a não acreditar em coisa alguma.

          • ECAM
            2 semanas ago

            1 – Não esqueci meu comentário, eu não dei nenhum exemplo das tais “alegorias”, nem mesmo citei nenhum procedimento especifico. E pergunto então: O que são “alegorias” no SOP? É algo que mexe com a segurança? É algo que mexe com o conforto do pax? É algo que um piloto não quer fazer porque julga desnecessário? Ou é preguiça de seguir o que está escrito no manual? Algo que todo piloto é contratado para fazer! Se não for corpo mole e julgar que mexe com a segurança. Manda e-mail para Engenharia de Operações, tem o endereço nas primeiras páginas do SOP do ERJ.

            2 – Não bajulei a Mavi, apenas disse a realidade que eu vivi, sem achismos, ou o “disse-que-me-disse” Inclusive citei algumas coisas que não gostava na Mavi. Cito outra: Salário. Qual o problema de falar a realidade que vivi mesmo não estando mais nela!? Tenho amigos aí e me preocupo com eles, ou seja, em contra-partida me preocupo com o rumo da empresa.

            3 – Eu não me importo em “estar do outro lado”, em outro ambiente que me cobre mais. Sabe porque? Porque eu estudo! Eu não fico chamando procedimentos da empresa de “alegorias”! Eu faço o meu trabalho! E se achar alguma coisa errada, eu faço relatório, Safety Report, etc. É simples.

            4 – Aonde eu julguei o treinamento da Mavi “como um todo”? O treinamento do ERJ, no período que eu estava lá sim eu julgo. Agora, relativo ao treinamento do ATR, o que fiz foi simplesmente dar a dadiva da duvida. Me perguntei: “Será que foi isso mesmo?” Seria muito errado e anti-ético de minha parte julgar algum instrutor ou aluno sem saber o que ocorreu no simulador/sala de aula. E pelo que entendi o que o ATRPilots disse, os casos de reprovação ocorreram depois de eu ter saído da UniMavi, e provavelmente da Mavi por completo. Então não é que eu “tive zero interesse” em saber o que ocorria lá. É que simplesmente eles não ocorreram enquanto estive próximo ao setor, e talvez nem na empresa. E meus amigos do ATR nunca comentaram nada a respeito comigo. Estou sabendo lendo estas mensagens aqui.

            5 – Vou bater pela terceira vez nessa tecla. Eu nunca disse que o safety da Mavi era uma maravilha. O que disse foi que era SIM MILHÕES de vezes melhor do que o da Seyahat. E tenho um Oficio da ANAC sobre o status de segurança operacional da Seyahat, que fala muito bem o que rolava por lá. Repito: Safety da Mavi não é uma maravilha, mas é muitíssimo melhor do que era na Seyahat.

            6 – Eu também na Mavi nunca sofri pressão para fazer safety report de concorrente. Eu era cobrado a fazer sobre o que via de errado e eu fiz algumas vezes. Afinal é pra isso que serve o safety report.

            7 – Concordo que o proprietário da Mavi ou de qualquer outra empresa 121 estão pouco se lixando para escrúpulos ou planos de carreira. Por isso sai, e falo pra todo mundo que pensa em sair: SAIA! Não acho errado ter esperanças em mudar a Mavi, mas eu julgava que para mim e minha família valia muito mais a pena ir pra outra, do que esperar bondade da chefia. E valeu!

            • Dumont
              2 semanas ago

              1) Se V.Sa. citou de forma crítica as tais alegorias é porque tem uma certa idéia do que elas sejam. Mas para não haver dúvidas: encha um documento com inúmeras ações operacionais que só visam a isenção jurídica da empresa (“tá escrito, tem que fazer”), mas sem qualquer amparo da comunidade aeronáutica (Comandantes e 1oOficiais da Mavi, das outras e da fábrica) sobre a viabilidade técnica-operacional em cumpri-las. Meia dúzia de chefetes se reúnem (ou não) e decidem unilateralmente. “Nihil obstat”, “Imprimatur”. Na realidade, é MUITO MAIS FÁCIL fazer o que está escrito, mas depois de anos, eles se tocam porque todo mundo reclama dos erros crassos contidos no documento (aprovado pela ANAC!!!!!) e daí chamam os chefetes de novo e lançam outra edição (com outros erros e incongruências). Se V.Sa. entendeu ou não, o problema NÃO é meu. Como disse, a comunidade toda entende. Estou esperando há meses o safety se dignar a dar uma resposta simples aos meus relatórios do tipo “estamos analisando”. Nada. Não interessa e demonstram isso. Algumas análises de incidentes com controle de tráfego aéreo resultaram em meros panos quentes do tipo “o setor responsável respondeu isso” e fim de papo. Não se envolvem. Agem como meros intermediários, independente da gravidade dos casos (quase colisões, no meu caso). Na Seyahat NÃO era assim…

              2) Salário está aparecendo AGORA na sua pauta. OK, concordo, é um problema, já que a Mavi oferece, provavelmente o PIOR salário do mundo para todos os seus equipamentos. Também me preocupo com os amigos da Mavi, mas me preocupo com todos os meus amigos que estão em todos os lugares, afinal de contas, como se diz por aí, só muda o CNPJ e a razão social – o resto é igual…

              3) Estudo faz parte do ambiente técnico de qualquer atividade. Mas o ambiente TEM que ser propício, sem as famosas “encomendas”, e dotado de princípios de gestão andragógicos. Se V.Sa. fez CRM (eu fiz uns oito, os piores – quase nulos – foram os da Mavi) deve saber o que é andragogia. Está bem claro para nós que a Mavi não se interessa por isso.

              4) ” meus amigos do ATR nunca comentaram nada a respeito comigo”. Então agora V.Sa. sabe, mas tem que acreditar no que se diz hoje porque não há motivos para a SUA descrença, e não se pode simplesmente chamar à todos de preguiçosos e bradar “ESTUDEM!”. Essa não é a carência entre pessoas que SEMPRE o fizeram e até escreveram livros e manuais das outras empresas, mas foram reprovados hoje no Somun e V.Sa. acha isso “normal”, sem se preocupar em fornecer a dádiva da dúvida sobre a qualidade do ambiente descrito no item 1 e 3, acima.

              5) A ANAC está bem afundada em propinas e escândalos, como muito bem abordado pela mídia. Foi alvo de programa jornalístico especial de três dias na Band, inclusive. O tal “ofício da ANAC que falava muito bem o que rolava lá” (mas que V.Sa. não nos conta) é bem típico da concorrência feroz e desleal entre Mavi e Seyahat, pré-“fusão”. Na realidade, no ambiente pós-“fusão” todo mundo se fez de muito “simpático e afável”, mas na realidade, no mês anterior um queria que o outro morresse cheio de bereba.

              6) As encomendas de safety reports podem não ter sido solictadas à V.Sa., mas não significa que não ocorreram. Isso está intimamente ligado ao item 5) acima e sempre existiu na história da aviação deste reino.

              7) Sair da empresa foi sua decisão? Ótimo… para V.Sa! Quem em sã consciência decidiu mudar de empresa (de aviação) nos últimos 20 anos? Há grandes oportunidades virando a esquina? Cremos que não… Desta forma, aquela velha ladainha do tipo “não tá contente, pede as contas” é ridícula e irresponsável, principalmente para um chefe de família (aliás esse é tema recorrente na formação de instrutores/checadores: “você reprovaria aluno com responsabilidades sociais e familiares?”).

              Como eu também sei que não tem bondade de chefia alguma, é lógico que eu, se não vou conseguir outro emprego, também não vou ser bonzinho. Ouvia muito quando voei na Eşekarısı que se eu reclamasse muito iria acabar sendo despedido. Ora bolas, fiquei quieto, a firma faliu, me deixou em péssimas condições e perdi a oportunidade de falar o que pensava. Adiantou?

              Valeu também. Não tenho a menor idéia de quem és, mas tenho o mais profundo respeito à V.Sa. Obrigado pelo “rally” de palavras: tive a oportunidade de expor o que penso.

  8. Já vi esse filme
    2 semanas ago

    Incrível como o tempo passa e as fábulas se repetem. Era uma vez, escutei uma história parecida. Havia uma empresa chamada Neosvi, e estava em franco crescimento. Como pertencia ao grupo da Guney, foi abocanhada durante o início de sua crise falimentar. Como a Guney estava devolvendo muitos aviões, havia algum tempo que não promovia seus copilotos. Então decidiu rebaixar os comandantes da Neosvi e promover os seus. Coincidência ou não, os copilotos da Guney beneficiados eram, na maioria, filhos dos antigos e poderosos comandantes da empresa mãe.Como rebaixamento de cargo e salário é proibido no Brasil, a justiça bloqueiou o rebaixamento. A solução ? A Guney manteve os comandantes da Neosvi em casa, recebendo salarios, mas sem escala. Empresa rica é assim.

  9. Cleber Santana
    2 semanas ago

    Bom pra quem gosta de acreditar em teorias de conspiracao…

    • Raul Marinho
      2 semanas ago

      Como assim, “teoria da conspiração”!? É uma fábula!

  10. Trigueiros
    2 semanas ago

    Vi um aviador com 60 anos, 40 de aviação, 20 como master de wide body, (enfim, sem experiência alguma!) ser humilhado e com isso demitido, por um outro aviador muito mais novo mas ue era bom com computadores. Em uma rscente seleção para voar na China alguns pilotos(todos novinhos) não seguraram um mono na decolagem. Experiência só com o tempo, mas humildade e educação é desde quando nasce, e vem de casa.

    • Quick Disconnect
      2 semanas ago

      Também vi “aviador” com trocentos anos de experiência derrubar avião sem falhas. Era completamente incapaz de voar um avião manualmente, mesmo com o auxílio do F/D (tecnologia existente desde sua entrada na linha aérea).

      • Dumont
        2 semanas ago

        Também vi pobres aviadores com trocentos anos de experiência derrubarem aviões sem falhas e até hoje não descobrem o porquê e não dão a mínima em descobrir os motivos. Alguns eram completamente incapazes de voar um avião manualmente, porque o auxílio do F/D (tecnologia com que muitos deles contribuiram para sua introdução na linha aérea) foi completamente desvirtuado em princípios, LOTANDO um PFD com trocentas toneladas de informação poluente (assim como os SOPs). É como dizia o grande biólogo Edward Osborne Wilson: “We are drowning in information, while starving for wisdom”.

  11. ATRPilots
    2 semanas ago

    Raul, parabéns pelo artigo. Genial, e reproduz muito bem o que ainda ocorre. Inclusive no que diz respeito a existencia de pilotos que, de fato, apresentavam deficiencias tecnicas. E gracas a Deus, nem todos os instrutores de simulador da Mavi compartilham destas praticas. Alem disso, alguns pilotos da Mavi foram e ainda sao vitimas do Somun.

    O curioso Raul, é q o timing deste post nao poderia ser melhor: um grupo de pilotos da Mavi, composto por comandantes e co-pilotos da antiga Mavi e da Seyahat falecida está comecando a se mobilizar quanto aqueles que praticam o Somun. Provavelmente a comunidade aeronáutica vai saber mais sobre isso em breve, mas saber q este assunto ja transcendeu os corredores e cabines da Mavi é um alento. Agradecemos pelo post e vamos divulgá-lo. Gostariamos muito de ter espaco no seu blog para escrevermos mais sobre esta fabula, dividindo dados verdadeiros sobre o Somun.

    E os colegas que estão, assim como nós, aflitos com o que tem ocorrido: ja que corremos o risco de perder nosso emprego, nós não vamos deixar barato. O conterrâneo de Napoleao, Louco Pra Kacete, já está em nossa mira, assim como estao seus asseclas. E eles Podem anotar: nos nao vamos medir esforços para devolver a voces o terror que voces tem causado em seus colegas de trabalho! Chega de nos dar mal em silêncio. Você, aeronauta da Mavi, que quer cuidar da SUA carreira para prover sustento para a SUA família, pode ajudar desde ja divulgando este post.

    Para o Mongoloide que acha anti-etico falar sobre suicidio nas relações profissionais, o Raul ja deu uma resposta a altura, mas para nao deixar barato: vide no japao, onde a maior causa de suicidio é o trabalho.
    Marcos Aluar, seu nome nao esta na lista de senioridade da Mavi. Qual é o seu interesse em defender o Somun? Conta aí!

    • Quick Disconnect
      2 semanas ago

      Conterrâneo de Napoleão só no sobrenome, o rapazinho em questão nasceu em Belém do Pará!

  12. Antônio Marcelo de Oliveira Bona.
    2 semanas ago

    Me vi no meio do “Somun”vendo a concretização dessa fábula em verdadeira estória de terror ocorrida num “celeste” céu interiorano!
    Dizem que quando nos silenciamos, passamos a ajudar que a maldade prospere assim como os interesses maldosos……Pior é que tudo continua como dantes no castelo de Abrantes e o baile vai seguindo……com ajuda de certos órgãos reguladores que teimam em querer dizer que não se mentem em questões trabalhista!

    Parabéns meu amigo por retratar magnificamente estes desmandos!

  13. Beto Arcaro
    2 semanas ago

    Texto fantástico!
    Como o PSP tem que ser, e sempre foi !
    É ridículo não acreditar na existência dessa situação.
    É hipocrita !
    A sabotagem existe até em Departamentos de Aviação Executiva (digo por experiência própria).
    Procurem argumentos “reais” se quiserem retrucar.

  14. Zé Maria
    2 semanas ago

    Complementando o Raul, interessante notar que a imensa maioria daqueles que hoje dão as cartas, ditam as regras e tocam o terror nessa tal de “Mavi”, é refugo das “majors” desse tal reino, ou então “cheira-leite” recém formado por alguma dessas “faculdades de ciências aeronáuticas” que pipocam em cada esquina desse malfadado lugar. . .
    Em resumo, todos uns recalcados!

  15. Zé Maria
    2 semanas ago

    Aplaudindo de pé, Raul!
    Todavia, não me causa surpresa esse tipo de postura desse pessoal que habita esse reino, já vi esse filme passar em reinos muito mais próximos, praticamente vizinhos do nosso pobre Brasil.

  16. Rubem Alves
    2 semanas ago

    Parabéns Raul, não sou da área, ainda, mas ficou muito bem entendido onde fica esse ‘reino de uma terra distante” . Infelizmente há muito preconceito com pessoas que atingem uma certa idade, que, pelos olhos do mercado, “não servem.mais” é um absurdo esse tratamento a quem tem muito a cooperar.

  17. Biel2212
    2 semanas ago

    Um dos melhores, senão o melhor, artigo que já li nos últimos tempos.
    Um “conto imaginário” que não permite retaliações de qualquer âmbito, ora…é imaginário …
    Porém traduz com uma fidelidade sem precedentes oque há tempos vem ocorrendo nos bastidores da certa aviação civil …e quem passou ou passa por isso, sabe muito bem do que estou falando….
    Oque mais me impressiona mas não me surpreende, é o silêncio obscuro que me envolve esse cenário…

  18. Flyover
    2 semanas ago

    Raul, parabéns pelo artigo. Irretocável. É exatamente o panorama vivido. Da fábula para a realidade. Faltou falar que alguns pilotos tb da antiga empresa que foi englobada fazem parte da canalhice, ajudando a demitirem os seus então pares na antiga empresa. Essa fábula é exatamente o que está acontecendo hoje. O tal Marcos Aluar deve sim, ser amigo dos checadores ou um deles. Ignorante e tendencioso no comentário infeliz. Esperamos todos que essa fase tenebrosa passe e que todos os pilotos dessa empresa ilusão possam voltar ao mercado de trabalho em nova oportunidade com justiça e transparecia nos procedimentos hj tão coontaminados

  19. Zerinhos
    2 semanas ago

    Falar em suicidio e colocar como motivo de trabalho, anti ético demais. Vergonhoso

    • Raul Marinho
      2 semanas ago

      É mesmo? Por que você não denuncia o autor deste livro para a comissão de ética do Conselho de Psicologia –
      Olha só o absurdo do que ele trata:

      O livro propõe uma discussão a partir dos seguintes questionamentos – Por que o trabalho leva alguns de nós ao suicídio? O que significam esses atos, que mensagem é endereçada para os que ficam? O que ocorreu no mundo do trabalho para que suicídios sejam perpetrados nos locais de trabalho? Quais eram as proteções que permitiam anteriormente conjurar este flagelo? O que fazer após um suicídio? Que tipo de investigação é apropriada para a elucidação das etapas do processo que conduz à morte? Quais são as transformações da organização do trabalho que podem ser vislumbradas para reconstruir o tecido social e as solidariedades sem os quais não é possível a prevenção do suicídio?

      Ah, e o que vc acha, do ponto de vista ético, de um colega de trabalho que provoca a demissão de quem está na sua frente na lista de senioridade, para que consiga uma promoção mais veloz? Isso é tranquilo, né?

    • Dumont
      2 semanas ago

      Anti-ético é a empresa fazer corpo mole e fingir que não é com ela… e vergonhoso é o seu comentário!

    • Bogus
      2 semanas ago

      Lhe convido a conhecer então o caso da France Telecom, no qual a empresa foi processada por assédio moral por conta de uma onda de suicidios em consequência de uma “reestruturação” interna: http://br.rfi.fr/franca/20160707-apos-suicidio-de-60-funcionarios-empresa-francesa-e-processada-por-assedio-moral

      Num país em que as pessoas são respeitadas e as relações de trabalho são humanas por força de lei, achar que um suicida não pode ser levado ao extremo pelo seu contexto de trabalho e reduzi-lo a um “fraco”, isso sim, é vergonhoso e anti-ético demais. Mas enquanto isso, no “reino de uma terra distante”, a peleguice aparenta imperar…

  20. frederico
    2 semanas ago

    Gostei muito dessa fábula. Vivi isso em uma das empresas do Brasil. Existe e continua existir muita canalhice no meio aeronáutico so que invés de deixar I ombro cair, baixar a cabeça e ou suicidar fui procurar outro país, e comecei de novo e muito feliz graças a Deus.

  21. Orlando Esteves
    2 semanas ago

    Talvez o Sr Marcos Aluar seja amigo de algum destes instrutores ou mesmo um deles lá deste distante reino imaginário! E confrontado com a canalhice e o mau carater que é tenha se rebelado contra o espelho culpando o mesmo da imagem que vê!

  22. Marco Mazzei
    2 semanas ago

    Marcos Aluar, você é checador em alguma empresa?

  23. Beto Arcaro
    2 semanas ago

    Tenho amigos que….
    Enfim, a negação do fato é tapar o sol com a peneira.

  24. vai vendo...
    2 semanas ago

    Esta história refere-se a qual dos acontecimentos no Brasil?
    A Varig fez com a Cruzeiro e com a Rio Sul, a Gol fez o mesmo com a WebJet, a Azul fez com a Trip e a Lan fará com a Tam… filme antigo.

    • Raul Marinho
      2 semanas ago

      Trata-se de uma fábula… Se vc quiser fazer um paralelo com alguma dessas histórias, é por sua conta.

    • Ark Pilot
      2 semanas ago

      Caro Vai Vendo, você está MUITO mal informado. Sou ex-Varig/Cruzeiro e atualmente voando no exterior. A Varig não demitiu nenhum ex-Cruzeiro por qualquer critério técnico, foi feita uma lista de senioridade única proporcional ao tamanho das empresas na época. Quanto a Rio Sul: nunca foi comprada pela Varig e sim criada por ela para fazer os voos regionais. Em relação a Gol, WebJet, TAM e etc, desconheço pois já havia saído do Brasil….

      • vai vendo...
        2 semanas ago

        Nota-se que és “ex-varig”. Pisaram em cima dos colegas da Cruzeiro sim. Vcs mesmos criaram sua “lista de senioridade” com critérios de vcs mesmos. Protecionistas. A Rio Sul foi criada pela Varig, tens razão, mas depois, antes de fechar, a Varig incorporou a Rio Sul, que era enxuta e eficiente, como uma maneira de diminuir o seu prejuízo.
        Depois de terem perdido seus empregos e muitos até hoje não receberam nada, vivem em dificuldades, os “ex-varig” ainda defendem essa empresa, que um dia foi grande, mas acabou.

      • vai vendo...
        2 semanas ago

        Complementando, caro Ark Pilot, já que és tão “bem informado” a Varig fez não só com a Cruzeiro, mas também com a Real, em 1960. A Varig “comprou” a Real e os variguianos criaram a separação entre “os calças pretas(ex real) e os “calças azuis” ( varig).
        Mas aqui se faz, aqui se paga…talvez o fato acima não seja do seu tempo, mas certamente é do seu tempo quando, em 2005/2006, pouco antes da grande varig ruir, houve uma tentativa de “fusão” entre Tam e Varig…Nessa época, os variguianos, todos com as barbas de molho, andavam humildes, companheiros e todos lutando pelo bem comum…claro, estavam sendo “caça” e nunca mais seriam “caçadores”.
        Quanto a “fábula” do blog, o terror que a “Mavi” moderna promove contra a “Seyahat” moderna, é promovido por ex variguianos que sofreram quando eram novinhos na Varig e agora são “antigões” na Mavizul moderna.
        A Varig foi orgulho nacional, durante muito tempo…já alguns variguianos…

  25. Wagner
    2 semanas ago

    Conheço este filme….

  26. Marcos Aluar
    2 semanas ago

    Que artigo mais ridículo Raul Marinho!
    Por acaso você é amigo de algum dos demitidos, e por isso tomou as dores do mesmo?

    • Raul Marinho
      2 semanas ago

      Pode ser ridículo, mas é uma fábula. Como eu poderia ser amigo de alguém em um reino imaginário?

      • Fábio Otero Gonçalves
        2 semanas ago

        Alguém sentiu uma ardência nas orelhas, rsrsrs… #JustSaying

      • Patrick
        2 semanas ago

        E o Sales me dizendo que na aviação todo mundo é amigo.

  27. Paulo
    2 semanas ago

    Ainda bem que não, Raul. #sqn

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